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Arte ao Redor Tatiane de Assis é repórter da Veja SP. Acredita que as artes visuais podem aproximar pessoas e descortinar novas facetas da vida.

Por dentro da obra: O Impossível (1945), da artista mineira Maria Martins

Entenda um pouco mais sobre esta escultura de um dos grandes nomes da arte brasileira no século XX

Por Tatiane de Assis - Atualizado em 27 ago 2020, 23h15 - Publicado em 28 ago 2020, 06h00

A escultura O Impossível (1945) é da artista mineira Maria Martins (1894-1973), um dos grandes nomes da arte brasileira do século XX.

SEM CÓPIAS

De acordo com a crítica de arte Veronica Stigger, há três versões de O Impossível. Esta, abaixo, pertence ao acervo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ). As duas outras estão no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) e no Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (Malba). Elas não são cópias, porque não vieram do mesmo molde.

DE OLHO NO DETALHE

A peça do MAM-RJ tem uma particularidade. Repare que a figura da esquerda, que podemos identificar como feminina, guarda os braços e os seios. “Esse trabalho parece flagrar a metamorfose do humano em vegetal”, assinala Verônica, que chama atenção para a similaridade dos personagens com plantas canibais.

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ALMAS DENTADAS

Chama atenção na produção de Maria Martins o encontro amoroso retratado bem longe do romantismo tradicional. Nesta obra, os personagens se desejam, mas essa relação parece ser um tanto complicada. Aqui, a tão almejada fusão das almas gêmeas é, ao mesmo tempo, perigosa e erótica.

GRUPO ILUSTRE

O francês André Breton (1896-1966), um dos ícones do surrealismo, era próximo à artista e escreveu sobre a sua produção para uma mostra em 1947, na extinta Julien Lévy Gallery, em Nova York. Maria também era amiga do romeno Constantin Brancusi (1876-1957), pai da escultura moderna, e engatou um romance com ninguém mais, ninguém menos que Marcel Duchamp (1887-1968).

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 2 de setembro de 2020, edição nº 2702.

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