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Arte ao Redor Tatiane de Assis é repórter da Veja SP. Acredita que as artes visuais podem aproximar pessoas e descortinar novas facetas da vida.

Kika Carvalho, entre muros e pipas

Artista capixaba fala de sua formação múltipla e relação com o corpo

Por Tatiane de Assis - Atualizado em 14 ago 2020, 19h14 - Publicado em 14 ago 2020, 06h00

No dia 1º de setembro, a artista Kika Carvalho participa de um bate-papo no Entreolhares Universitário, programa do Itaú Cultural voltado para estudantes previamente inscritos. O tema da conversa, “Aspectos da carreira artística e seus desdobramentos após a formação acadêmica”, ajuda a entender um pouco a sua trajetória. Pouco tempo após conhecer o grafite, a capixaba ingressou no curso de artes visuais da Universidade Federal do Espírito santo (Ufes).

“Foi na faculdade que explorei outras materialidades além da tinta na parede”, explica a artista, que utiliza muros como suportes, mas também faz uso de telas e do próprio corpo. olhar para seus braços, pernas, seios e cabelos é, contudo, um exercício custoso. “Quando comecei na arte de rua, sentia o meu corpo diferente. Era inundada pela adrenalina, a energia de estar nas ruas e conhecer minha cidade. Depois, quando me tornei mulher aos olhos dos grafiteiros com quem convivia e comecei a me destacar, tentei me esconder. Ainda lido com as sequelas das violências física e psicológica que sofri. Hoje está um pouco melhor, mas não consigo me sentir à vontade como antes”, relata.

Uma brecha acalentadora vinha (antes da pandemia) do contato com estudantes de outro segmento no qual ela atua, a arte-educação. para explicar o que eram os brasões para seus alunos, por exemplo, Kika criou pipas. sua ideia é falar dos símbolos que representam corporações e famílias tradicionais, sem desmerecer aqueles que não fazem parte desses grupos. Ao fazer das pipas novos brasões, Kika dava aos alunos a possibilidade de também criarem um símbolo para seus respectivos clãs. Nas primeiras produções desse tipo, ela escolheu fazer referências aos orixás: “Para além de entidades espirituais, eles são representações do panteão africano, inclusive com ligação com o tipo de alimentação encontrada nesse continente”, detalha a artista. Durante a quarentena, Kika pode ser acompanhada pelo perfil @kikacarvalhokika, no Instagram.

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