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Arte ao Redor Tatiane de Assis é repórter da Veja SP. Acredita que as artes visuais podem aproximar pessoas e descortinar novas facetas da vida.

Mostra na Japan House reconstrói Inujima, ilha japonesa repleta de obras

Disponível entre os dias 30 de novembro e 6 de fevereiro de 2022, artes são dedicadas à ilhota quatro vezes menor que o distrito da Sé

Por Tatiane de Assis Atualizado em 12 nov 2021, 12h27 - Publicado em 12 nov 2021, 06h00

A cidade de São Paulo vai ganhar uma ilha entre os dias 30 de novembro e 6 de fevereiro de 2022. Isso porque o 2º piso da Japan House (JH) vai apresentar uma exposição dedicada a Inujima. Trata-se de uma ilhota no sul do território do Japão com cerca de 500 000 metros quadrados (o distrito da Sé, na capital paulista, é quatro vezes maior).

A “pequena” é parte do arquipélago do Mar de Seto e, junto a duas de suas irmãs — Naoshima e Teshima —, integra um circuito cultural “marítimo”, com foco em artes visuais e arquitetura. Inujima, contudo, guarda peculiaridades que merecem atenção. Tem cerca de cinquenta moradores, com média de 75 anos, herdeiros de épocas de prosperidade e restrições severas.

A imagem mostra partes de paredes, ou seja ruínas, em frente ao mar.
Ruínas em Inujima: abandono transformado em cultura Kimon Berlin/Veja SP

No período feudal do Japão, Inujima era conhecida pela produção de blocos de granito, de acordo com informações da Benesse Corporation, empresa por trás da revitalização da ilha. O material foi e é muito valorizado, tanto que serviu à construção do Castelo de Osaka, um dos mais importantes daquele país. A industrialização somente encostaria ali no começo do século XX, com a instalação de uma refinaria de cobre. A promessa de prosperidade, contudo, durou dez anos. O valor desse minério caiu no mercado e sobraram construções em ruínas.

Em 2008, esses fantasmas de tijolos se converteriam no Museu de Arte Inujima Seirensho. Dois anos mais tarde, em 2010, irromperia um projeto de museu a céu aberto, chamado Art House Project, sob o comando da curadora Yuko Hasegawa e da arquiteta Kazuyo Sejima. Casas abandonadas ganharam intervenções artísticas, como também foram erguidas obras feitas especialmente para lá, caso de Yellow Flower Dream (2018), de Beatriz Milhazes. Antes, a estrutura ocupada por ela recebeu intervenções efêmeras e floridas de Haruka Kojin, artista nascida em Hiroshima que, entre outras atividades, já desenvolveu colaborações com a marca Dior.

A imagem, mostra a distância, uma foto da obra de Milhazes.
Obra de Beatriz Milhazes em Inujima: projeto único para ilha Yoshikazu Inoue/Veja SP
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“Na primeira parte da exposição aqui na Japan House, vamos trazer as rotas possíveis de serem feitas pela ilha, com auxílio de sinalizações no piso”, adianta Natasha Barzaghi Geenen, diretora artística da JH, que está à frente do diálogo com Yuko e Kazuyo, as curadoras da mostra. Por meio de maquetes, será possível visualizar alguns trabalhos, como Biota — Fauna/Flora (2013), de Kohei Nawa, escultura de aspecto esponjoso, que tomou o interior de uma casa deixada ao deus-dará.

“Em vez de se buscar propostas megalomaníacas de revitalização, optou-se por uma iniciativa que envolve a comunidade e a faz se tornar mais sensível às obras”, explica Natasha sobre a mostra que vai ajudar o público paulistano a entender que Inujima foi do granito e do cobre, mas hoje é um pequeno reino da arte.

A imagem mostra uma casa, com telhado azul esverdeado, abandonada e vazia.
Kohei Nawa: escultura fantasma em casa abandonada Takashi Homma/Divulgação

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Publicado em VEJA São Paulo de 17 de novembro de 2021, edição nº 2764

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