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Arte ao Redor Tatiane de Assis é repórter da Veja SP. Acredita que as artes visuais podem aproximar pessoas e descortinar novas facetas da vida.

“Tudo que é dito sujo merece ser desmerecido?”, diz Camila Soato

Junto a sua produção de telas, artista constrói esculturas com esterco que serão exibidas na SP-Arte

Por Tatiane de Assis - Atualizado em 9 mar 2020, 16h07 - Publicado em 6 mar 2020, 06h00

A brasiliense Camila Soato, de 35 anos, pesca personagens e situações na internet para construir suas pinturas com tinta a óleo sobre tela. Como o mundo virtual é mais do que vasto, ela criou então alguns filtros. “A primeira peneira é o humor, busco imagens esdrúxulas do cotidiano”, aponta a artista.

Obra “Caviar É uma Ova Dona!’, que representa a personagem Dona Clotilde, ou a Bruxa do 71, da série Chaves Divulgação/Divulgação

Os cachorros, presentes na fase inicial de sua produção, encarnam esse aspecto e também se entre- laçam com a biografia dela. “Cresci em Planaltina de Goiás, cidade que dista 60 quilômetros do Plano Piloto. Quando minha família chegou aqui, a cidade não era asfaltada. Os cachorros eram uma espécie de diversão. Cruzavam-se, faziam xixi, sem pudor, uma espécie de liberdade que rompia os padrões”, explica.

Unicórnios, Sereias e Dragões (2017): obra de Camila Soato Divulgação/Divulgação

Em seus trabalhos atuais, Camila, de volta a Planaltina desde abril de 2018, prepara esculturas, feitas com excremento de vaca, terra e palha. “Meu grande questionamento com essas e outras peças é: ‘Tudo o que é dito sujo merece ser desmerecido?’ ”, provoca a brasiliense, que deve ter sua pergunta respondida pelos visitantes da SP-Arte. A feira ocorrerá em abril deste ano, no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera.

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