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Blog do Lorençato Por Arnaldo Lorençato O editor sênior Arnaldo Lorençato é crítico de restaurantes há 29 anos. De 1992 para cá, fez mais de 15 000 avaliações. Também é autor do Cozinha do Lorençato, um podcast de gastronomia, e do Lorençato em Casa, programa de receitas em vídeo. O jornalista leciona na Universidade Presbiteriana Mackenzie

Rolando Massinha é proibido de estacionar na Avenida Sumaré

Existe uma legião de órfãos há pouco mais de quinze dias. São as 3.000 pessoas que passavam por mês no Rolando Massinha para atacar uma massa, do começo da noite até a madrugada. Não, não houve nada com Rolando Vanucci, o proprietário, mas com seu trailer. + Ainda dá tempo: inscrições para o MasterChef na reta […]

Por Arnaldo Lorençato Atualizado em 26 fev 2017, 18h17 - Publicado em 20 mar 2015, 21h32
Rolando: por enquanto só na Casa Verde aos domingos

Rolando: por enquanto só na Casa Verde aos domingos (Foto: Lucas Lima)

Existe uma legião de órfãos há pouco mais de quinze dias. São as 3.000 pessoas que passavam por mês no Rolando Massinha para atacar uma massa, do começo da noite até a madrugada. Não, não houve nada com Rolando Vanucci, o proprietário, mas com seu trailer.

+ Ainda dá tempo: inscrições para o MasterChef na reta final

Também não foi um acidente com o veículo motorizado, mas fiscalização da Prefeitura. Ou melhor, da Subprefeitura da Lapa que tem como abrangência os bairros Barra Funda, Jaguara, Jaguaré, Lapa, Perdizes e Vila Leopoldina.

Desde 2008, o trailer parava em um estacionamento de uma loja de lingeries na Avenida Sumaré. Com o boca a boca, tornou-se um sucesso. As massas de Vanucci foram descobertas pela mídia e até se transformaram em um livro com direito a prefácio de Alex Atala, do contemporâneo D.O.M. É a autobiografia Rolando Massinha — Uma História de Vida com Receitas de Amor (Generale, 128 páginas; 39,90reais). Há quase dois anos, Vanucci trocou de ponto migrando para o estacionamento de uma concessionária na mesma via, mantendo-se firme por lá.

Opçöes da cantina improvisada: fettuccine ao sugo (Foto: Lucas Lima)

Opções da cantina improvisada: fettuccine ao sugo (Foto: Lucas Lima)

Pois é, senhores, a Subprefeitura, em uma ação de rotina, determinou que, depois de tanto tempo, o trabalho de Vanucci é ilegal. Ou melhor, da concessionária de automóveis onde ele estacionava atualmente e que não tem alvará para funcionar com um estabelecimento de alimentação em suas dependências.

Entrei em contato com a Subprefeitura da Lapa, que deu seguinte resposta por sua assessoria de imprensa:

“O veículo “Rolando Massinha” estava instalado dentro do estacionamento de uma área particular, no caso, uma empresa, o que não é permitido segundo a legislação vigente. Tal ação desvirtuava a licença de funcionamento emitida a referida empresa e a própria empresa pediu ao mesmo que se retirasse do local.”

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Como assim dependências? O trailer não fica na área externa onde é o estacionamento? Será que estou enganado ou isso é má vontade? Não se trata de defender ilegalidades mas da defesa do direito ao trabalho.

Com o rigor poeirento da burocracia, a Subprefeitura da Lapa ainda não tem data definida para a  liberação dos Termos de Permissão de Uso (TPU), que regulamentam esse tipo de atividade. Além de Rolando Massinha, também foram obrigados a deixar a Sumaré o Dog do Betão e a barraca de frutas na esquina da Rua Minerva na altura do número 484 da Sumaré.

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Há dezoito anos, o Dog do Betão parava na altura do número 741 da Avenida Sumaré, ao lado da loja de automóveis Suzuki. Sebastião Oliveira, o Betão, conta que sua van foi apreendida por não ser a mesma que constava em sua licença de 1996. Além disso, o documento autorizava o estacionamento no trevo entre as ruas Minerva e João Ramalho, mas o empresário teve que migrar para outro ponto cerca de 20 metros do original por causa de uma obra da Sabesp.

Em nota, a Subprefeitura da Lapa relata que o decreto 55.085 de 06 de maio de 2014, dispõe sobre as regras para comercialização de alimentos em vias e áreas públicas – comida de rua. Nesta publicação, os intitulados “dogueiros”, deveriam migrar para um novo termo de permissão de uso, com direito e prioridade de manter os seus pontos. No entanto, o responsável pelo “Dogue do Betão” não se apresentou em tempo hábil para fazer a migração necessária para a legalização da atividade. A apreensão de seu veículo foi realizada em 12 de março/2015″.

Oliveira está esperando abrirem novas vagas para pedidos de TPU, e lamenta ter de mudar de endereço. “Vou lutar para ficar no mesmo lugar, mas a subprefeitura está alegando que, embora esteja aqui há tanto tempo, perdi a data para ter esse privilégio”, lamenta.

Angélica Pereira e sua filha Sônia Pereira, donas da barraca de frutas, contam que estão temporariamente funcionando agora em uma garagem de uma casa na própria Rua Minerva. O contato com a Subprefeitura para o pedido do TPU já está em andamento.

Insisti com a Subprefeitura da Lapa para saber qual o andamento dos TPUs. Na resposta oficial que recebi consta:

“Estamos em processo de término de análise dos primeiros documentos entregues a Subprefeitura. Assim que concluída esta etapa, reabriremos as inscrições para aqueles que não foram atendidos, bem como novos pontos.” Insisti no assunto, não obtive como resposta. Enquanto não saem os TPUs, só resta a todos os interessados permanecer de braços cruzados.

Conversei com Vanucci. Ele conta que foi uma surpresa a “desapropriação”. “Recebi convites da Subprefeitura da Sé de compor com outros trucks em espaços como o Largo Santa Cecília, a Liberdade e a Paulista, mas por desejo e ter esse vínculo de quase oito anos, gostaria de ficar na Avenida Sumaré “, diz. A surpresa de Vanucci foi ainda maior “porque o vereador Andrea Matarazzo, autor da legislação sobre o tema, escreveu que Rolando Massinha era uma referência para a lei de comida de rua”.

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Os fregueses do Rolando Massinha na Avenida Sumaré estão desamparados neste momento. Não há como atacar um talharim e ravióli nas altas horas por lá. A solução, por enquanto, é ir até o Pátio Gastronômico (Rua Relíquia, 383, Casa Verde), onde Rolando permanece somente aos domingos.

Enquanto isso, corre nas redes sociais uma campanha organizada não um por um paulista, mas pelo chef Jimmy McManis, do Ogrostronomia e Burgertopia, do Rio de Janeiro. Ele deu o pontapé ao pedido de volta com a hashtag #voltarolando.

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