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Blog do Lorençato Por Arnaldo Lorençato O editor sênior Arnaldo Lorençato é crítico de restaurantes há 29 anos. De 1992 para cá, fez mais de 15 000 avaliações. Também é autor do Cozinha do Lorençato, um podcast de gastronomia, e do Lorençato em Casa, programa de receitas em vídeo. O jornalista leciona na Universidade Presbiteriana Mackenzie

Meu caso de amor de 25 anos

A paixão que tenho pela gastronomia virou missão de vida quando o guia anual Comer & Beber foi lançado em setembro de 1997

Por Arnaldo Lorençato Atualizado em 1 out 2021, 13h52 - Publicado em 22 set 2021, 17h36

2020 foi o ano em que a minha cabeça ficou cheia de incertezas como a de quase todo o mundo. Tinha o COMER & BEBER para fazer, mas havia o medo de ficar doente, de os lugares voltarem a fechar por causa da pandemia e a necessidade de correr contra o relógio, tirar do zero uma revista em apenas três meses. Foram noites insones e em vários momentos me perguntei ‘vou conseguir?’. A resposta era: não tinha outra escolha e a edição de ‘o ano dos resistentes’ está aí para provar essa resiliência. E deu certo.

Mas essa história começa beeeem antes. Pouco tempo antes do lançamento do guia Comer & Beber em 1997, mais precisamente cinco anos, eu estreava como crítico de restaurantes — várias pessoas me perguntam “como faço para me tornar um crítico?” e sempre penso que ainda vou escrever um manual sobre o tema, justo eu que vim ao mundo da gastronomia sem manual. A Vejinha, desde seu nascimento 36 anos atrás, publicava sua seção semanal de garfo e copo. Nessa época, escrevia sobre cinema e teatro.

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Minha estreia foi em julho de 1992 com um texto do Carlino, o mais antigo de São Paulo. Era uma responsabilidade imensa resenhar um lugar que surgiu no fim do século XIX e foi testemunha de fatos como a virada do império para a república, duas guerras mundiais, a Semana de Arte Moderna, a criação e mudança do Masp do centro para a Paulista, o golpe militar, os festivais de música da Record com ‘É Proibido Proibir’… Devo ter sentido um frio na barriga ao ser convocado para a tarefa e para o posto que, inicialmente, seria provisório. Nem me lembro dessa sensação, mas não esqueço da bavaresa com calda de frutas frescas do Carlino.

Na época da primeira edição do Comer & Beber, a recordação nada agradável é que não fui convidado para fazer os textos dos vencedores. Aliás, nenhum texto. Entrei na última hora quando o corpo de notáveis convidados não deu conta do recado e precisei por a revista de pé. A partir daquele momento, sabia que tinha uma missão.

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Sou a única pessoa que está no Comer & Beber desde o início. Inclusive nos três anos que passei fora da Vejinha como editor de gastronomia da extinta ‘Gazeta Mercantil’ — nessa época, participei como jurado de restaurantes. A edição cresceu e chegou a 1000 endereços. Mas também se ajustou aos novos tempos com os 450 estabelecimentos atuais, número muito significativo não só em São Paulo, mas em qualquer outra capital do mundo.

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Vale lembrar que nem mesmo a pandemia assustou a guerreira equipe de gastronomia por mim conduzida, leia-se Saulo Yassuda (bares) e Gabriela Del’Moro (comidinhas), enquanto alguns guias desapareceram e outros  foram suspensos, inclusive internacionais — a Editora Abril continuou acreditando e investindo no segmento. Fomos às ruas, visitamos, provamos, avaliamos como sempre fizemos — claro que com todos os cuidados que se exigem diante da assustadora pandemia. E o guia nunca deixou de ser publicado nem mesmo em um cenário tão adverso quanto o de 2020, o ano dos resistentes como está estampado na capa do Comer & Beber mais que especial.

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Agora, se completam 25 edições em defesa da gastronomia, sempre de olho no leitor e valorizando estabelecimentos do ramo. E empresto aqui o slogan do extinto ‘Guia Brasil’: vamos antes para você se dar bem. Dá um baita orgulho fazer parte dessa história, ter contribuído para reconhecer o talento de cozinheiros estreantes e de muitos outros consagrados como os 10 que estão nesta foto e foram destacados ao longo das duas primeiras décadas do guia. Que venham mais 25 anos cheios de apetite!

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