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Blog do Lorençato Por Arnaldo Lorençato O editor sênior Arnaldo Lorençato é crítico de restaurantes há 29 anos. De 1992 para cá, fez mais de 15 000 avaliações. Também é autor do Cozinha do Lorençato, um podcast de gastronomia, e do Lorençato em Casa, programa de receitas em vídeo. O jornalista leciona na Universidade Presbiteriana Mackenzie

O renascimento do Capim Santo

Principal restaurante de culinária brasileira da chef Morena Leite reabre em um dos centros culturais mais bonitos de São Paulo

Por Arnaldo Lorençato 21 set 2020, 12h18

Logo no início da pandemia, a chef Morena Leite tomou uma decisão difícil. Naquele momento, estava em reforma o imóvel nos Jardins para receber o Capim Santo, a uma quadra da sede onde o anterior permaneceu por quase quinze anos e que seria demolida para virar uma torre. Da Rua Ministro Rocha Azevedo migraria para a Rua Padre João Manuel. Os planos de mudança foram interrompidos com 70% da obra pronta por causa da necessária suspensão das atividades comerciais pelos governos estadual e municipal. Feitos os cálculos, a cozinheira percebeu que a conta não fecharia. Era impossível continuar. Chegava ao fim, ainda que temporariamente, o restaurante de cozinha brasileira.

Contei essa história aqui no blog seis meses atrás (para ler, clique aqui). É justamente o Capim Santo que renasce oficialmente nesta terça (22), data do início da primavera e também uma comemoração dos 22 anos do restaurante. Passa a ocupar o lugar que pertencia ao Santinho, do mesmo grupo, no Museu da Casa Brasileira.

Transformação visual: cenografia do arquiteto Miguel Pinto Guimarães Miguel Pinto Guimarães/Divulgação

No novo endereço, deve servir só almoço de terça a domingo. “Por enquanto, teremos um jantar-sarau apenas uma vez por mês”, adianta a chef. O tradicional bufê do meio-dia não volta por enquanto, mas uma descolada versão dele. A partir de uma oferta de itens, o cliente escolhe uma carne, como salmão, picadinho de filé-mignon ou carne-seca, e três acompanhamentos, que podem ser um tipo de arroz, entre eles o integral, um grão como o feijão, uma farofa ou um purê mais uma salada. “Cada um monta seu prato que vem pronto da cozinha”, explica Morena. Pagam-se 59 reais.

Também é possível escalar uma seleção de dez pratos à la carte, além de petiscos. Para partilhar, há pedidas como o croquete de palmito pupunha ao molho de limão-cravo (30 reais) e churros de tapioca com vatapá (33 reais). Também dá para conhecer ou matar a saudade do ravióli de tapioca recheado com queijo Serra da Canastra ao molho de ervas (49 reais), do camarão ao molho de curry com leite de coco, legumes e arroz vermelho (89 reais) e da moqueca vegana com arroz de coco e farofa de dendê (53 reais).

Morena no novo endereço: um dos centros culturais mais bonitos de São Paulo Arnaldo Lorençato/Veja SP

Aos fins de semana, há especiais do dia como a feijoada com laranja, quibebe, salada de banana, vinagrete e farofa (75 reais). Entre as sobremesas, o pudim de doce de leite com fava de aridan (22 reais), obtida de uma árvore de origem africana, fazem o complemento. O café, Orfeu, continua vindo com uma colherzinha de brigadeiro de capim santo para um doce arremate.

Planta e repaginação do espaço: obra em andamento Divulgação/Divulgação

Na conversa que tive com Morena na quinta passada, dia 17, ela me contou que a ideia de levar o Capim Santo ao Museu da Casa Brasileira foi de Sidnei Podryhula, diretor de alimentos e bebidas e operação do grupo. Com o retorno, a chef conta que conseguiu assim sair do luto no qual disse ter mergulhado quando se viu obrigada a parar completamente as atividades, sem saber se conseguiria reabrir o Capim Santo. “Foi muito duro. Tive de demitir mais de 200 pessoas. Me preocupo com todos elas”, afirma.

Além do trio de restaurantes Santinho, hoje reduzidos a um único ponto no Instituto Tomie Ohtake que está se preparando para voltar como delivery — está fechada definitivamente a unidade do Teatro Municipal –, interrompeu também o serviço de bufê para festas, de mesmo nome. “Os eventos ainda devem demorar muito a retornar”, lamenta.

A volta do Capim Santo no Museu da Casa Brasileira é um renascimento total, uma ressurreição

Morena Leite, chef e sócia do restaurante
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Sem interromper o funcionamento, Morena fará aos poucos a obra de transformação do espaço do restaurante, que agora tem mesas também distribuídas pelo maravilhoso jardim do centro cultural, respeitando os critérios do espaço tombado. “Contei com o apoio e o acolhimento dos diretores do museu. Foi superimportante”, conta. A remodelação, confiada ao arquiteto Miguel Pinto Guimarães, com iluminação de Maneco Quinderé e paisagismo de Carla Oldemburg, deve ser concluída no fim do ano. “Quando aconteceu o fechamento, parecia que eu tinha tomado extrema-unção e morri. A volta do Capim Santo no Museu da Casa Brasileira é um renascimento total, uma ressurreição”, garante Morena.

Clique para conferir o menu do Capim Santo.

Capim Santo MCB. Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2705, Jardim Paulistano (Museu da Casa Brasileira – MCB), tel. 3032-2277, WhatsApp: 98189-0082. 12h/15h (sáb., dom. e feriados até 17h; fecha seg.).

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