Saúde ‘high tech’: hospitais investem em equipamentos de ponta

Objetivo é encurtar tratamentos e torná-los menos invasivos

Robôs, raios gama e plataformas codificadas. Instrumentos até pouco tempo atrás comuns apenas em HQs e filmes de ficção científica agora são realidade em alguns dos principais hospitais particulares da capital. Do diagnóstico ao período de recuperação, a tecnologia tornou-se aliada de médicos na tarefa de aumentar a precisão de procedimentos e o conforto de pacientes.

O investimento na compra de dispositivos importados dos Estados Unidos e de países da Europa tem crescido a cada ano. No Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o gasto no setor com máquinas de ponta previsto para todo o ano de 2017 é de 75 milhões de reais, 30% a mais que o registrado em 2016. Referência internacional no tratamento de cardiopatias, o Hospital do Coração (HCor) desembolsou 150 milhões de reais para melhorar a infra-estrutura e adquirir novos equipamentos desde 2010.

“A missão é tornar os tratamentos desse tipo acessíveis ao maior número de pessoas”, diz o superintendente científico do local, Carlos Alberto Buchpiguel. Abaixo, confira os principais exemplos de modernidade aplicada à medicina na cidade.

Robôs de telepresença

A UTI do Hospital Alemão Oswaldo Cruz ganhou o reforço de dois integrantes em novembro. Ao contrário dos demais funcionários que circulam por ali em horários escalonados, esses trabalham 24 horas por dia. Conectada à internet, uma dupla de robôs de telepresença permite a comunicação constante entre os plantonistas e os médicos que acompanham o paciente há mais tempo, por meio de uma espécie de teleconferência. “Os equipamentos transmitem imagens ao vivo, em 360 graus”, explica o superintendente de Educação e Ciências da instituição, Jefferson Fernandes.

Em emergências, o profissional em local remoto pode ajudar enfermeiros a prestar atendimento específico. Trata-se do primeiro hospital brasileiro a importar a tecnologia, controlada por smartphone. Outra novidade prevista para estrear no segundo semestre é a plataforma Elsie, que “traduz” o código genético de pacientes, formado por letras e números, em informações concretas, como presença de alergias, resistência a tratamentos e propensão a patologias. Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Rua João Julião, 331, Bela Vista, ☎ 3549-0000.

Gamma Knife

Gamma Knife no HCor: combate à doença de Alzheimer (Roberto Loffel/Veja SP)

Em sua versão mais comum, os raios gama atravessam o crânio do paciente e, sem a necessidade de cortes, eliminam tumores do cérebro. A novidade no Hospital do Coração é o uso da tecnologia para doenças funcionais, como Alzheimer e Parkinson. Devido à precisão, o Gamma Knife preserva órgãos sadios que poderiam ser afetados em outros tipos de intervenção. A instituição é a única da cidade a usar a técnica, há cerca de dois anos. Brevemente, outro dispositivo será adotado ali de modo inusitado. Famosos no tratamento de insuficiência cardíaca, os marcapassos se tornarão aliados no combate à depressão.

Instalados nos nervos ramo-oftálmicos, abaixo das sobrancelhas, eles emitem impulsos elétricos e criam uma reação no sistema nervoso que elimina os sintomas da depressão. “O resultado aparece em três meses”, diz o neurocirurgião Antonio De Salles. Autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o procedimento aguarda a liberação da Associação Médica Brasileira, mas já tem fila de espera de oitenta pessoas. Hospital do Coração. Rua Desembargador Eliseu Guilherme, 147, Paraíso, ☎ 3053-6611.

Implante transcateter

Sala da Beneficência Portuguesa: cateteres longe do coração (Antonio Milena/Veja SP)

Dono da maior área de hemodinâmica — que trata de questões relativas à circulação do sangue — do país, o Hospital BP (antiga Beneficência Portuguesa) tornou-se em 2015 a instituição paulistana pioneira na técnica de instalar cateter com um procedimento bem mais simples que uma cirurgia comum. No chamado implante transcateter valvar aórtico (ou TAVI, em sua sigla), o dispositivo é colocado na perna do paciente, na artéria femoral. “É bem menos invasivo, pois não há necessidade de abrir a região torácica e utilizar a circulação extracorpórea”, afirma o médico José Armando Mangione, coordenador de cardiologia da instituição, que realiza cerca de 1 000 cateterismos por mês. Hospital Beneficência Portuguesa. Rua Maestro Cardim, 769, Bela Vista, ☎ 3505-1000.

Radioablação

A extração de um tumor é geralmente um procedimento complicado. A depender da região em que estiver localizado — como rim ou fígado, por exemplo —, a operação poderá prejudicar o funcionamento de todo o corpo. Para evitar esse tipo de efeito colateral negativo, o Hospital Sírio-Libanês desenvolveu uma técnica que elimina os nódulos sem a necessidade de cirurgia. Trata-se da radioablação, que consiste na injeção de calor por meio de agulhas de alta precisão. A energia desprendida reduz ou até mesmo destrói a massa indesejada. Tudo é monitorado por tomografias. “Menos invasiva, a iniciativa preserva os órgãos e é uma boa alternativa para idosos, grupo de risco para cirurgias”, diz o médico Giovanni Cerri, diretor do centro de diagnóstico por imagem do local. A tecnologia é utilizada há cerca de um ano e mostrou-se eficaz na retirada de nódulos de até 3 centímetros de diâmetro. Hospital Sírio-Libanês. Rua Dona Adma Jafet, 91, Bela Vista, ☎ 3394-0200.

Cirurgia robótica

Radioablação no Sírio- Libanês: calor para destruir tumores (Reinaldo Canato/Veja SP)

Há pouco mais de um ano, a unidade do Itaim do Hospital São Luiz recebeu o robô americano Da Vinci Si, que, com maior precisão de movimentos, auxilia em cirurgias delicadas, sobretudo urológicas, ginecológicas e bariátricas. Mais de 800 operações foram realizadas com o equipamento desde então. “Ele ajuda na cicatrização e evita a formação de hérnias pósoperatórias”, diz o coordenador de cirurgia robótica do local, Murilo de Almeida Luz. Hospital São Luiz. Rua Dr. Alceu de Campos Rodrigues, 143, ☎ 3040-1100.

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