Novo aplicativo conecta doadores de sangue a hemocentros

Aplicativo entra em operação nesta quarta-feira (14) e, inicialmente, vai atender onze hemonúcleos vinculados à Associação Beneficente de Coleta de Sangue

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), apenas 1,8% da população brasileira entre 16 e 69 anos doa sangue – o ideal é que entre 3% e 5% da população de um país seja doadora.  Ainda segundo as estatísticas da organização, a cada dois minutos, um brasileiro precisa de sangue, porém só seis em cada dez doadores são voluntários e doam com frequência. Os outros quatro são doadores de reposição, ou seja, só doam quando um amigo ou parente precisa de sangue.

Visando incentivar a doação espontânea, foi lançado na última terça (13), em Sorocaba (SP), um aplicativo para smartphones que torna o processo de doação mais acessível à população. Desenvolvido pela startup sorocabana Time do Sangue, o aplicativo interliga potenciais doadores e hemocentros, permitindo o acionamento rápido do doador mais próximo, através da geolocalização, sempre que alguém precisa de sangue. O sistema também poderá ser usado em campanhas para atender situações de emergência, por exemplo, onde há demanda inesperada de doações.

O aplicativo entra em operação nesta quarta-feira (14), Dia Mundial do Doador de Sangue, atendendo inicialmente onze hemonúcleos vinculados à Associação Beneficente de Coleta de Sangue (Colsan), incluindo os hemonúcleos de Sorocaba, Santo André (Hospital Mário Covas e Centro Hospitalar), São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Jundiaí e Santos, além de quatro hemonúcleos da capital (Hospital do Servidor Público Municipal, na Aclimação, e hospitais municipais do Tatuapé, Ermelindo Matarazzo e Campo Limpo). Juntos, eles atendem quase 80% da população do Estado.

Inicialmente, o aplicativo pode ser baixado em smartphones com a plataforma Android, mas em alguns dias será acessível também no sistema Apple. Conectado à rede de forma remota, não ocupa muito espaço, segundo Juliana Aguiar, uma das idealizadoras do projeto. “O cadastro é feito através do próprio aplicativo, sem burocracia e respeitando o tempo do doador. Ele (doador) também pode carregar laudos de exames e documentos pessoais em sua pasta no aplicativo, com todo sigilo e segurança”, diz.

Juliana e a sócia Kelle Petreche desenvolveram o aplicativo depois de terem vivido na pele o problema dos baixos estoques, filas e sazonalidade de doações enfrentado pelos hemocentros. As duas amigas tiveram problemas graves de saúde que exigiram transfusões de sangue e viram as dificuldades dos hemocentros. “Há épocas em que faltam doadores e outras em que há excesso, quando há campanhas, por exemplo. Como a estrutura é a mesma, quando o número de doadores é grande, a espera aumenta e, aquele que espera duas horas ou mais, acaba desistindo. Pensamos em um jeito de retribuir o que fizeram por nós.”

Com o agendamento da doação online, além de eliminar a espera, o hemonúcleo controla melhor o número de ações realizadas e pode estimular novas doações. O aplicativo também facilita a localização de doadores para tipos de sangue mais raros, o que hoje demanda buscas demoradas por telefone.

Para a médica hematologista da Colsan, Maria Goretti de Araújo Marques, o aplicativo deve contribuir na organização dos estoques dos hemocentros. “Quando o estoque estiver baixo para determinado tipo de sangue, bastará clicar nesse tipo que os doadores serão acionados e podem agendar a doação sem filas.”

O programa também vai permitir o mapeamento geográfico das doações, segundo a pesquisadora Vanessa Simonetti, mestranda da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e colaboradora do Time do Sangue.

“Através do aplicativo, vamos saber qual a região tem mais ou menos doadores e, a partir desses dados, podemos fazer campanhas dirigidas para aumentar a doação. Também será possível investigar as causas da ausência de doadores em determinadas áreas e desenvolver políticas públicas voltadas para essa população.”

A adesão e o uso do aplicativo são gratuitos. O programa tem apoio da prefeitura de Sorocaba e ainda este ano deve ser ‘exportado’ para outros Estados brasileiros.

 

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