VEJA São Paulo

  • » Login
  • » Cadastre-se
  • Usuário
  • » Meu perfil
  • » Sair
  • Edição da semana
  • Edições anteriores
Edição da semana - Por dentro da cabeça dos alunos Ampliar
Edição da semana - Por dentro da cabeça dos alunos
  • Home
  • Restaurantes
  • Bares
  • Comidinhas
  • Cinema
  • Teatro
  • Exposições
  • Baladas
  • Shows
  • Crianças
  • Compras
  • Luxo
  • Blogs
  • Home »
  • Revista »
  • Trem-bala

Crônica

Trem-bala

Walcyr Carrasco | 24/03/2010

Attílio

Estou no Japão. É a viagem dos sonhos de todo escritor: vim pesquisar temas para o meu próximo trabalho em televisão. Não é uma viagem superplanejada. Fico indo e vindo entre três cidades: Tóquio, Nagoya e Osaka. Assim, viajei várias vezes de trem-bala. Exatamente: o trem-bala cuja construção de uma linha entre São Paulo e Rio de Janeiro provoca tantos questionamentos e exercícios de matemática financeira.

Viajei como simples passageiro, mala na mão. De Nagoya a Tóquio são 366 quilômetros, que o trem-bala percorre em uma hora e meia. Tudo tão fácil que até me assustei. A primeira surpresa foi na estação: havia trens saindo de dez em dez minutos, aproximadamente. Comprei a passagem na hora, sem precisar de reserva. Lugar marcado. Embarque rápido, sem o stress de um aeroporto. Nada de chegar quarenta minutos antes, entrar em fila para o check-in, passar pelo detector de metais e aguardar um bom tempo para o embarque. Viajei em dias de chuva e vento, quando certamente seriam suspensos os voos da ponte aérea. Dias em que o Aeroporto de Congonhas se transformaria em uma loucura com milhares de passageiros furiosos, sem previsão de embarque. O trem-bala é diferente simplesmente porque é trem! Na hora exata, fui até a plataforma e entrei diretamente no meu vagão. Sentei no meu lugar e pronto. Entre a chegada à estação e a partida, gastei, no máximo, meia hora! Melhor: os bancos têm pontos para conexão a cabo com a internet. Pode-se navegar no computador. Ou falar ao celular. Liguei o meu. O picotador de bilhetes pediu para que eu falasse na área de ligação com o próximo vagão, para não incomodar os outros viajantes. Pura delicadeza! Aliás, a figura do picotador vale um parêntese. Meu pai era ferroviário da rede Sorocabana. Na minha infância, eu sempre viajava de trem. O picotador do trembala me remeteu aos tempos de menino. A modernidade não eliminou a tradição. Nem a vaga de emprego.

De tempos em tempos, uma garota passava vendendo salgadinhos, refrigerantes e café. Mal acreditei quando chegamos: já me esquecera de como pode ser fácil viajar, depois de sofrer tantas vezes na ponte aérea. E me perguntei: por que, afinal, São Paulo não tem ainda um trem-bala? Quantas pessoas moram em Campinas e trabalham na cidade? Quantas vão e vêm do Rio? Qual o tamanho do prejuízo de tantos atrasos e cancelamentos de voo? Muitas vezes, por exemplo, o plano de gravação de minha última novela, 'Caras & Bocas', foi alterado porque alguém do elenco ficara preso em Congonhas. Em um dia de caos, uma atriz demorou oito horas entre a chegada ao Aeroporto Santos Dumont, no Rio, e seu endereço paulista!

Quando escrevi a novela 'O Cravo e a Rosa', pesquisei sobre São Paulo nos anos 20. Descobri que nessa época a Light propôs-se a construir uma linha de metrô na cidade em troca de um acordo de exploração. Os políticos da ocasião foram contra! Gosto de imaginar como seria a cidade com metrô desde então e o número de linhas aumentando com o tempo. Talvez não tivéssemos derrubado tantos prédios lindos para construir avenidas. Nossa qualidade de vida sem dúvida seria melhor.

Quando houver trem-bala no trecho São Paulo-Rio, as pessoas vão viajar menos de avião, é óbvio! Se sua implantação demorou, suspeito que seja por contrariar interesses. Tomara que o projeto vá adiante, sem algum novo tropeço. Depois de viajar de trem-bala, só tenho uma certeza: ele já deveria estar funcionando há muito tempo. E quem perdeu até agora fomos nós, os passageiros.

 

O que são Tags? Tags: 2157, crônica, walcyr carrasco, trem-bala
Tags são palavras-chave que listam conteúdos de um mesmo assunto
  • Espalhe:
  • E-mail
  • Twitter
  • Facebook
  • Orkut
  • Buzz
  • Delicious
  • Gostei
Mais...
Blogs » ver todos

Veja SP indica

  • Mudo e em preto e branco:
    estreias
  • Foto de Carlos Henrique Reinesch: na coletiva Sony World Photography Awards
    é grátis
  • O Retorno da Coleção Tamagni - Núcleo, de Aldo Bonadei: natureza-morta de 1945 é influenciada pelo trabalho de Paul Cézanne
    melhores mostras

Publicidade

Mantenha-se informado

  • Twitter
  • Orkut
  • Facebook

Edição da Semana
Capa da edição nº 2255

08 Fevereiro 2012

Edição Nº 2255

» edições anteriores

O que pensam os nossos estudantes

Jovens paulistanos entre 13 e 18 anos, de escolas públicas e particulares, falam livremente sobre os temas que mai...

Os melhores filmes
  • Guia

    • Restaurantes
    • Bares
    • Comidinhas
    • Cinema
    • Noite
    • Teatro
    • Shows
    • Exposições
    • Notícias
    • Receitas
  • Revista

    • Edição da semana
    • Edições anteriores
    • Crônicas
    • Melhor da semana
    • Blogs
  • Especiais

    • Comer & Beber 2011-2012
    • Comer & Beber Brasil
    • É grátis
    • Para crianças
  • Comunidade

    • Cadastro
    • Mantenha-se informado
    • Indique
    • Reportar erro
    • Meu perfil
  • Veja SP

    • Quem somos
    • Fale conosco
    • Anuncie
    • Acesse VEJA
    • Acesse Abril.com
    • Acesse Guia 4Rodas
    • Termos de uso
    • Política de privacidade
    • Blog da Vejinha
    • Aplicativo Veja SP
  • Veja SP no Facebook
  • Veja SP no Twitter
Assine Veja - Quero Assinar

© Copyright 2012 Editora Abril S.A. Todos os direitos reservados.