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Dez dicas para não ser deportado

Evite fazer parte do extenso grupo de brasileiros que são barrados no exterior todos os anos

Leonam Bernardo | 01/07/2011

Dez dicas para não ser deportado - mala-De malas vazias: 12% dos brasileiros que tentaram entrar na Europa em 2010 foram

Sem lembrancinhas: 12% dos brasileiros que tentaram entrar na Europa em 2010 foram barrados

Fabio Mangabeira

Imagine a desagradável situação: depois de programar toda a sua viagem, comprar passagens, reservar hotéis e passeios, você finalmente chega ao seu destino de férias no exterior e... é barrado no aeroporto e tem que voltar direto para o Brasil. Trágico, não? Pois foi exatamente isso que aconteceu com 6.072 brasileiros que tentaram ingressar na Europa em 2010, segundo dados da Agência Europeia de Controle de Fronteiras (Frontex). O número representa 12% das tentativas de entrada recusadas no continente.

Para evitar que transtornos desse tipo estraguem a sua diversão, preparamos um guia prático com orientações pinçadas no Itamaraty e em consulados e embaixadas da Espanha, Reino Unido, França e Estados Unidos. O Ministério de Relações Internacionais, por exemplo, diz que “na maioria dos casos, os brasileiros são inadmitidos por falta de meios para comprovar o propósito da viagem”.

Confira as dicas para não fazer parte desse indesejado grupo.

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1. Fique de olho na postura
“Temos que passar aos fiscais de fronteiras uma imagem de credibilidade, seriedade, de quem não está a fim de fazer bagunça no país que visita”, diz a consultora de etiqueta e boas maneiras Ligia Marques. O mesmo é recomendado pelo Itamaraty: “Adote sempre tom respeitoso e evite cair em contradições nos contatos que porventura mantenha com as autoridades estrangeiras”.

2. A volta deve estar garantida
Não importa para onde seja sua viagem, tenha sempre em mãos uma prova de que a volta ao Brasil está garantida. O voucher da companhia aérea resolve bem isso. Mas atenção: a embaixada da Espanha deixa claro que a passagem deve ser “nominal e intransferível”.

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3. Não seja pego de calças curtas
O Itamaraty recomenda que o embarque seja feito “de acordo com os padrões locais e a época do ano em que a viagem ocorrerá”. Alerta, também, que “roupas leves ou muito sumárias em períodos de inverno intenso poderão, por exemplo, chamar a atenção das autoridades migratórias estrangeiras”. Em outras palavras, tente parecer o menos vulgar possível. “Roupas devem ser confortáveis, mas não podem pecar pelo exagero”, diz Ligia Marques. “Nada de chegar de chinelos, bermudas, regatas, minissaias e shorts, por exemplo. Use uma calça discreta, camiseta ou camisa em boas condições e sapato. Esqueça o tênis nessa hora e evite o jeans, se possível.”

4. Visto não garante nada
Ao contrário dos países que integram a União Europeia, para viajar aos Estados Unidos é necessário passar antes, no Brasil, por uma entrevista para a concessão do visto. “Mas ele, quando concedido, representa apenas uma permissão para ir até a porta do país. A autorização final é dada pelo fiscal no aeroporto”, avisa Benjamin Chiang, adido de imprensa do consulado americano. Para os casos de viagem à Europa, o Itamaraty adverte que “sempre é recomendado que, antes de viajar, o brasileiro consulte o consulado ou embaixada do país de destino para certificar-se de quais são os requisitos de entrada naquele país, mesmo quando não há a necessidade de visto”.

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5. Passaporte duradouro
Certifique-se de que seu documento tem um prazo de validade de no mínimo seis meses além da data da viagem. Este é um dos itens mais cobrados nos aeroportos espanhóis — destino que recusou a entrada de 1.813 brasileiros no ano passado.

6. Documentos, documentos e mais documentos
Carteira de Trabalho, declaração de Imposto de Renda, registro de imóveis e holerites são exemplos de documentos que mostram sua relação fixa com o Brasil. “Exibir uma carta de sua empresa, informando que está em período de férias, também ajuda bastante”, comenta Priscila Pereira, coordenadora da Central de Intercâmbios. “Estudantes precisam estar com a confirmação e a carta-convite da escola em que vão estudar em mãos. Parece bobagem, mas muitos deles acabam despachando sem querer essa papelada na mala”, completa.

7. Leve dinheiro no bolso
Assim como é importante comprovar vínculo financeiro com o Brasil, é imprescindível que se prove a posse de um montante exclusivo para os gastos com a viagem. Na União Europeia, esse valor mínimo é de 60 euros por dia. “Se a pessoa vai ficar dois meses, por exemplo, é preciso ter em mãos ao menos a quantia suficiente para os primeiros nove dias”, alerta Carmen Batres, do conselho de informação da embaixada da Espanha em Brasília.

8. Saiba o mínimo do idioma local (inglês é imprescindível)
Para quem tenta entrar na Inglaterra, o consulado britânico garante que há tradutores nos aeroportos prontos para entrar em ação, se for preciso. Mas chegar lá sabendo o mínimo de inglês — ou da língua do país de destino — é mais do que recomendado. “Nada pior do que ter problemas e não conseguir se comunicar para resolvê-los”, avisa Ligia Marques. Sylvain Itté, cônsul da França em São Paulo, afirma que há como contatar policiais que falem português nos aeroportos franceses: “Sabia que a França é o pais na Europa onde mais se fala o português depois de Portugal?”.

9. Conheça bem o seu próprio roteiro — e tenha provas disso
Parece uma recomendação boba, mas não é. Os agentes de imigração costumam fazer interrogatórios de todo tipo: desde o propósito da viagem até nomes de pessoas que você conheça e irá encontrar no país. Se está viajando com um amigo, por exemplo, é possível que fiscais façam as mesmas perguntas para ambos. Qualquer informação desencontrada ou contraditória é suficiente para a desconfiança. “Apenas seja claro e honesto sobre o objetivo de sua viagem e responda a todas as perguntas com sinceridade”, exige, cordialmente, o consulado britânico.

10. Implicaram com você. E agora?
“Mantenha a calma, não seja grosseiro, diga que entende a preocupação e que está à disposição para esclarecer o que for preciso e que só quer ter uma viagem agradável”, sugere Ligia Marques. “Os brasileiros, ou qualquer outro turista, têm direito a um advogado, a ligações e a contato com o consulado de seu país nestes casos”, explica Batres, da embaixada espanhola. “Aconselho que a pessoa tente, calmamente, preparar os elementos e provas que permitirão à polícia estar segura da boa fé do viajante”, finaliza Sylvain Itté.

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