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Zona Azul pode ficar mais cara em áreas nobres da capital

Aumento em regiões da Paulista e dos Jardins, por exemplo, deve ser implantado ainda neste ano pela gestão Haddad

Por: Estadão Conteúdo - Atualizado em

Zona Azul
Zona Azul no Parque do Ibirapuera (Foto: Marco Ambrosio/Folhapress)

Estacionar o carro em ruas com Zona Azul na área central da cidade, região da avenida Paulista e nos bairros de Pinheiros, Jardins, Itaim Bibi e Brooklin pode ficar mais caro ainda neste ano. Prevista no Plano Municipal de Mobilidade, com metas para até 2030, a chamada tarifa regional vai seguir a regra da oferta e da procura, elevando o preço em locais com muita demanda. A expectativa é que o reajuste atinja mais de 15 mil vagas, ou 40% do total.

O novo sistema deve compor a segunda fase do processo de implementação da Zona Azul digital, lançada no início do mês pela gestão Fernando Haddad (PT), depois de 20 anos de promessas de seguidas administrações. Segundo o assessor especial da Secretaria dos Transportes, Josias Leche, após concluir a informatização do estacionamento público rotativo, o Município vai estabelecer diferentes taxas, de acordo com a região. Hoje, o preço é padronizado: R$ 5 por hora.

O mapa oficial mostra que a capital tem atualmente 38.972 vagas. Vias do centro e da zona oeste são as que concentram o maior número de locais para estacionar, com destaque, justamente, para os bairros de Pinheiros, Itaim e Jardins. Segundo a prefeitura, só a Rua Estados Unidos soma 975 vagas.

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Para quem trabalha na rua, o aumento da Zona Azul pode representar um prejuízo. "A gente mal consegue pagar o preço oficial e a prefeitura quer aumentar? É só parar o carro na rua para vir vendedor oferecer a folha por R$ 7 ou R$ 8. Se o preço subir, tudo sobe junto", reclama o comerciante Carlos Alberto Rodrigues dos Santos, de 29 anos.

Morador de Santo André, na região do ABC, Santos vem à capital quase todos os dias para buscar mercadoria no Mercado Municipal. As vagas dentro e fora do estacionamento são disputadas pelos motoristas. Quem não consegue encontrar uma apela para os valets, que estão entre os mais caros da cidade. Por lá, a primeira hora custa R$ 25 e a segunda, R$ 17.

Segundo o engenheiro e mestre em transportes Creso Peixoto, a taxa diferenciada de Zona Azul pode ser classificada como uma espécie de pedágio urbano. "Pagar mais por estacionar em zona de maior procura é o mesmo que pagar por circular em horário de pico", afirma o professor de Transportes da Fundação Educacional Inaciana (FEI).

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Em paralelo, a prefeitura quer reduzir o número total de vagas disponíveis nas ruas e, daqui a dois anos, revisar as regras do rodízio de veículos. Entre as possibilidades estudadas pela gestão Fernando Haddad (PT) estão a ampliação do perímetro, do número de placas afetadas por dia e do horário vetado para circulação dos veículos com restrição. Isso se Haddad for reeleito ou mesmo se o próximo prefeito aceitar cumprir o plano, que não tem caráter legal.

Segundo Leche, a intenção da prefeitura é priorizar o estacionamento rotativo da cidade para carga e descarga, além de abrir espaço para o transporte público. O Plano Municipal de Mobilidade traça metas para todos os modais, priorizando ônibus e bicicletas.

"Quando falamos em redução do número de vagas nos subcentros estamos falando das avenidas importantes dos bairros", explica o assessor. Ao retirar o espaço dedicado ao estacionamento dos carros, a Prefeitura pode ampliar a quantidade de ciclovias, faixas e corredores de ônibus.

O espaço reservado para os pedestres também foi alvo de estudos, diz Leche. "Essa foi uma das grandes demandas da população, a manutenção das calçadas. O plano projeta reformar 250 mil m² por ano."

Fonte: VEJA SÃO PAULO