Trânsito

Flanelinhas chegam a cobrar o triplo do preço por cartões de Zona Azul

Pontos de venda oficiais também cometem a infração e CET diz que não pode fiscalizar

Por: Carolina Giovanelli

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Flanelinha na Praça Charles Miller, encostado em carro da CET: segundo a companhia, o problema não é com ela (Foto: Fernando Moraes)

Sábado ou domingo, no começo da tarde, pelo menos dez rapazes com talões azuis em punho circulam pela Praça Charles Miller, em frente ao Estádio do Pacaembu. Assim que um carro se aproxima de uma das vagas de estacionamento, começa a disputa pelo motorista. Na mão desses cambistas, uma folha de Zona Azul, que deveria custar 3 reais por até três horas, sai por mais que o triplo, 10 reais. A presença de meia dúzia de agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) não coibe a ação ilegal. “Nesse caso, só as polícias Civil e Militar podem intervir”, afirma Celso Buendia, gerente de estacionamento da CET. Na Praça Túlio Fontoura, nos arredores do Parque do Ibirapuera, não é diferente. Os flanelinhas pedem 10 reais por duas horas ou 20 pelo dobro de tempo. “Nos fins de semana não se pode parar dentro do parque”, mentia um deles, no último dia 5.

Criada em 1974, a Zona Azul tem como objetivo a rotatividade dos espaços de estacionamento em áreas com grande procura. Na capital, são 35.500 vagas do tipo, espalhadas principalmente pelas regiões oeste e central. Nos catorze pontos visitados por VEJA SÃO PAULO entre os últimos dias 5 e 7, treze eram “vigiados” por algum cambista. Na Rua 7 de Abril, na República, onde a folha vale só por meia hora, um rapaz cobrou 4 reais e ainda fez a gentileza de preencher o cartão para o comerciante João Terras. “Nunca sei onde comprar, assim fica mais fácil”, disse Terras.

Não só os flanelinhas tentam faturar, mas também muitos dos 2.358 pontos de venda oficiais, entre supermercados, lotéricas e drogarias, que já ganham 9% sobre cada talão vendido. Em um bar na Rua do Gasômetro, no Brás, 1 real era adicionado aos 3 permitidos. “Realizamos a fiscalização através de denúncias recebidas pelo telefone 1188”, assegura Buendia. “Também temos 140 agentes responsáveis por checar esses locais.”

Entre 2008 e 2010, foram descredenciados 1.359 revendedores que não praticavam o preço oficial. A dica é comprar um talão com dez folhas por 28 reais e deixá-lo no porta-luvas do carro para as horas de necessidade. É possível adquirir no mínimo dois carnês pelo site www.zonaazulnasuacasa.com.br, sem custo de frete. Além disso, preste atenção em quanto tempo dura a Zona Azul de onde for estacionar, pois os horários mudam de lugar para lugar. Assim, foge-se dos cambistas, da multa de 53,20 reais e dos 3 pontos na carteira de habilitação.

Fonte: VEJA SÃO PAULO