Política

Zelador do tríplex do Guarujá comemora situação complicada de Lula

Ele tenta vaga de vereador por partido enrolado na Lava-Jato

Por: João Batista Jr. - Atualizado em

Afonso Porteiro Lula
Afonso Pinheiro (de amarelo) em campanha com porteiros e zeladores: demitido após confirmar que viu Lula e Marisa no tríplex  (Foto: Acervo Pessoal)

“Não ficarei triste se Lula parar na cadeia”, disse José Afonso Pinheiro, de 46 anos, sobre a denúncia feita pelo Ministério Público Federal ao juiz Sérgio Moro, segundo a qual a cobertura do Edifício Solaris, no Guarujá, pertenceria ao ex-presidente. Sodré foi demitido do cargo de zelador do prédio em abril, após contar em depoimento ter visto Lula e Marisa Letícia visitando as obras do tríplex do condomínio.

Desempregado desde a demissão, ele tenta a sorte na política como candidato a vereador em Santos pelo Partido Progressista (PP). Sua estratégia de campanha consiste em visitar porteiros e síndicos da cidade, para que eles convençam os moradores de seus locais de trabalho a votar nele. Muitas reuniões são feitas nos finais de semana na Rua Azevedo Sodré, endereço de alguns dos condomínios mais luxuosos da cidade. “Preciso de 4 000 votos para poder me eleger”, contabiliza.

Afonso Sodré
O ex-zelador: candidatura usa o controverso imóvel do Guarujá (Foto: Reprodução)

Como se sentiu ao saber da denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal?

Olha, não ficarei triste se Lula for parar na cadeira. Se cometeu erros, que pague. Eu perdi meu emprego e estou desempregado apenas por ter dito a verdade, que vi Lula e Marisa lá.

A sua demissão aconteceu em abril. O que tem feito desde então?

Estou desempregado, meu amigo. Eu ganhava 3 000 reais por mês, e agora vivo dos rendimentos da minha mulher (empregada doméstica que recebe 2 000 reais de salário). A sorte que nossa filha de 22 anos já está formada. Ela fez Relações Internacionais na Anhembi-Morumbi, em São Paulo. Nós moramos de aluguel aqui em Santos, na Avenida Conselheiro Nébias.

Votou em Lula?

Sim, votei na eleição e reeleição. Mas nunca mais apoio o PT.

O senhor se filiou ao PP, partido enrolado na Lava-Jato...

Esse partido me procurou com uma proposta legal, então quis acreditar. Eles me pagaram material de divulgação, os santinhos. Mas a minha campanha não tem recursos. Vou a pé visitar condomínios, falar com porteiros e divulgar a minha causa. Não tenho carro. As pessoas vão votar em mim porque viram que falei a verdade. Quem é honesto precisa ser valorizado.

Fonte: VEJA SÃO PAULO