Especial

Yoshiko Hanashiro, 102 anos

Nascida na ilha de Okinawa, no Japão, famosa por abrigar uma população longeva, ela emigrou para o Brasil prestes a completar 20 anos

Por: Giuliana Bergamo - Atualizado em

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Yoshiko nasceu em Okinawa (Japão), em 15/4/1908; tem onze filhos, dezenove netos e onze bisnetos (Foto: Fernando Moraes)

Por uma década, a japonesa Yoshiko Hanashiro viveu separada de cinco dos seus onze filhos. Nascida na ilha de Okinawa, no Japão, famosa por abrigar uma população longeva, ela emigrou para o Brasil prestes a completar 20 anos. “Vim para encontrar meu noivo”, diz. Pouco antes, outro cidadão de Okinawa, Seian Hanashiro, o pretendente, havia deixado a terra natal para trabalhar. Enquanto esperava a noiva, cuidava do sítio em Itariri, na encosta da Serra do Mar. Foi ali que o casal teve os primeiros cinco filhos.

Quando estavam em idade escolar, os Hanashiro resolveram levá-los para a ilha japonesa como forma de garantir-lhes um ensino de qualidade. Em seguida, porém, estourou a II Guerra Mundial e eles não puderam ver as crianças. “Ela nem toca nesse assunto”, afirma Lila Hanashiro, a nora com quem Yoshiko vive. Distante dos filhos mais velhos, a japonesa teve outros seis (entre eles o ex-deputado estadual Getúlio Hanashiro).

O primeiro dessa segunda leva não chegou a completar 1 ano de vida. Morreu de causa desconhecida. Além desse, ela perdeu outros dois. O primogênito, de morte súbita aos 25 anos, logo depois de voltar de Okinawa, e a caçula, Meire, aos 57 anos, de câncer. Portadora de síndrome de Down, a moça viveu com a mãe até os últimos dias. “Às vezes, ela esquece que a filha não está mais aqui e chama seu nome”, diz Lila.

Desde que Meire morreu, há quatro anos, Yoshiko está mais quietinha. Passa o dia ouvindo músicas infantis de sua terra, cantarola, balança a cabeça e já não abre os olhos. Em seu quarto, mantém um altar butsudan, tradição japonesa de culto a familiares mortos.

Fonte: VEJA SÃO PAULO