Cinema

Will Ferrell surpreende em "Pronto para Recomeçar"

Célebre comediante prova sua versatilidade em seu primeiro drama nas telonas

Por: Miguel Barbieri Jr.

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O ator: personagem se vê na rua da amargura (Foto: Divulgação)

Estrela do programa de humor “Saturday Night Live”, Will Ferrell começou a carreira de ator na TV americana, em meados dos anos 90. Na década seguinte, firmou-se no cinema como um requisitado comediante. Entre seus principais trabalhos cômicos estão “O Âncora”, “A Feiticeira” (ele era o marido de Nicole Kidman), “Ricky Bobby — A Toda Velocidade”,”Quase Irmãos” e “Os Outros Caras”. Ferrell atuou até sob a direção de Woody Allen em “Melinda e Melinda” (2004) e pendeu para algo mais denso em “Mais Estranho que a Ficção”. Drama mesmo, ele só encara agora — e se sai muito bem em “Pronto para Recomeçar”.

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Antes de tudo, o filme tem um dos títulos mais estapafúrdios do ano. Em nenhum momento, a trama dá indício de um recomeço do personagem. Pelo contrário. Amarga e melancólica, a história flagra o caos instalado na vida de Nick Halsey (Ferrell). Embora um dos melhores gerentes de vendas da empresa, esse quarentão acaba demitido devido ao alcoolismo. Nick já aprontou confusões por causa da bebida e agora passará por maus bocados.

Ao chegar em casa, outro susto: sua mulher, ex-alcoólatra, se mandou e colocou todas as tralhas de Nick na rua. Sem poder entrar na residência, o protagonista decide fazer do jardim o seu lar. Em meio a LPs e troféus de beisebol, ele passa dias bebendo cerveja, conversando com sua nova vizinha (Rebecca Hall) e tentando encontrar uma saída para o buraco financeiro e moral. Raymond Carver (1938-1988), mesmo autor de “Short Cuts” (1993), publicou em 1981 o conto que originou o longa-metragem.

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Diante da atual crise econômica americana, seu enredo parece muito fresco. Ferrell enfrenta a difícil tarefa de dar nuances ao papel. Ao mesmo tempo um pobre coitado, frágil e impotente diante do futuro, Nick destila rancor e ironia em palavras cruéis. Um bom texto à altura de um astro, que aqui revela sua versatilidade, só poderia render algo surpreendente.

Fonte: VEJA SÃO PAULO