Paulistana Nota Dez

Dona de casa é voluntária em hospitais da capital

Aos 61 anos, Roseli Michetti divide seu tempo entre três instituições de saúde para dar apoio a pacientes e familiares

Por: Alessandra Freitas

roseli michetti
Roseli prepara origamis para entreter os pacientes de hospitais (Foto: Ricardo D'Angelo)

Roseli Michetti, de 61 anos, nunca deu expediente em nenhuma empresa, mas vem trabalhando duro por mais de três décadas como voluntária. Descobriu essa vocação bem cedo, na infância. Quando criança, acompanhava a rotina do avô. Ele era clínico-geral e oferecia consultas gratuitas no bairro da Casa Verde. “Ficou dessa época a lição de que nosso papel na vida é ajudar as pessoas”, conta. Já adulta, Roseli passou um tempo engordando a tropa de um centro kardecista que distribuía sopa a moradores de rua na capital.

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Hoje, acorda todos os dias às 5 da manhã para comparecer a um dos três endereços onde presta sua ajuda em serviços variados — o Hospital das Clínicas, o Hospital Santa Catarina e a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). Executa tarefas que incluem desde o auxílio a familiares com a burocracia necessária nas internações até a realização de oficinas de origami e teatro de fantoches para entreter os pacientes. “Se é preciso dividir o almoço, eu divido; se é preciso comprar algo com o meu dinheiro, eu compro”, afirma. Ao longo de 22 anos de atividades dentro de instituições de saúde, Roseli coleciona várias passagens emocionantes.

Nunca esquece, por exemplo, o seu primeiro dia no Hospital do Mandaqui, na Zona Norte, quando teve de levar um carrinho ao necrotério. “O corpo estava coberto, eu não sabia o que era e não me interessei em saber”, lembra. Ao chegar ao local, a enfermeira que a acompanhava retirou o pano e Roseli entrou em choque ao ver que havia ali um bebê. “Fiquei muito abalada, mas logo me recompus. Respirei fundo e fui consolar a mãe.” 

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É testemunha também de muitas histórias com final feliz. Em 2007, fez curso de doula (assistente de parto) e, desde então, ajudou cerca de trinta bebês a virem ao mundo. Metade das famílias acabou convidando Roseli para ser madrinha das crianças. “Procuro seguir em frente, pois sempre há gente necessitada esperando.”

Fonte: VEJA SÃO PAULO