Televisão

Vincent Villari firma-se na teledramaturgia da Globo

Nascido no Imirim, ele escreve Sangue Bom ao lado da veterana Maria Adelaide Amaral

Por: Dirceu Alves Jr.

Vincent Villari
O jovem escritor de novelas: parceria com Maria Adelaide Amaral (Foto: Fernando Moraes)

Durante o lançamento da novela Sangue Bom, uma repórter perguntou ao autor Vincent Villari como ele se sentia sendo visto como o garoto prodígio da Rede Globo. O paulistano de 34 anos, que escreve ao lado da dramaturga Maria Adelaide Amaral, de 70, a trama levada ao ar no horário das 7 desde o fim de abril, perdeu as palavras. Logo elas, capazes de brotar com tanta facilidade de sua cabeça. “Faz dezoito anos que ralo, então como ainda posso ser considerado prodígio?”, indaga. O espanto pode fazer sentido para ele. Não para os outros. Afinal, a estampa despojada de Villari contrasta com a experiência acumulada como colaborador em cinco novelas e três minisséries, até dividir os créditos de titular do atual folhetim, que marca média de 26 pontos de audiência.

Sangue Bom - Giulia Gam, Bruno Garcia dirigidos por Dennis Carvalho
Dennis Carvalho dirige Giulia Gam e Bruno Garcia: boa audiência para a faixa das 7, na casa de 26 pontos (Foto: João Miguel Júnior/Globo)

Em boa parte ambientada na região da Casa Verde, na Zona Norte, a trama remete às experiências de Villari, nascido no bairro vizinho do Imirim. Ele nunca foi chegado aos esportes e estudava muito para tirar 10 nas provas do Colégio Nossa Senhora da Consolata. “Aquelas são as ruas onde cresci, e o bar foi inspirado nos que ficam na Avenida Engenheiro Caetano Álvares”, explica. Contrariando o óbvio, não era viciado em TV e preferia os quadrinhos. É dessa época o pôster autografado pelo cartunista Mauricio de Sousa que decora seu escritório, no apartamento em que vive, na Vila Pompeia. A primeira novela registrada na memória foi Roque Santeiro (1985), mas, três anos depois, ficou impressionado quando, vestida de noiva, a personagem de Malu Mader em Fera Radical deu um tiro na sogra (papel de Yara Amaral). Nasceu ali a ideia de criar ficções. “Eu passei a catar milho na máquina do meu pai com os dois dedos que uso até hoje e depois fazia ilustrações, mas com o tempo percebi que gostava mesmo era só de escrever”, conta ele, filho de um gerente administrativo e de uma psicóloga.

Vincent Villari
O dramaturgo com a coleção de trilhas sonoras, em foto de 2006: paixão por novelas (Foto: Julia Moraes/Folhapress)

Em 1996, Villari foi contratado pela Globo, depois de participar no ano anterior de uma oficina de roteiristas da emissora, e estreou no remake de Anjo Mau (1997), com a própria Maria Adelaide. A autora foi cautelosa e demorou seis meses para deixá-lo entregar as primeiras linhas. Antes, ele atendia a telefonemas e anotava recados. “O Vincent foi inteligente para agarrar a chance e saber que só talento não basta, é preciso investir em um repertório de livros, filmes, peças, música e de vida”, afirma Adelaide, que repetiu a dupla nas minisséries A Muralha (2000), Os Maias (2001) e A Casa das Sete Mulheres (2003), além da novela Ti-ti-ti (2010). “Muita gente acha que ele me completa pela juventude, mas receio que seja o contrário.”

Vincent Villari
O escritor, em 1996: aos 18 anos, já era contratado da Rede Globo (Foto: Arquivo Pessoal)

Villari anda sem tempo para abastecer a bagagem cultural. Solteiro, lamenta não ter visto o filme Antes da Meia- Noite e, para manter a energia, obriga-se a malhar três vezes por semana ou pedalar no Parque do Ibirapuera. Ainda publicou uma coletânea de contos, A que Ponto Chegamos, e finaliza um livro em parceria com o jornalista Guilherme Bryan sobre a história das trilhas sonoras de novelas. Do elenco de Sangue Bom, a atriz Giulia Gam, que diverte o público como a celebridade Bárbara Ellen, é uma entusiasta do seu texto. “Fiquei encantada quando conheci um garoto de olhos azuis, parecido com um anjo, e ele me explicou por que havia pensado em mim para um papel tão diferente”, diz Giulia, que, conhecida pelo drama, foi desafiada pela comédia. “É um roteiro sem espaço para improviso porque tudo é redondo e nem as palavras se repetem.”

Fonte: VEJA SÃO PAULO