Ficou assim...

Vila Olímpia: público dos escritórios toma conta das ruas e lojas

Apesar do movimento intenso de trabalhadores na hora do almoço e após o expediente, realidade começa a mudar com o lançamento de edifícios residenciais

Por: Maria Carolina Abe - Atualizado em

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Diariamente, 465 000 pessoas circulam pela Vila Olímpia. Dessas, apenas 21 600 moram ali. As demais estão de passagem, para trabalhar ou à procura de lazer. É o retrato de uma área que nos últimos anos foi invadida por prédios empresariais. Segundo a Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), o bairro tem atualmente 550 000 metros quadrados dedicados a escritórios — uma área 57% maior que em 2000.

No entorno da Rua Fidêncio Ramos, por exemplo, há mais helipontos que pontos de ônibus. Tamanho boom imobiliário tem uma explicação: a Vila Olímpia, apesar de concorrida, custa menos que os bairros vizinhos. De acordo com um levantamento da consultoria imobiliária Cushman & Wakefield, o metro quadrado é alugado por, em média, 90 reais — contra 95 reais no Itaim e 107 reais na Avenida Brigadeiro Faria Lima. Virou sede de multinacionais como Unilever e Santander.

Na hora do almoço, seis vans levam 800 pessoas da sede do Santander, na esquina da Marginal Pinheiros com a Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, ao Shopping Vila Olímpia, na Rua Fidêncio Ramos. Para atender esse público, a praça de alimentação foge ao padrão mais familiar das mesas com quatro lugares. Também conta com mesas de oito lugares, já que os grupos dos escritórios são mais numerosos, e balcão para o lanche rápido de executivos solitários.

O projeto arquitetônico de Sig Bergamin e Paulo Baruki tem piso com tábuas de madeira e lavabos com pias de aço escovado. Fazer as sobrancelhas no salão Vimax Beauty custa 45 reais, e, a partir de agosto, a The Craft Shoes Factory terá sapatos sob medida por preços entre 600 e 1 000 reais. Depois do expediente, é possível relaxar curtindo um filme nas salas de cinema com projeção em 3D e poltronas de couro que parecem vindas da classe executiva de um avião. Ou desafiar a turma do escritório no boliche Villa Bowling (o preço da hora de jogo varia de 86 a 136 reais), com bolas da grife Pininfarina, que mudam de cor quando se liga a luz negra. Isso mesmo. A partir das 20 horas, o boliche ganha ares de discoteca e só fecha depois que o último cliente vai embora, lá pelas 4 horas.

Fernando Moraes
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Shopping Vila Olímpia: praça de alimentação feita para a turma do escritório (Foto: Fernando Moraes)
Shopping Vila Olímpia: praça de alimentação feita para a turma do escritório

Apesar de ter sido criado para atender o público dos escritórios, oito meses após sua reestruturação, o shopping já sofre correções de rumo. O fraldário está em reforma para triplicar o espaço — reflexo do crescimento do público familiar. Executivos recém-chegados à Vila Olímpia querem morar perto do trabalho, e, assim, a expansão de edifícios comerciais está trazendo uma onda de prédios residenciais.

“A tendência é vermos, daqui a três ou cinco anos, o número de moradores crescer em relação à população flutuante”, acredita Francisco Castro Neves, diretor da consultoria Escopo Geomarketing. Entre 2008 e 2009, foram lançadas na Vila Olímpia 241 unidades residenciais. Só até maio deste ano, 254, segundo a Embraesp. Das 495 unidades postas à venda nos últimos 24 meses, 62% eram de um dormitório — para solteiros ou jovens casais. Um apartamento típico dessa nova Vila Olímpia tem 56 metros quadrados e custa 435 000 reais. No condomínio há manobrista, lavanderia, camareira e internet sem fio.

A academia do prédio pode até ser bem equipada, mas muitos moradores preferem ir malhar em um lugar onde possam ver e ser vistos. O hotel Caesar Park da Rua Olimpíadas tem uma das cinco Reebok Sports Club do mundo — São Paulo tem mais uma, no Shopping Cidade Jardim. A mensalidade é de 400 reais e sobe conforme o aluno escolhe opções como treino para esportes de neve. Há o benefício indireto de poder topar, correndo na esteira ao lado, com figuras conhecidas como Daniela Cicarelli, Sabrina Sato e Ricardo Mansur.

Se o atleta da Reebok quiser treinar ao ar livre, pode seguir pela Rua Gomes de Carvalho, na direção da Avenida Faria Lima. Vai encontrar um bairro com casinhas geminadas e uma padaria, na esquina das ruas Quatá e Nova Cidade, que ainda anota as contas dos clientes numa caderneta. Sinônimo de baladas arrasa-quarteirão dez anos atrás, com festas em casas noturnas como a Lov.E Club & Lounge, a Vila Olímpia sossegou.

Os tradicionais clubes Favela e Rey Castro sobrevivem, mas sem o antigo furor. Também já viveu momentos mais agitados a Villa Daslu, na Avenida Chedid Jafet, aberta em 2005 como a meca do luxo no Brasil. Depois de ter a imagem arranhada por acusações de sonegação de impostos, a grife elabora um plano de recuperação judicial para tentar pagar dívidas de 80 milhões de reais. E há novidades à vista para o ano que vem: em março deve ser inaugurado o luxuoso Shopping JK Iguatemi, ao lado da torre do Santander. O vaivém tem tudo para ficar ainda mais frenético.

BOOM IMOBILIÁRIO

145 dos 250 edifícios construídos ali são residenciais e 105, comerciais

20 apartamentos foram lançados por mês entre 2008 e 2009. De janeiro a maio deste ano, a média subiu para cinquenta

7 070 reais é o valor do metro quadrado residencial e 8 110 reais, o do comercial

Fonte: Embraesp

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO