Crise hídrica

Vila Madalena sofre "apagão" de água durante a noite

Pelo menos dez estabelecimentos ficaram com as torneiras secas entre quarta (5) e quinta (6); donos afirmam que problema é recorrente na área

Por: Nataly Costa - Atualizado em

Aé Sagarana
Aé Sagarana: torneiras secas no meio da noite (Foto: Mario Rodrigues)

Muito comum no auge da crise hídrica, em meados de 2014, a falta de água nos restaurantes e bares da Vila Madalena voltou a ser um problema para os donos dos estabelecimentos. Pelo menos dez deles ficaram com a torneira seca entre a noite de quarta (5) e a manhã de quinta (6). Em alguns locais, o problema é persistente e proprietários já recorrem a caixas d'água extra e caminhão-pipa. 

"É imprevisível, acaba de repente", conta Meire Araújo, dona do francês Allez Allez, na Rua Wisard. Na quarta, por exemplo, por volta das 16h, já não havia nenhuma gota nas torneiras. O jeito foi comprar um galão de 20 litros e lavar a louça com água mineral. "Por mais que a gente dê um jeito, o serviço sempre acaba prejudicado. Tem que parar tudo e ficar enchendo baldinho".

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No desespero, Meire já chegou a contratar um caminhão-pipa, mesmo sem ter onde armazenar. Resultado: ligou para os vizinhos da imobiliária ao lado e dividiu a conta - e o líquido - com eles. "Sempre tem alguém precisando". 

Bar Piratininga: indicado para casais de namorados
Bar Piratininga: ajuda da caixa d'água (Foto: Mario Rodrigues)

Poucos metros adiante, no Piratininga Bar, o subgerente Luís Gomes de Oliveira conta que a água acabou por volta das 15h de quarta e só voltou às 2h desta quinta. "Nossa sorte é que temos uma caixa d'água extra que compramos para usar nessas situações. Mas quando o movimento é grande, nem ela dá conta." 

Na padaria Le Pain Quotidien, na esquina das ruas Wisard e Harmonia, o problema começou na terça (4). Depois de um dia sem água, na quarta, o local contratou um caminhão-pipa para dar conta de servir os cafés e pães feitos na hora. Deu certo, mas nesta quinta a caixa secou novamente. 

O Mad Villa, na Fradique Coutinho, e o Aé Sagarana, na Rua Aspicuelta, também registraram o mesmo problema. Ambos ficaram sem água a partir das 22h. Na Rua Girassol, o restaurante Leôncio também teve duas noites seguidas de seca, terça e quarta. Na maioria dos casos, a água voltou durante a madrugada ou na manhã desta quinta. 

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Le Pain Quotidien, na Vila Madalena: sem água por dois dias (Foto: Fernando Moraes)

No Coffee Lab, clientes relatam que a água acabou no fim da tarde de quarta e voltou nesta quinta. Há um ano, no auge da crise, a cafeteria fechou durante o dia por causa da falta de água. O vizinho AK Villa também ficou na seca a partir das 20h. Nesta tarde, começou a usar o que tinha na caixa. 

Redução de pressão

Questionada, a Sabesp diz que "os imóveis mencionados estão localizados em áreas de redução de pressão na rede de água, medida adotada para evitar desperdício". Os estabelecimentos, no entanto, reclamam de torneiras secas, não de redução de pressão.

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A companhia também afirma que é de responsabilidade dos restaurantes ter água estocada para atender a clientela. "Estabelecimentos comerciais devem ter reservação adequada ao seu movimento diário de clientes. Locais em regiões mais altas e distantes dos reservatórios podem levar mais tempo para recuperar a pressão na rede"

A Sabesp informou ainda que vai enviar técnicos aos endereços citados para realizar uma vistoria.

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Fonte: VEJA SÃO PAULO