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Mostra no Instituto Tomie Ohtake revela outra faceta de Vik Muniz

Evento tem peças da época em que artista era desconhecido, como "Cama Ereção" e "Fetiche de Pregos"

Por: Jonas Lopes

Vik Muniz Tomie Ohtake 2210
'Museu': bonecas em vidros remetem à produção de Farnese de Andrade (Foto: Divulgação)

Esqueça o Vik Muniz celebrizado pelas fotografias tiradas de cenas criadas a partir do uso de materiais como chocolate, diamantes, sucata ou papel picado. “Relicário”, em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, oferece ao espectador a chance de conhecer outro artista. A mostra reúne trinta trabalhos realizados no início da carreira do paulistano, além de projetos dessa época (fim dos anos 80, início dos 90) que só foram postos em prática agora.

Vik Muniz Tomie Ohtake 2210
'Caveira de Palhaço': de plástico moldável (Foto: Divulgação)

É difícil imaginar o ícone pop de nossos dias, cuja produção foi tema do premiado documentário “Lixo Extraordinário”, na obscuridade. Mas quando Muniz realizou sua primeira individual, na galeria nova-iorquina Stux, em 1988, realmente era um desconhecido. Até hoje ele vive em Nova York, embora agora passe parte do tempo no Rio de Janeiro, onde a exposição foi apresentada antes de vir a São Paulo.

As obras selecionadas resumem-se a esculturas e recriações de pequenos objetos cotidianos, explorados com humor e alguma morbidez. Nesse último quesito, encaixa-se “Museu”, instalação na qual uma estante exibe bonecas soturnas dentro de vidros que remetem ao mineiro Farnese de Andrade (1926-1996). O sarcasmo irrompe também em “Cama Ereção”, “Fetiche de Pregos” (um Mickey de madeira todo pregado) e na autoexplicativa “Caveira de Palhaço”.

Vik Muniz Tomie Ohtake 2210
'Fetiche de Pregos': escultura de madeira e pregos (Foto: Divulgação)

Há mais para ver, caso de um sarcófago de Tupperware, uma pluma de mármore e uma ampulheta com um tijolo dentro. O estilo identificável de Vik Muniz surge em dois momentos: em “História da Iconografia Acidental” (imagens de Jesus Cristo e Che Guevara impressas em pães de fôrma) e na série fotográfica “Flora Industrialis” (mais recente, de 1998). Nela, flores artificiais são catalogadas e então retratadas à maneira de naturezas-mortas.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO