Criminalidade

Policiais prestam depoimento sobre vídeo com baleados agonizando

Corporação investiga quem fez e divulgou as imagens. Cenas divulgadas na internet mostram três homens feridos, sob risos e piadas

Por: Redação VEJASAOPAULO.COM - Atualizado em

Doze policiais militares prestaram depoimento na corregedoria nesta quarta-feira (16) para falar sobre o vídeo onde três homens baleados aparecem agonizando diante de risos e xingamentos de outros. Os responsáveis pela investigação interna na PM vão ouvir os profissionais que atuaram no caso que aconteceu em São Miguel Paulista, na Zona Leste.

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Advogado de um dos policiais convocados, Aryldo de Oliveira de Paula disse que os investigados não devem ficar detidos. “O recolhimento disciplinar tem o prazo de cinco dias. Mas eu conversei com o coronel responsável e ele falou que provavelmente todos serão liberados.”

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A corregedoria investiga se foram policiais militares que filmaram e, posteriormente, divulgaram as fotos e o vídeo publicados em um perfil não oficial no Facebook, chamado "Policia Do Estado de São Paulo". Nas fotos postadas no dia 12, os feridos aparecem rodeados de homens de farda e armados. O vídeo entrou no ar no dia seguinte na mesma página. O conteúdo é chocante. “Também existe a possibilidade de um civil ter filmado e divulgado”, afirmou Aryldo de Paula.

O caso

Logo no início da gravação é possível identificar perto dos corpos um coturno semelhante ao usado pela Polícia Militar. Em seguida, os feridos agonizam. Um deles diz: “Meus filhos!”. Logo após, alguém fala: “Vai ficar famoso, ladrão”. Em seguida, um outro brinca com a situação e questiona: “Vai demorar para morrer?”.

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As imagens mostrar o desfecho de uma ocorrência que aconteceu no dia 8 de abril em São Miguel Paulista, na Zona Leste. O caso foi registrado no 22º DP. Segundo o boletim de ocorrência, a ação aconteceu por volta das 9h30, quando três homens em um Uno tentaram roubar um caminhoneiro.

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O motorista conseguiu escapar e contou o caso para policiais militares, que encontraram os suspeitos na Avenida Nordestina. Após 15 minutos de perseguição, o Uno bateu na viatura na Rua Manoel Molina.

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Durante troca de tiros, os três suspeitos foram atingidos. Um, ainda não identificado, morreu. Já Renato de Souza Santos, de 25 anos, e Marcos Aurélio Alves de Oliveira, de 37, foram encaminhados para o pronto-socorro do Hospital Santa Marcelina. Com o trio a polícia apreendeu um revólver calibre 38 e uma pistola calibre 22.

Investigação

Questionada sobre a publicação das fotos e do vídeo na internet, a Polícia Militar afirmou em nota que tenta identificar o administrador do perfil falso com o conteúdo considerado “impróprio” e o autor dos vídeos. Destacou ainda que as páginas oficiais da PM são constantemente monitoradas e seus responsáveis, orientados.

Abaixo, a nota oficial da Polícia Militar sobre o caso:

"A Polícia Militar esclarece que o perfil “Polícia do Estado de São Paulo”, na rede social Facebook, não é um dos perfis oficiais da Instituição, apresentando uma série de conteúdos impróprios. Por esse motivo, já está em curso uma investigação sobre o perfil, seu conteúdo e administradores.

Quanto ao caso apresentado, a Corregedoria PM está investigando se houve participação de policiais militares na captação e divulgação das imagens, fato que, se confirmado, poderá resultar punição ao(s) responsável (is).

É importante ressaltar que todo policial militar, assim como qualquer cidadão, pode postar aquilo que bem entender nas redes sociais, podendo, contudo, ser responsabilizado no campo civil, criminal e administrativo em caso de postagens que ofendam pessoas, instituições, que sejam contrárias à lei ou atentatórias à dignidade humana.

A Polícia Militar e suas unidades subordinadas possuem perfis oficiais, que servem como canais de comunicação da Instituição. Seus administradores recebem orientações constantes, sendo as páginas devidamente monitoradas."

Fonte: VEJA SÃO PAULO