Educação

Era digital faz parte da rotina estudantil

Métodos antigos são substituídos pelo uso de redes sociais e teconologia

Por: Maurício Xavier (Colaboraram Flora Monteiro e Nathalia Zaccaro) - Atualizado em

Capa 2255 - Tecnologia - Colégio Objetivo
Alunos do Colégio Objetivo com iPads: nova geração forçou a entrada da tecnologia nas aulas (Foto: Mario Rodrigues)
Possível cena de um futuro próximo: o professor termina a chamada e, em vez de abrirem os cadernos, os estudantes sacam seus tablets e clicam no arquivo indicado na lousa digital. A internet está invadindo a sala de aula, e o movimento não foi necessariamente conduzido pelos educadores, mas forçado pelos próprios estudantes. “Há uns anos, alunos me apresentaram programas de edição digital de vídeo, comecei a trabalhar com audiovisual e acabei criando um festival de curtas-metragens”, afirma o coordenador Marcello Sarraino Fonseca, do Sion. + O mundo digital nas escolas públicas + Crianças vivem uma overdose de tecnologia? + Alguns dos recursos tecnológicos já utilizados pelas escolas Correndo atrás das vertiginosas mudanças provocadas pela era digital, as escolas procuram mudar determinados procedimentos. “Cerca de 10% dos trabalhos de casa são entregues por e-mail”, diz o diretor do Colégio Vértice, Adilson Garcia. “Alguns professores passam exercícios extras pelo Facebook”, conta a diretora escolar do Colégio Equipe, Luciana Fevorini. Uma nova iniciativa promete revolucionar também a esfera pública: no mês que vem, a Secretaria Municipal de Educação lançará uma rede social de aprendizado, na qual os estudantes farão tarefas em grupo ou individualmente. “O professor saberá quantas vezes o aluno tentou resolver um problema antes de acertar”, diz o secretário Alexandre Alves Schneider. + As opiniões de estudantes paulistanos sobre a realidade da escola A tecnologia também ampliou a capacidade de mobilização dos jovens. “No ano passado, quando ocorreu a tragédia do Realengo, no Rio, eles combinaram uma manifestação pelo Facebook e foram para a escola vestidos de preto”, relata a diretora-geral do Colégio Rio Branco, Esther Carvalho. Nem sempre, porém, é feito um bom uso da tecnologia. A pesquisa de VEJA SÃO PAULO mostrou que 42% dos estudantes entre 14 e 18 anos possuem smartphones, equipamentos que colaboram para o desvio da atenção devido aos dispositivos de troca de mensagens. “Eles digitam o tempo todo, já vimos até gente tuitando no meio da aula”, afirma a orientadora educacional do ensino médio do Colégio Franciscano Pio XII, Fátima Miranda. Os aparelhos facilitaram ainda uma prática mais antiga do que a hora do recreio: a cola. “Em dia de prova, celulares e tablets têm de ficar na frente da sala, pois hoje eles encontram todas as respostas na internet”, completa Fátima.   O que eles dizem “Nunca tive aula com internet. A única vez que rolou, estava tão lenta que ninguém viu nada.”3º ano do ensino médio, escola pública “Um professor já pegou aluno postando foto da sala no Facebook no meio da aula.”3º ano do ensino médio, escola particular “Tem pai que liga para o aluno no meio da aula para avisar de algum compromisso.”3º ano do ensino médio, escola particular “Aula com internet sempre vira bagunça. Acabam entrando até em site pornô.”9º ano do ensino fundamental, escola particular “A gente faz um grupo para colar pelo celular, cada um dá a resposta que sabe.”3º ano do ensino médio, escola particular “Fizemos uma mobilização pelo Facebook, distribuímos lanche de graça e forçamos a cantina a baixar os preços.”3º ano do ensino médio, escola particular

Fonte: VEJA SÃO PAULO