Teatro

Vida de cantoras nos palcos da cidade

Billie Holiday, Maria Callas, Cássia Eller e Rita Lee têm trajetórias revisitadas

Por: VEJA SÃO PAULO

Peça 'Billie', sob direção de Alexandre França
Peça 'Billie', sob direção de Alexandre França (Foto: Divulgação)

Confira quatro peças em cartaz na cidade que retratam a vida de cantoras como Cássia Eller e Rita Lee:

  • Uma das maiores cantoras de todos os tempos, a americana Billie Holiday (1915-1959) é revivida pela atriz Cássia Damasceno. O monólogo dramático tem texto e direção de Alexandre França e traz a biografia da menina pobre transformada em celebridade do jazz. De 4/10/2014. Até 8/11/2014.
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  • Caso você pense no drama Callas como um passatempo, não ficará desapontado. A montagem dura uma hora, é bem produzida, e os ponteiros do relógio correm sem dificuldade. Escrita por Fernando Duarte, a peça, no entanto, revela-se ambiciosa por si só. Afinal, cria uma situação fictícia para retratar os últimos momentos de vida de Maria Callas (1923-1977), o maior nome feminino do canto lírico, e aí surge o tropeço. Nocauteada por conflitos pessoais e profissionais, a estrela da ópera (interpretada por Claudia Ohana) viveu os últimos anos isolada. Em um encontro com um jornalista (papel de Cássio Reis), ela relembra glórias, amores e tristezas, esboça um livro e troca de figurino muitas, muitas vezes. O ponto de partida é pouco criativo. Apoiar o texto em uma entrevista já foi algo bastante explorado como recurso dramatúrgico, e a direção conservadora de Marília Pêra não reverte a situação. Se Claudia Ohana não apresenta a tragicidade da protagonista, traz à tona certa ironia e carisma. Reis, porém, mostra-se pouco à vontade e inseguro, principalmente na segunda metade do espetáculo. Estreou em 11/9/2014. Até 9/11/2014.
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  • Cássia Rejane Eller (1962-2001) era de uma timidez sem tamanho. Monossilábica, ela mal mirava os olhos do interlocutor e, nas entrevistas, em nada lembrava a cantora de voz potente e postura agressiva no palco. Com produtores sedentos de transformar ídolos em tema de musicais, não tardou para a artista, morta aos 39 anos, virar objeto de um. Os diretores João Fonseca e Vinícius Arneiro, no entanto, conseguiram uma proeza entre os similares do gênero. Vivida pela estreante Tacy de Campos, Cássia tem seu jeito e sua alma presentes ali. O espectador se vê diante de uma montagem simples, com estrutura de show, longe dos padrões grandiosos da Broadway e fiel à trajetória da protagonista. A dramaturga Patrícia Andrade traz à tona o acanhamento juvenil, que se tornou um empecilho na vida adulta da roqueira e pode ter ajudado a levá-la para as drogas. Para isso, a atuação de Tacy é importante. Ela repassa 38 canções em solos ou apoiada por outros seis atores-cantores. Em algumas cenas fica visível sua insegurança diante de um papel tão exigente. Mas, como se trata de Cássia, a inexperiência de Tacy ganha ares de introspecção e convence o público. Com Eline Porto, Emerson Espíndola, Jandir Ferrari e outros. Estreou em 19/9/2014. Até 25/9/2016. Proximidade: o espetáculo tem direção musical de Lan Lan, que foi percussionista da banda de Cássia Eller.
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  • Em meio a tantos expoentes do gênero, o musical Rita Lee Mora ao Lado pode ser encarado como um primo pobre. Afinal, conta com cenários despojados, coreografias simples e um elenco algumas vezes carente de técnica. Sua qualidade, no entanto, é justamente saber o próprio tamanho e se limitar a homenagear a cantora sem exagerada pretensão. Adaptada do livro Rita Lee Mora ao Lado — Uma Biografia Alucinada da Rainha do Rock, de Henrique Bartsch, a montagem traz uma carismática Mel Lisboa no papel principal. A atriz tem poucas cenas em que lhe são exigidos recursos dramáticos profundos, mas carrega uma energia e uma irreverência próximas às da estrela. Em uma fusão de ficção e realidade, a trama mostra Rita da infância aos dias de hoje, por meio das confusões de Bárbara Farniente (vivida pela ótima Carol Portes, figura fundamental para o resultado), uma vizinha que acompanhou de perto a vida da família da artista. Construída pelos diretores Débora Dubois e Márcio Macena, além de Paulo Rogério Lopes, a dramaturgia enfileira esquetes e vários deles soam dispensáveis. Enquanto as intervenções de João Gilberto (Nelson Oliveira) e Ney Matogrosso (Fabiano Augusto), contribuem para narrar a história, os números de Caetano Veloso (Antonio Vanfill) e Gal Costa (Yael Pecarovich) só esticam a duração. Apoiada por seis músicos, Mel anima a plateia com Agora Só Falta Você, Saúde, Jardins da Babilônia e Ando Meio Desligado, entre outros sucessos, e é isso o que interessa. Em nome da festa, o público se rende, e o teatro se faz pela devoção a Rita Lee, especialmente quando Mel interpreta Coisas da Vida. Com Rafael Maia (como Roberto de Carvalho), Samuel de Assis, Débora Reis, César Figueiredo e outros. Estreou em 4/4/2014. Até 24/4/2016.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO