Segurança

Veterinário vai chefiar segurança da USP

A antropóloga Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer deixa superintendência após tensões com reitoria

Por: Veja São Paulo

USP - Praça do Relógio
Paraça do Relógio, no campus da USP, no Butantã: novo superintendente de segurança (Foto: Reprodução)

A Universidade de São Paulo (USP) mudou a chefia de segurança da instituição, tirando a professora e antropóloga Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer para pôr em seu lugar o médico veterinário José Antonio Visintin. Ana Lúcia, que diz ter sido pega de surpresa com a decisão, sai da superintendência de Segurança depois de apenas nove meses no cargo.

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A gestão de Ana Lúcia foi marcada por uma tensão na relação com a reitoria sobre alguns temas, como a presença ostensiva da Polícia Militar no câmpus e a conduta da universidade diante das denúncias de estupro na Faculdade de Medicina. A segurança da unidade não presta contas à reitoria.

"O fato é que a Faculdade de Medicina é um feudo e eu como superintendente nunca tive acesso. Tive uma conversa muito séria com o reitor [Marco Antonio Zago] em dezembro e ele me disse que cabia ao diretor da faculdade tomar as providências. Foi objetivo e curto", disse ela. "Havia tensões numa área cheia de problemas. E eu não estava lá necessariamente para concordar e, sim, como especialista em direitos humanos, justiça, trazer opiniões e alertar para os rumos."

ana lucia pastore
Professora da FFLCH, Ana Lúcia Pastore é pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência (Foto: Marcos Santos/USP)

Sobre a presença da PM no câmpus, Ana Lúcia defendia que a corporação estivesse no câmpus quando chamada pela Guarda Universitária. "Há um grupo na reitoria que pensa que a presença ostensiva da polícia seja ideal e eu me coloquei contrária (a essa posição). Essa era uma tensão."

Professora do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), Ana Lúcia foi avisada de que sairia do cargo em 20 de janeiro, no mesmo dia em que voltou de férias. "Foi decisão da reitoria, fui pega de surpresa", diz ela.

Passagem

A antropóloga ficou apenas nove meses no cargo - quatro dos quais enquanto havia greve dos funcionários. Ela havia substituído o coronel aposentado Luiz de Castro Júnior - no cargo desde o convênio que consolidou, em 2012, a presença da Polícia Militar na Cidade Universitária. A reitoria informou que não se manifestaria sobre o assunto. O novo superintendente é próximo de Zago e tem acompanhado de perto a gestão.

(Com Estadão Conteúdo)

Fonte: VEJA SÃO PAULO