Imóveis

Venda de imóveis novos na capital aumenta 46% neste semestre

Após uma fase ruim, o mercado tenta engatar a retomada da expansão

Por: Angela Pinho e Júlia Gouveia

Expansão imóveis
O Parque da Cidade, em construção na Chácara Santo Antônio: a Zona Sul atrai hoje grande número de investimentos (Foto: Carlos Gueller)

O mercado paulistano viveu anos de uma enorme euforia imobiliária entre 2007 e 2010. Naquele período, o número de lançamentos se multiplicou rapidamente por aqui, alcançando médias de mais de 100 novas unidades por dia. Apesar do volume alto, não faltavam compradores interessados em abrir a carteira. Os principais estímulos eram a boa fase da economia e a facilidade de acesso a crédito.

Com isso, o preço do metro quadrado disparou. Em algumas regiões, como a Aclimação, a valorização chegou a 66%, descontada a inflação. Mesmo apartamentos relativamente modestos de dois quartos atingiam facilmente a cotação de 1 milhão de reais. A partir de 2011, no entanto, começou a ocorrer uma brusca desaceleração. No ano passado, o setor registrou aproximadamente 27 000 unidades vendidas, ou cerca de 74 por dia, o menor número desde 2006.Mas essa fase de más notícias pode estar com os dias contados.

A principal indicação da mudança de humores no mercado está na pesquisa mais recente sobre o assunto feita pelo Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP). Pela primeira vez, depois de muito tempo, há sinais de recupera-ção no horizonte. No primeiro semestre, o número de novas unidades subiu 46% e o volume de vendas se expandiu 63% em comparação ao mesmo período do ano passado.

Poucos esperam essa mesma performance no segundo semestre. Embora o setor observe com cautela o movimento, a previsão é que 2013 feche com um volume de negócios em um patamar próximo ao da fase do boom imobiliário (veja o quadro abaixo) — ou seja, os números recentes não recuperam apenas o espaço perdido dos anos ruins. “Os dados representaram uma surpresa até para nós”, afirma Claudio Bernardes, presidente do Secovi.

Expansão imóveis
O corretor Eduardo Batochio: espera de dois anos até os preços se estabilizarem (Foto: Carlos Gueller)

Um dos locais que estão lucrando com a retomada é a Barra Funda, que registrou o lançamento de 1 533 unidades no primeiro semestre, o maior número alcançado em São Paulo neste ano. Na Zona Oeste, outro ponto de ebulição, destacase entre as obras em andamento o Jardim das Perdizes, empreendimento com 25 torres residenciais em um espaço de 250 000 metros quadrados. Os imóveis começaram a ser oferecidos em março.

Desde então, cerca de 1 000 dos 1 250 apartamentos já foram comercializados. Os maiores estão cotados a valores próximos de 2 milhões de reais. Algumas áreas da Zona Sul também registram um interesse acima da média. A gerente de recursos humanos Karen Ramirez faz parte do grupo de pessoas que resolveram investir na área. Ela acabou de comprar por 620 000 reais um apartamento de um dormitório no Brooklin, onde já mora com a família. “É um bairro tranquilo, bem residencial, mas com acesso rápido a shoppings e centros empresariais”, afirma.

A construtora Odebrecht é uma das que estão investindo nas redondezas. Ela começou a levantar, em outubro de 2012, na Chácara Santo Antônio o Parque da Cidade, empreendimento que terá, em um espaço de 80 000 metros quadrados, um total de dez edificações (seis torres comerciais, duas residenciais, um shopping e um hotel) e um parque.

A previsão é que tudo esteja concluído até 2020. Os condomínios gigantes sempre chamam muita atenção no mercado, mas o destaque nos últimos meses foram espaços bem mais modestos. O número de lançamentos de unidades de um quarto no primeiro semestre foi de 3 565 — contra 747 no mesmo período do ano anterior.

Esses imóveis são voltados principalmente a casais sem filhos e solteiros que vão morar sozinhos. “Os compradores estão cada vez mais jovens”, observa Mirella Parpinelle, diretora de atendimento da imobiliária Lopes. Uma das clientes desse tipo de unidade é a vendedora e maquiadora Veridiana Alves da Silva, de 27 anos.

Expansão imóveis
A vendedora Veridiana, em Santa Cecília: compra fechada no lançamento (Foto: Carlos Gueller)

No ano que vem, ela vai se mudar com a filha para um loft de um dormitório em Santa Cecília. “Para garantir o negócio, pus meu nome na lista de espera da construtora e assinei o contrato no primeiro dia do lançamento oficial, em fevereiro”, conta. A precaução fazia sentido. Os 76 apartamentos foram vendidos em apenas dois dias. “Fiquei tanto tempo em contato com o corretor que acabamos nos tornando amigos”, diz.

O mercado de imóveis usados também se beneficiou do bom momento. De acordo com dados do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-SP), entre fevereiro e maio foram registradas altas sucessivas no número de negócios fechados. Em junho, devido a um ligeiro aumento no valor do metro quadrado (7%, em média), as vendas caíram 13% em relação ao mês anterior. Essa é uma oscilação natural de ajuste do preço com a procura”, considera José Augusto Viana Neto, presidente da entidade.

“Apenas no primeiro trimestre deste ano houve um movimento 67% maior em número de vendas do que no mesmo período de 2012.”Segundo Viana Neto, a queda dos últimos tempos foi reflexo da instabilidade da economia, o que deixou os possíveis compradores reticentes. “O setor deve permanecer com tendência de alta, mas sem a velocidade de anos atrás”, opina. O corretor de imóveis Eduardo Batochio aproveitou o cenário favorável para comprar seu novo imó-vel, na área do Baixo Augusta.

Depois de procurar por dois anos, período em que a especulação e uma série de empreendimentos levaram os valores na região às alturas, ele adquiriu em junho um apartamento usado de dois quartos por 500 000 reais. “Esperei dar uma estabilizada nos preços para fazer o melhor negócio possível”, afirma. Não se arrependeu.

Expansão imóveis
(Foto: Carlos Gueller)

Fonte: VEJA SÃO PAULO