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VEJA SÃO PAULO apresenta imagens de um centro abandonado

Aos domingos, quando o comércio fecha as portas e as ruas se esvaziam, o lixo e os mendigos saltam aos olhos de quem anda pela região

Por: Giovana Romani - Atualizado em

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(Foto: Veja São Paulo)

Em seus 4,4 quilômetros quadrados de área, a região central da cidade concentra alguns dos nossos mais belos cartões-postais, como a Catedral da Sé, o Pátio do Colégio e o Mosteiro de São Bento. A programação cultural ali também é intensa: entre as boas opções estão o Centro Cultural Banco do Brasil, na Rua Álvares Penteado, o Museu da Língua Portuguesa, na Luz, e a Sala São Paulo, na Praça Júlio Prestes. Nos dias úteis, cerca de 2 milhões de pessoas circulam por lá diariamente. Em meio a esse mar de gente, os mendigos e os sacos de lixo espalhados pelos calçadões tornam-se quase imperceptíveis. Já quando as lojas estão fechadas e as ruas ficam vazias, a situação de abandono salta aos olhos. Durante a tarde do último domingo (18), a reportagem de VEJA SÃO PAULO visitou diversos pontos do centro e registrou cenas de um lugar inóspito, que espanta visitantes e turistas.

Fiquei chocada quando saí do metrô e pisei na Praça da Sé, conta a jornalista francesa Elisabeth Gomis, que está na capital paulista há um mês. Hospedada na Vila Madalena, ela resolveu conhecer a região central em um domingo, por volta do meio-dia.  "Vi tantos mendigos que deu medo de usar a câmera fotográfica", diz. Foi a pior imagem que poderia ter de São Paulo. Apesar do policiamento efetivo, a insegurança sentida por Elisabeth é comum. A sensação de medo já está no inconsciente da população, acredita o coronel da Polícia Militar Marcos Chaves, comandante do policiamento da região. Estima-se que 2 000 moradores de rua vivam no centro. A maioria só quer um local para descansar, mas há oportunistas que ficam na companhia deles para praticar atos criminosos, afirma o coronel. Os policiais militares são orientados a falar com mendigos apenas em caso de atitude suspeita - se estiverem, por exemplo, totalmente enrolados em um cobertor ou vestindo roupas pesadas em um dia ensolarado.

Assim como na Praça da Sé, nos arredores da Sala São Paulo cruza-se com dezenas de pessoas andando a esmo, de diversas idades, às vezes seminuas. Marquises de agências bancárias, localizadas na Praça do Patriarca e na Rua Boa Vista, abrigam mais mendigos, dormindo, indiferentes à movimentação ao redor. Cena semelhante foi registrada no Largo da Misericórdia, próximo à Rua Direita, que ganha ares de albergue. Ali, em horário comercial, funcionam uma drogaria, uma perfumaria e uma loja de calçados. Trata-se de um problema crônico, assim como a sujeira esparramada pelas vias. A calçada da Rua 24 de Maio, perto do Teatro Municipal, estava obstruída por uma montanha de papelão. Sacos de lixo abertos eram vasculhados por catadores de material reciclável na Rua Quintino Bocaiuva. Lá perto, na Rua José Bonifácio, restos de comida, um guarda-chuva quebrado, uma calça jeans, caixas de cigarro e um agasalho de náilon estavam jogados no chão. Isso ocorre, principalmente, porque os comerciantes e os moradores colocam seu lixo para fora antes do horário correto, explica Marco Antonio Ramos de Almeida, superintendente da Associação Viva o Centro.

A Subprefeitura da Sé mapeou 270 pontos em que os sacos colocados na rua seriam rompidos com frequência pelos catadores. Uma situação que piora aos domingos, quando não há coleta. Para tentar contornar esse quadro, o Departamento de Limpeza Urbana (Limpurb) tem realizado ações de fiscalização na área. No último dia 2, foram registrados 46 flagrantes de lixo colocado em horário impróprio, descarte irregular de entulho e veículo sem autorização fazendo o recolhimento. Os cinquenta agentes que participaram da operação aplicaram 118 multas.A população precisa se conscientizar para depois cobrar o poder público, diz Almeida. Em meio ao caos, há quem tome iniciativas por conta própria para agradar aos visitantes. É o caso do Centro Cultural Banco do Brasil, que depois de quatro anos voltou a oferecer, em setembro, um serviço de transporte gratuito de um estacionamento na Rua da Consolação até lá. Era um pedido recorrente do nosso público, afirma o diretor Marcelo Mendonça. A van traz mais conforto, comodidade e segurança.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO