Teatro

"Valsa nº 6" volta ao Teatro de Arena Eugênio Kusnet

Inventiva, a montagem coloca em cena a personagem e seu autor, Nelson Rodrigues

Por: Dirceu Alves Jr. - Atualizado em

Lívia Ziotti e Rodrigo Fregnan
Lívia Ziotti e Rodrigo Fregnan: fantasma do autor interfere na narrativa (Foto: Ale Cabral)

Desde outubro passado, o diretor Marco Antônio Braz ocupa o Teatro de Arena Eugênio Kusnet com a mostra "Quem Ainda Tem Medo de Nelson Rodrigues?". Homenagem ao centenário do maior dramaturgo brasileiro (1912-1980), a ser celebrado em agosto, o ciclo é formado por montagens de alguns clássicos. A tragédia "O Beijo no Asfalto" (1961), protagonizada por Renato Borghi até o último dia 18, por exemplo, lotou os 99 lugares da sala da Rua Teodoro Baima e volta no dia 13 de janeiro. Para 4 de fevereiro está prometida a estreia de "Os Sete Gatinhos" (1958), também com Borghi à frente do elenco. Antes, já no sábado (7), retoma a temporada o monólogo dramático "Valsa nº 6" (1951), que esteve em cartaz desde novembro.

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Único solo do autor, esse texto apresenta os devaneios de Sônia, uma garota de 15 anos que morreu esfaqueada sem saber a razão para um fim tão bárbaro. Dirigida por Braz, a atriz Lívia Ziotti se sai bem na pele da personagem. Em uma reflexão profunda, ela tenta reconstituir sua vida e entender como se dá a transição de menina para mulher. Seria só mais uma remontagem se Braz não ousasse ao diferenciá-la das tantas já feitas. Sem descaracterizar o monólogo, o diretor colocou no palco o próprio Nelson Rodrigues (interpretado por Rodrigo Fregnan).

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Em uma mesa, diante da máquina de escrever, o fantasma do escritor interfere na narrativa, explica suas rubricas e até orienta as ações da personagem Sônia. Essa sacada perturba o espectador — afinal, estão ali dois mortos na condição de vivos. Além disso, resolve um problema comum em versões desse texto: tira o foco exclusivo da protagonista, necessariamente vivida por uma atriz sempre jovem e com pouca experiência de palco, o que pode comprometer a montagem. Atenção: a partir do dia 14, os horários das sessões mudam para as 17h, aos sábados, e 16h, aos domingos.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO