Cinema

Jeitinho brasileiro vira piada na comédia "Vai que Dá Certo"

Com Fábio Porchat e Lucio Mauro Filho no elenco, filme narra o plano desastrado de uma turma de pés-rapados que decide assaltar um carro-forte

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

Vai que Dá Certo
Duvivier, Porchat, Mello e Abib: preparados para cometer o crime em 'Vai que Dá Certo' (Foto: Divulgação)

Desde que Se Eu Fosse Você estourou nas bilheterias em 2006, atraindo 3,6 milhões de espectadores, a indústria cinematográfica nacional redescobriu um filão até então levemente adormecido: o da comédia popular. Vieram outros hits, como De Pernas pro Ar e Até que a Sorte nos Separe. Mas faltava ainda um casamento mais harmonioso entre o humor de qualidade e o sucesso de público. Se a primeira tentativa bem-sucedida foi De Pernas pro Ar 2 (quase 5 milhões de pessoas), o caminho ideal segue em direção ao hilariante Vai que Dá Certo.

Destaque entre os novos humoristas, Fábio Porchat (do fenômeno da internet Porta dos Fundos) foi responsável por alinhavar e criar os diálogos de um roteiro escrito nos anos 90 pelo diretor Maurício Farias (dos seriados A Grande Família e Tapas e Beijos). Na trama, ambientada em São Paulo, Rodrigo (Danton Mello) perdeu tudo de uma vez só: o emprego, a esposa, a casa e a vontade de seguir adiante sem grana. Ao reencontrar o primo Danilo (Lúcio Mauro Filho), nasce uma ideia promissora: assaltar um carro-forte da transportadora de valores onde Danilo trabalha. Para cometer o crime aparentemente perfeito, Rodrigo convoca os briguentos irmãos Amaral (Porchat) e Vaguinho (Gregório Duvivier), além do colega Tonico (Felipe Abib).

Com impressionante timing para a comédia de erros, o elenco veste a camisa dos personagens com talento apurado. Vale um elogio à parte: os atores cariocas aprenderam a falar o "paulistanês" direitinho. Distante das bobagens na linha de Os Penetras, o filme usa situações que, de alguma maneira, espelham o jeitinho de sobrevivência do brasileiro. Trata-se, portanto, de uma crônica social da esmagada classe média numa história enxuta e levada em ritmo de diversão crescente. Sem forçar a barra, o desfecho aponta para uma continuação. Agora, é torcer para dar certo.

AVALIAÇÃO: ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO