Saúde

Vendedora passará Dia das Mães junto da filha, na UTI há mais de um ano

Laysa, bebê de Armelinda Andrade, nasceu com apenas 630 gramas e está hospitalizada desde seu nascimento

Por: Aretha Yarak

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A mãe com a bebê no Santa Joana: “Laysa é uma guerreira” (Foto: Mário Rodrigues)

Laysa nasceu com apenas 630 gramas. Há quase quinze meses ela luta bravamente pela vida dentro da unidade de tratamento intensivo (UTI) Neonatal do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo. Devido a complicações variadas no nascimento, muito prematuro, já foi submetida a doze operações. Mesmo em meio a prognósticos pouco animadores, ela resistiu a tudo e começou a ganhar peso, até atingir a marca atual de 10 quilos, um pouco acima da faixa das crianças de sua idade.

A equipe médica, que se surpreende a cada dia com sua capacidade de resistência, deu-lhe o carinhoso apelido de “Gordinha”. No mês passado, ela venceu outra batalha, dessa vez contra uma infecção no abdome. Agora, a bebê está sendo preparada para uma nova cirurgia, a fim de tratar uma hidrocefalia (o acúmulo de líquido no crânio). Os especialistas acreditam que, se tudo der certo, será a última intervenção — o passo decisivo para a alta da garota.

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A pequena e risonha guerreira é acompanhada de perto diariamente pela mãe, a vendedora Armelinda Andrade do Nascimento, de 34 anos. “A minha vida é a Laysa. Ela me ensinou o verdadeiro significado do amor de mãe.” Neste domingo (10), as duas vão celebrar seu segundo Dia das Mães dentro do hospital. “Meu presente é ela estar viva”, afirma Armelinda.

Nascida com apenas 26 semanas de gestação, Laysa foi uma prematura extrema. Nessa fase, o pulmão, ainda em desenvolvimento, não consegue trabalhar sozinho. Por isso, a grande maioria dos bebês vai direto para uma incubadora com respiração sincronizada, temperatura aquecida a 35 graus e umidificação de 90%. “Atualmente, o índice de sobrevida dessas crianças é de 70%. Na década de 80, não passava de 20%”, explica a neonatologista Filomena Bernardes de Mello, chefe do setor intensivo do Santa Joana.

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Em uma foto recente: a “Gordinha” está com 10 quilos (Foto: Arquivo Pessoal)

No Brasil, segundo os últimos dados disponíveis do Ministério da Saúde, o número de prematuros (com menos de 37 semanas) cresceu 80% entre 2007 e 2012. As causas mais comuns são múltiplas gestações, infecções e condições crônicas, como diabetes e hipertensão. O problema de Armelinda teve início dois meses antes de Laysa nascer. Uma série de fatores, entre eles a morte repentina do pai, levou a aumentos sucessivos na pressão sanguínea. A isso se somou uma infecção urinária que precisou ser administrada com antibióticos.

Com 25 semanas degestação, Laysa foi diagnosticada em estado de sofrimento fetal. Isso ocorre quando a placenta não fornece todos os nutrientes necessários ao bebê. Às 20 horas do dia 23 de fevereiro de 2014, foi feita a cesárea. “Ela era tão pequena que achei que não fosse sobreviver”, lembra a mãe. “Minha gravidez foi muito esperada e planejada, jamais imaginei que passaria por tudo isso.”

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Quando a balança mostrou os 630 gramas, os especialistas já sabiam que se tratava de um caso preocupante. Dos cerca de 18 000 registros anuais do Santa Joana, apenas 1,3% é de prematuros extremos. O caso recordista nesse quesito foi o de uma menina nascida com 380 gramas em junho de 2011. A criança sobreviveu e teve alta depois de 260 dias.

Setenta e duas horas após o parto de Laysa, a vendedora tirava leite no lactário do hospital quando foi chamada à UTI. “Minha filha estava muito fraca. Saí chorando, não aguentei ficar na sala.” Na ocasião, a menina havia sofrido uma hemorragia pulmonar e os batimentos cardíacos tinham despencado a um nível perigoso. “Foi uma situação bastante grave, com grande risco de vida. Mas, felizmente, conseguimos contorná-la”, recorda a neonatologista Filomena.

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Aniversário de 1 ano: comemoração durou dois dias com as equipes médicas (Foto: Arquivo Pessoal)

Depois de algumas semanas, ocorreu outro momento delicado, quando a recém nascida desenvolveu um quadro de insuficiência renal e teve de implantar um cateter para fazer diálise. O problema só foi superado depois de dez dias. Para enfrentar as ocasiões mais difíceis, a vendedora conta com a ajuda de uma psicóloga, da família e de outras mães que conheceu no hospital.

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Como frequenta o local há mais de um ano, presenciou dramas de outras mulheres que perderam ali seus bebês. “Sofri como se fosse minha própria filha”, conta. “Na UTI, você cria laços com as pessoas na mesma condição e acaba sendo um pouco mãe de todos os pequenos.” Depois do nascimento de Laysa, a relação com o marido se estreitou. “Aprendemos a ser pacientes e a conversar mais”, conta o segurança Valter José da Silva, de 34 anos.

Ainda é cedo para saber quais as sequelas que a prematuridade e tanto tempo de internação vão deixar. Entre as possibilidades estão a perda parcial da visão e alguma dificuldade respiratória e motora. De acordo com a psicóloga Silvana Rabello, da PUC-SP, que se especializou no estudo das relações entre mães e filhos, a situação extrema em que vivem e a proximidade do dia a dia são elos que ajudam a construir um vínculo muito estreito.

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Dias depois do parto: aproximadamente 30 centímetros de altura (Foto: Arquivo Pessoal)

“Algumas mães acabam se tornando superprotetoras, pela fragilidade da criança e pelo período em que ela viveu entre a vida e a morte”, diz. “Meu amor por ela é tão grande que às vezes me dá receio de ter um segundo filho e não conseguir amá-lo tão intensamente”, afirma a vendedora.

Desde que Laysa nasceu, a rotina de Armelinda mudou radicalmente. Depois da licença-maternidade, ela se afastou da empresa onde trabalha até que o estado de saúde da criança melhore. Para viver apenas com a renda do marido, o casal passou a contar com a ajuda financeira da mãe de Armelinda e dos pais de Valter, deixou o imóvel alugado no Campo Limpo, na Zona Sul, e foi viver na casa de uns tios no Jardim Paulista, na Zona Oeste. Pesou também nessa decisão o fato de o novo bairro ficar mais próximo ao Santa Joana. Os fins de semana em festinhas com o marido e os amigos saíram de cena.

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Hoje, a mãe vai religiosamente todos os dias à UTI, onde chega a ficar cerca de dez horas. “Nunca amamentei ou dei banho”, lamenta. Só quando a bebê completou 2 meses ela pôde pegá-la pela primeira vez no colo — e por apenas cinco minutos. “Foi o dia mais maravilhoso e tenso da minha vida”, lembra. “Era uma criança pequena e frágil, e cercada por muitos fios. Fiquei com medo de machucá-la ou desligar algum equipamento.”

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Colo de mãe pela primeira vez: “Foram os cinco minutos mais maravilhosos e tensos de que me recordo” (Foto: Arquivo Pessoal)

Armelinda nunca escutou a voz da filha. Nos primeiros meses, Laysa, assim como outros prematuros, não tinha força sequer para chorar. Com as seguidas intubações, ainda não aprendeu a falar. Nos dias em que vê crianças brincando na rua, a mãe procura afastar os pensamentos da comparação inevitável. “Passa pela cabeça essa coisa de ‘porque foi diferente com a gente’, sabe? Mas sei que o importante é que ela está viva.”

Atualmente, Laysa está internada em uma unidade específica de longa permanência, criada há três anos para abrigar bebês sem previsão de alta. A decoração dos 22 leitos inclui papéis de parede e móbiles de plástico, tudo para criar um ar mais parecido com o de um quarto. A média de estada, no entanto, é de cinco meses. “Ela é uma exceção porque esteve perto de ir embora diversas vezes, mas foi ficando”, explica a médica Maria Cristina Garcia Fernandez, uma das especialistas encarregadas atualmente do caso.

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Mãe e filha passam o tempo todo brincando ou assistindo a desenhos infantis. “Laysa adora ver Galinha Pintadinha e Peppa Pig, fica toda concentrada”, diverte-se Armelinda. Em fevereiro, no aniversário de 1 ano, ela organizou uma festa no local, com direito a bolo e refrigerante, e convidou as quatro equipes de plantão. “Veio todo mundo dar os parabéns e tirar foto.”

A sobrevida só foi possível devido aos avanços da medicina nas últimas décadas. “Antes, não havia recursos nem conhecimento para fazer cirurgias em bebês muito pequenos”, diz a neonatologista Filomena. Atualmente, esses procedimentos são tão comuns que existem até equipes especializadas. Houve ainda uma evolução da alimentação parenteral.

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A pediatra Filomena: mais de duas décadas de experiência com prematuros (Foto: Fernando Moraes)

Segundo Alice Deutsch, coordenadora da UTI neonatal do Hospital Albert Einstein, os bebês passaram a receber uma nutrição mais completa e direcionada. “Conseguimos incluir, por exemplo, a metionina, um aminoácido essencial para o desenvolvimento”, explica. Os respiradores também estão mais delicados e com tamanho adequado, um avanço para evitar problemas pulmonares e de retina. 

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Em dezembro do ano passado, Laysa teve a tão sonhada previsão de alta. Ela deixaria a UTI em janeiro, ainda com uma traqueostomia feita em dezembro para ajudar a criança a respirar. Os pais saíram às pressas para comprar os móveis e deixar tudo pronto no esquema home care. Mas o problema de hidrocefalia cancelou temporariamente os planos. “Ficamos arrasados, pois já havíamos reorganizado a vida para recebê-la”, conta Valter, que trocou o turno de trabalho para o período noturno a fim de poder ficar com a filha durante o dia e permitir a volta da mulher ao trabalho.

Agora, se tudo correr bem, Laysa tem chances de sair do Santa Joana em algumas semanas. “Vai ser a realização de um sonho poder passar a primeira noite com a minha filha”, emociona-se Armelinda.

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  • Cozinha variada

    AK Vila

    Rua Fradique Coutinho, 1240, Pinheiros

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  • Italianos

    Vinheria Percussi

    Rua Cônego Eugênio Leite, 523, Pinheiros

    Tel: (11) 3088 4920

    VejaSP
    10 avaliações

    Uma dupla de irmãos toca a casa que é uma das boas referências italianas da cidade. Lamberto Percussi organiza o serviço e a carta de vinhos, e Silvia supervisiona a cozinha. O ótimo bacalhau ao estilo da Itália vem com purê de batata, tomatinhos e manjericão (R$ 93,00). É páreo para o ossobuco com bolinho de risoto salteado (R$ 88,20). O contrasto (R$ 22,80), feito de uma casquinha de chocolate escuro e frutas vermelhas congeladas, recebe calda quente de chocolate branco e derrete na hora.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Bares variados

    Brexó Bar e Cozinha

    Rua Tabapuã, 1470, Itaim Bibi

    Tel: (11) 3812 8181

    VejaSP
    3 avaliações

    Virou um grande ponto de encontro de jovens até 30 anos. A esquina do endereço fca repleta de moças e rapazes arrumadinhos que vão celebrar a vida antes de partir para a balada. Na calçada ou no salão repleto de cadeiras coloridas, bebem-se cerveja em garrafa, chope e coquetéis. Saboroso, o drinque apelidado de menina veneno (uísque, suco de maracujá e geleia de pimenta; R$ 28,00) poderia ser mais picante. O taquito (R$ 28,00, três unidades), opção da ala do cardápio chamada de fit, é uma tortilha de trigo recheada de camarão e saladinha de repolho com creme azedo.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Bar-restaurante

    Gajos Bar e Cozinha Ibérica

    Alameda dos Arapanés, 1307, Moema

    Tel: (11) 5543 9749

    VejaSP
    Sem avaliação

    É uma sossegada casa de esquina, com música suave e atendimento à moda antiga. São poucos os que chegam ali apenas para beber, apesar da fornida carta de vinhos e de outros bebericos, entre eles o clericot (R$ 65,00 a jarra de 1 litro). Como bom representante ibérico, serve um irreparável bolinho de bacalhau (R$ 28,00, seis unidades). Há outras delícias da terrinha: a tostada de pão d’água com tomate e anchova (R$ 21,00) e a alheira fatiada sobre espinafre (R$ 31,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Cozinha variada

    Obá

    Rua Doutor Melo Alves, 205, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3086 4774

    VejaSP
    14 avaliações

    Colorido, o restaurante do mexicano Hugo Delgado lembra uma residência. Enquanto beberica uma margarita (R$ 23,00), passe os olhos pelo cardápio, que inclui sugestões de México, Tailândia, Itália e Brasil. Pedida da terra natal do proprietário, as puntas de flete al chipotle (R$ 65,00) são tiras de filé-mignon em molho picante de tomate e pimenta chipotle com arroz, pasta de feijão-preto e tortilhas de milho.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • A fórmula é a mesma. Telões de LED, bolhas de sabão, simulação de vento e muito papel picado são os artifícios usados pelo diretor italiano Billy Bond em suas releituras de clássicos da Disney. Depois de Branca de Neve e os Sete Anões e Cinderela, o escolhido desta vez foi o conto Alice no País das Maravilhas, do inglês Charles Lutwidge Dodgson (1832-1898). A adaptação em formato de musical mostra-se grandiosa e traz cinco ricos cenários combinados com projeções no fundo do palco e 140 figurinos. Trinta atores compõem o elenco, que dança e canta as 32 composições criadas pelo próprio diretor. Vale destacar as inteligentes soluções encontradas para os esquetes do Gato Risonho, que é montado e desmontado durante o espetáculo e brilha sob o efeito de luz negra, e o momento em que Alice aumenta e diminui de tamanho para passar pela portinha de entrada do País das Maravilhas. Contudo, a montagem tem fraquezas. A atriz Karina Mathias, que interpreta a protagonista quando moça, não consegue convencer a plateia e carece de técnica nos números de dança. Outro descuido está na falta de fio narrativo — a história não é bem costurada e pode deixar os menorzinhos confusos. Ou seja, chama mais atenção pela beleza do que pelo conteúdo. Recomendado a partir de 4 anos. Estreou em 2/5/2015. Até 7/8/2016.
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  • Geólogo de formação, o americano Roger Ballen começou a fotografar quando se mudou para a África do Sul, no início dos anos 80. Se primeiro ficou limitado a registrar simpáticas crianças que cruzavam o seu caminho, com o tempo direcionou o olhar crítico para a população marginalizada. Buscava deixar claro como a opressão atingia, além dos negros, a população branca, num país segregado pelo apartheid. Organizada cronologicamente, Roger Ballen: Transfigurações, Fotografias 1968-2012, em cartaz no MAC, evidencia como o interesse das lentes do artista foi se transformando. Ele criou, por exemplo, diversas séries nas quais os protagonistas são moradores brancos do interior, cujo ar de desamparo domina o retrato — Ballen chegou a ser preso por isso, mas não se intimidou. Pelo contrário, intensificou a esquisitice dos personagens nos anos seguintes. Em ensaios produzidos, construiu situações macabras e acentuou as deformações. O resultado se assemelha a um filme de David Lynch, só que bem menos polido. Prepare-se para ver imagens cheias de anomalia, numa estética assustadoramente inquietante. Até 6/12/2015.
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  • Quase duas décadas antes de os Estados Unidos e Cuba pensarem em retomar as relações diplomáticas, um grupo de músicos da velha guarda da ilha já estreitava as fronteiras entre os dois países. Reunidos pelo produtor americano Ry Cooder em 1996 e mais tarde registrados em documentário do alemão Wim Wenders, os integrantes do Buena Vista Social Club venderam mais de 6 milhões de discos mundo afora, ganharam Grammy e Oscar e chegaram ao palco sagrado do Carnegie Hall, em Nova York, no fim dos anos 90. Desde então, mantiveram o ritmo de apresentações (na contagem do grupo já foram mais de 1 000) e perderam membros importantes, caso dos cantores Ibrahim Ferrer (1927-2005) e Compay Segundo (1907-2003). No fim  do ano passado, anunciaram  a turnê de despedida. Será? Intitulada Adiós Tour, ela chega agora à cidade. Omara Portuondo (voz), Jesus “Aguaje” Ramos (trombone), Guajiro Mirabal (trompete) e Barbarito Torres (alaúde) são os remanescentes da formação original e vêm acompanhados de uma orquestra, com quem relembram Chan Chan e Dos Gardenias, entre outros boleros e faixas românticas. Dia 16 e 23/5/2015.
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  • O cenário da dança costuma afastar os bailarinos mais velhos. Algumas iniciativas, entretanto, como a finada Companhia 2, do Balé da Cidade, recebem artistas com menor vigor físico e mais experiência. Após 25 anos longe dos palcos, o grupo Marzipan, underground nos anos 80 e composto agora de cinquentões e um sessentão, faz pré-estreia do espetáculo homônimo. A montagem interpretada por sete integrantes da formação original trata da expressão do corpo maduro e aborda temas como reencontros, memórias e destino. Com cenário de Daniela Thomas e Felipe Tassara e figurinos de Cassio Brasil, a peça mescla cenas antigas e inéditas. Dia 15/5/2015.
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  • Nada é exatamente o que parece à primeira vista no drama Potestad. Em um quase monólogo, o ator Celso Frateschi brilha ao dar voz ao texto do argentino Eduardo Pavlovsky, que parte de uma narrativa intimista e de teor familiar para assumir contundentes contornos políticos e sociais. Como se prestasse um depoimento, o protagonista conta a dor de um casal confrontado com um acontecimento que mudou radicalmente sua vida. Em uma tranquila tarde, a filha deles teria sido sequestrada por estranhos que aparentemente possuíam o direito de levá-la. A falta de ação do personagem de Frateschi, que fica de mãos atadas diante dos acontecimentos, perturba o espectador e, aos poucos, são descortinadas as possibilidades capazes de explicar o rapto da garota. Presente o tempo inteiro em cena, a atriz Laura Brauer, no papel da mulher do personagem principal, tem falas pontuais para localizá-la a trama. Diante dessa opção, a direção de Pedro Mantovani reforça a solidão vivida pelo protagonista e, ao traçar um paralelo  com o noticiário atual, mostra a fragilidade de quem também detém o poder. Estreou em 10/4/2015. Até 1º/9/2015.
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  • Divertida e de forte teor regionalista, a peça de Osman Lins (1924-1978) virou especial de TV, filme e agora ganha o formato de um musical. O universo circense ambienta a história de Leléu e Lisbela (interpretados por Luiz Araújo e Ligia Paula Machado), que teve adaptação teatral de Francisca Braga e direção cênica de Dan Rosseto e Ligia. Ele é um artista mambembe e mulherengo, cheio de confusões no currículo, apaixonado pela moça do título, que é filha de um poderoso da região e noiva de outro rapaz (papel de Beto Marden). A trilha sonora escolhida dialoga bem com as cenas e traz canções como Purpurina, Sonhos de um Palhaço, Saga e Somos Todos Iguais Nessa Noite, a maioria embalando as coreografias circenses. Muito prolixa, no entanto, a adaptação tira força da bem produzida montagem, principalmente por detalhar demais os diversos personagens (alguns poderiam ser eliminados) e, por vezes, explorar pouco os protagonistas. Com Marilice Cosenza, Fernando Prata, Nill de Pádua e outros. Estreou em 10/4/2015. Até 27/6/2015.
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  • Nuri Bilge Ceylan, de 56 anos, é o mais importante cineasta turco da atualidade e um cronista afiado de seu país — vide seus trabalhos em Climas (2006) e 3 Macacos (2008). Winter Sleep, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes no ano passado, tem mais de três horas de duração, recompensáveis ao fi m da sessão. Ambientada na Capadócia, a trama está centrada em Aydin (Haluk Bilginer). Esse ator aposentado e prestes a escrever um livro possui um gracioso hotel, além de ter herdado outras propriedades na região. Aydin leva um cotidiano a passos lentos, ao contrário da esposa (Melisa Sözen), ligada em causas sociais, e da irmã (Demet Akbag), que sente falta da agitação de Istambul. Um fato, porém, vai mexer com a rotina do protagonista. Ex-presidiário, Ismail (Nejat Isler) aluga uma casa dele e está com as prestações atrasadas. Por ver o pai em situação humilhante, seu pequeno filho atira uma pedra no carro de Aydin, detonando conflitos familiares e sociais. O roteiro, inspirado em contos de Tchecov, não rotula os personagens de bons ou maus nem de vilões ou mocinhos. Cada um, à sua maneira, se acha dono da razão diante das contradições da vida. Estreou em 7/5/2015.
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  • Redator da Rede Globo, Mathias (Bruce Gomlevsky) se suicida em seu apartamento, em Copacabana. O porteiro (Lázaro Ramos) e a mulher dele (Roberta Rodrigues) são os primeiros a encontrar o corpo. Entram, então, na casa outros personagens: o síndico (Otávio Augusto), a esposa dele (Susana Vieira), um agente funerário (Lúcio Mauro Filho), dois policiais (Juliano Cazarré e Thiago Rodrigues)... Em produção modesta e com uma única câmera estática no mesmo cenário, a trama da comédia Sorria, Você Está Sendo Filmado promete ser um teatro gravado nos moldes dos programas Sai de Baixo e Vai que Cola. A intenção do diretor e roteirista Daniel Filho foi, além de original, ousada. É pena que o resultado fique muito aquém das expectativas. O elenco marca boa presença, sobretudo Susana e Cazarré. Infelizmente, o texto não está à altura dos atores. A graça passa de raspão e resta um gosto de constrangimento no ar. Estreou em 7/5/2015.
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  • O mais importante documentarista brasileiro, Eduardo Coutinho foi assassinado pelo próprio filho em 2 de fevereiro de 2014. Poucos meses antes, o diretor havia terminado as entrevistas de seu derradeiro trabalho. Últimas Conversas é apresentado como tendo a montagem de Jordana Berg, antiga colaboradora, e finalização do produtor João Moreira Salles. Coutinho, como revela na cena de abertura, não estava contente com o resultado dos depoimentos no quarto dia das filmagens. Resmungão e contrariado, o grande mestre, diante da câmera, questiona até mesmo o próprio futuro. A partir daí, entram em cena adolescentes do 3º ano do ensino médio para contar casos da vida privada. Especialista na abordagem íntima, Coutinho extrai confissões de deixar os depoentes com lágrimas nos olhos — seja para falar de preconceitos, bullying, cota racial ou perspectivas profissionais. O cineasta não deu o ponto-final em seu canto do cisne, mas a fita faz jus à sua filmografia, equiparando- se a obras do nível de Edifício Master e O Fim e o Princípio. Estreou em 7/5/2015.
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  • Escalado para acompanhar a exibição de seu mais recente trabalho, O Estranho Caso de Angélica, na abertura da última Mostra Internacional de Cinema, em outubro de 2010, Manoel de Oliveira declinou do convite. Contrariado, por imposição médica. Aos 102 anos de idade, o mais antigo cineasta em atividade no mundo não para. Oliveira começou a filmar na década de 30 e hoje contabiliza mais de cinquenta trabalhos, entre ficções e documentários, sejam longas ou curtas-metragens. Algumas produções são penosas de ver, a exemplo de A Carta (1999) e Palavra e Utopia (2000). Mas há joias como Viagem ao Princípio do Mundo (1997) e Um Filme Falado (2003). Rodado em 2009, Singularidades de uma Rapariga Loura encaixa-se, felizmente, no segundo grupo. O cinema de Oliveira tem um tempo próprio, sem pressa, assim como a pacata cidade de Lisboa, palco dessa adaptação do conto de Eça de Queiroz. Escrita no fim do século XIX, a história, aparentemente, foi transposta para o presente. Isso porque o diretor usa elementos antigos (e até antiquados) para desestabilizar a época em que ela se passa, deixando-a indefinida. Seu foco recai sobre a paixão avassaladora de Macário (papel de Ricardo Trêpa, neto do realizador) por uma desconhecida. O rapaz, que vive com o tio Francisco (Diogo Dória) e trabalha como contador na loja de roupas dele, fica obcecado pela beleza e graça da jovem vizinha Luísa (Catarina Wallenstein). Sem pensar duas vezes, Macário decide pedir a loira em casamento. Francisco, seu possessivo parente-patrão, é radicalmente contra e, por isso, expulsa o sobrinho de casa. Não dá para adiantar mais nada da trama. Oliveira respeitou a duração de um conto e, assim, fez um conciso filme de uma hora. Além do habitual ritmo lento, ele dá uma cadência particular à narrativa, introduzindo até a apresentação de uma harpista. Celulares são substituídos por cartas, baladas aqui se transformam em saraus e, no compasso dos bondes lisboetas, desvelam-se as surpresas e frustrações de um amor conturbado. Estreou em 13/05/2011.
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  • Dono de duas estatuetas do Oscar de melhor ator (por Sobre Meninos e Lobos e Milk), Sean Penn se mete numa roubada em O Franco-Atirador. O astro interpreta Terrier, um mercenário contratado para matar um ministro no Congo. Ele faz o serviço e sai de cena com medo de represália, deixando a namorada para trás (Jasmine Trinca). Anos depois, no mesmo país africano, ajuda uma ONG, quando é vítima de um atentado. Terrier sobrevive e vai atrás de Felix (Javier Bardem), seu antigo contratante e agora um empresário bem-sucedido na Espanha que, surpresa!, fisgou a amada do colega. O diretor francês Pierre Morel tem duas bombas no currículo, Busca Implacável (2008) e Dupla Implacável (2010). Aqui, não chega a realizar algo tão sofrível, mas nem as cenas de suspense e ação conseguem escapar do trivial. Estreou em 7/5/2015. 
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  • Dirigido pela atriz Maria Ribeiro, o documentário Los Hermanos — Esse É Só o Começo do Fim da Nossa Vida traz o registro da turnê que a banda fez após uma separação de cinco anos. Além de cenas de bastidores, a realizadora focou as apresentações do grupo em doze cidades. Haverá três exibições na rede Cinemark dos shoppings Eldorado, Metrô Santa Cruz e Metrô Tatuapé: na quinta, no sábado e no domingo, às 21h. Dias 14, 16 e 17/5/2015.
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  • O primeiro filme reuniu um grupo de atores ingleses da terceira idade em aventuras e desventuras na Índia. Era uma simpática comédia com dramas e romances plausíveis, temperada em locações em Jaipur. Não havia motivo nenhum (a não ser o de caçar níqueis) para o longa-metragem ganhar uma continuação. Quatro anos depois, eis que surge O Exótico Hotel Marigold 2, com o mesmo elenco e a presença caça-mulherada do galã grisalho Richard Gere. Na nova trama, Muriel Donnelly (Maggie Smith) virou uma senhora mais amigável e ajuda o jovem indiano Sonny Kapoor (Dev Patel, numa atuação estridente e insuportável) a tocar seu hotel. Ambos voltam dos Estados Unidos com a esperança de unir o Marigold a uma rede hoteleira americana. Os velhos hóspedes de antes permanecem por lá. Evelyn Greenslade (Judi Dench), aos 78 anos, arrumou um emprego e está sendo paquerada pelo amigo Douglas Ainslie (Bill Nighy). O misterioso escritor Guy Chambers (Gere) caiu de amores pela mãe do proprietário (papel de Lillete Dubey) enquanto o ex-casal Madge (Celia Imrie) e Norman (Ronald Pickup) continua às voltas com amantes e pretendentes. São conflitos banais, muitas vezes tratados com infantilidade, para o ótimo elenco mostrar seu valor. Estreou em 7/5/2015.
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  • Comédia dramática

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    É evidente a influência de Woody Allen na comédia Cala a Boca, Philip. Além das pinçadas locações em Nova York, ambiente familiar na filmografia de Allen, o jovem diretor Alex Ross Perry traz um personagem verborrágico e utiliza uma coloração à moda dos anos 70 na fotografa. O protagonista é Philip (Jason Schwartzman), um escritor cujo ego se revela maior do que sua altura. Dono de um livro de sucesso, ele se recusa a promover sua segunda publicação e, em crise com a namorada (Elisabeth Moss), aceita o convite de um renomado autor (papel de Jonathan Pryce) para passar uma temporada em sua casa de campo. As experiências de vida do veterano colega são passadas para o novato e entojado Philip, que começa a refletir sobre a vida. Na base da autoanálise, a comédia dramática se apoia em diálogos consistentes, mas, assim como seu protagonista, resulta pedante e pretensiosa. Estreou em 7/5/2015.
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  • Em tempos bicudos de intolerância, chega em boa hora às telas um documentário que trata abertamente da diversidade sexual. A diretora e psicanalista Miriam Chnaiderman expõe, em De Gravata e Unha Vermelha, casos curiosos de transexuais (masculinos e femininos) e colhe confissões, muitas vezes emocionantes, de homossexuais. O estilista Dudu Bertholini, curador do projeto, surge em cena também como entrevistador. Há valor histórico nos registros, embora alguns relatos chovam no molhado, a exemplo daqueles feitos pelo cantor Ney Matogrosso e pelo(a) cartunista Laerte. Miriam dispersa um pouco o foco ao abordar um grupo de gaúchos héteros que se vestem de mulher no Carnaval. Faz falta, também, o depoimento de lésbicas, além de uma unidade cinematográfica para enriquecer o painel. Estreou em 7/5/2015.
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  • Durante a II Guerra, cerca de 25 000 soldados brasileiros foram enviados à Itália. A história de A Estrada 47 enfoca o drama de quatro deles. Depois de passar um sufoco no alto de uma montanha, Guima (Daniel de Oliveira), Tenente (Julio Andrade), Laurindo (Thogun Teixeira) e Piauí (o ótimo Francisco Gaspar) encontram abrigo numa casa abandonada. Lá, conhecem um repórter fotográfico (papel do português Ivo Canelas), que vai acompanhá- los numa difícil missão. O quarteto terá de encontrar e desarmar minas terrestres na estrada do título para os americanos chegarem a uma pequena cidade isolada. Em requintada produção de época, bancada por Brasil, Itália e Portugal, a trama tem lá seus momentos de suspense e drama, além de um argumento bastante original no cinema nacional. Contudo, as dificuldades enfrentadas pelo diretor Vicente Ferraz (de Soy Cuba, o Mamute Siberiano), sobretudo nas filmagens sob rigoroso inverno, são refletidas no ritmo trôpego da narrativa — ora o filme dá uma boa arrancada, ora só pega no tranco. Estreou em 7/5/2015.
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  • O psiquiatra e a mãe

    Atualizado em: 8.Mai.2015

Fonte: VEJA SÃO PAULO