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Jardins verticais do Minhocão são investigados por desvio de verba

Ministério Público questiona uso dos recursos do Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Fema)

Por: Estadão Conteúdo

jardim vertical minhocão
Jardins verticais do Minhocão são alvo de questionamentos do Ministério Público (Foto: Divulgação/Cesar Ogata/Secom)

O Ministério Público Estadual (MPE) determinou abertura de inquérito para apurar a instalação de jardins verticais em prédios ao redor do Elevado Presidente João Goulart, o Minhocão. A alegação é que a aplicação de receitas de compensações ambientais de empresas para essa ação, por parte da prefeitura, configuraria desvio no uso dos recursos do Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Fema). 

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O promotor de Habitação e Urbanismo Marcus Vinicius Monteiro dos Santos determinou que a prefeitura envie a documentação que liberou a instalação dos jardins já existentes ao redor do Minhocão, com a autorização de 100% dos moradores dos prédios e cópia dos acordos com as empresas que fizeram as obras. 

A irregularidade a ser apurada seria o desvio de função dos recursos para esse programa. Por lei, empreendimentos comerciais que causam impactos ambientais têm de garantir compensações para diminuir os danos à cidade. Essa compensação pode ser em obras ou mesmo em dinheiro, para o Fema.

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Integrante do Movimento Desmonte o Minhocão Artur Monteiro Rocado, um dos autores da representação que deu origem à ação, disse que o questionamento é sobre a aceitação dos jardins verticais como forma de compensação. "Se você pega 100 vasos e os coloca em uma mesa, esses vasos na horizontal não são aceitos como compensação ambiental de empreendimentos. Por que seriam aceitos, então, vasos colocados de forma vertical?", questionou.

A ação do MPE também fez questionamentos sobre outros pontos do projeto, implementado em diversas cidades do mundo. Os pontos levantados são sobre o escoamento da água com produtos químicos que seriam usados nas plantas e sobre a possibilidade de acúmulo de água, o que poderia dar origem a focos de mosquitos.

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Em ações anteriores, a prefeitura informou que a irrigação dos jardins é feita de forma que a água não utilizada retorna para novo uso e destacou benefícios como redução de calor e até de barulho no interior dos prédios. Nesta quarta-feira, questionada sobre a ação, a gestão Fernando Haddad (PT) informou estranhar a atitude do MPE, mas que prestaria os esclarecimentos. A gestão disse que, no seu entendimento, o programa é benéfico para a cidade. 

Fonte: VEJA SÃO PAULO