Crime

Universitária que confessou atropelar gari se apresenta e é liberada

Estudante de arquitetura não prestou socorro à vítima e alegou que estava fugindo de uma tentativa de assalto

Por: Estadão Conteúdo - Atualizado em

Hivena Queiroz Del Pintor Vieira,
Hivena Queiroz Del Pintor Vieira: indicada pelos crimes de homicídio culposo, lesão corporal, omissão de socorro e fuga do local (Foto: Sigmapress/Folhapress)

A estudante de arquitetura Hivena Del Pintor, de 24 anos, confessou ter atropelado e matado o gari da Prefeitura Alceu Ferraz, de 61 anos, há uma semana, na Avenida São João, região central de São Paulo. A jovem foi intimada pela Polícia Civil e prestou depoimento na tarde desta segunda-feira (22) e foi indicada pelos crimes de homicídio culposo, lesão corporal, omissão de socorro e fuga do local.

Segundo Arariboia Fusita Tavares, delegado-assistente do 3.º DP (Campos Elísios), a jovem soube que tinha matado Ferraz na quinta-feira, quando imagens divulgadas pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) mostraram a motorista fugindo do local do acidente e o vidro do para-brisa do veículo quebrado.

Na sexta-feira, a Polícia Militar apreendeu o Peugeot 207 da jovem no prédio onde ela mora, em Moema, na Zona Sul de São Paulo. O vidro continuava quebrado. Segundo Tavares, a jovem alegou que achava que tinha atropelado um assaltante. A vítima estava com outros três garis. "As circunstâncias dela não batem, está nebuloso. Não dá para dizer que garis uniformizados, com vassouras e cestos de lixo, podem ser confundidos com ladrões", disse o delegado.

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Acidente no centro: garis foram até o local onde dois trabalhadores foram atropelados (Foto: Foto: Nivaldo Lima/Futura Press/Folhapress)

Após o acidente, Hivena registrou um boletim de ocorrência no 8.º Distrito Policial (Brás). Aos policiais, ela teria relatado que fugia de uma tentativa de assalto, quando bateu em "algo" ou "alguém". Por estar sozinha e se sentindo acuada, não parou para prestar socorro.

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A jovem disse que voltava de uma festa na casa de uma amiga em Higienópolis, também no centro. Para Fusita, ela agiu de "má-fé" por não prestar socorro ao gari e ter fugido do local. O delegado disse ser "impossível" não encontrar nenhuma viatura da Polícia Militar no caminho entre o centro e Moema. A polícia, agora, quer saber para quem a jovem ligou depois de ter atropelado o gari e, por isso, vai pedir a quebra de sigilo telefônico da estudante de arquitetura.

A Polícia Civil não pediu a prisão da jovem, e a estudante vai responder aos crimes aos quais foi indiciada em liberdade. A reportagem não conseguiu localizar o advogado de Hivena. Mas à TV Globo, Artur Osti disse que "não houve omissão" por parte de sua cliente e que ela prestou todos os esclarecimentos.

Fonte: Estadão Conteúdo