Comida de rua

Um guia para montar seu food truck

Legislação, concorrência, custos... Confira o que levar em consideração para vender comida na rua

Por: Meriane Morselli - Atualizado em

Los Mendozitos
Danilo Janjacomo: vinhos vendidos em um trailer (Foto: Fernando Moraes)

O projeto que legalizou a comida de rua no fim de 2013 e o boom das feiras gastronômicas fez com que a moda dos food trucks pegasse de vez na cidade no ano passado. De olho nesse mercado, muita gente exercitou a criatividade trabalhar em caminhõezinhos com as mais variadas propostas – há aqueles especializados em coxinhas, milk-shake, lanches, massas, pizzas, pratos orientais, cervejas e até café.

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Mas o que é preciso para tirar do papel aquela ideia bacana de montar um negócio nesse modelo e sair vendendo comida por aí? Aqui estão alguns pontos a serem considerados.

Escolha a sua especialidade

Com a moda dos food trucks, vários deles foram lançados no ano passado e os pratos oferecidos têm se repetido. É comum, por exemplo, encontrar vendedores de hambúrgueres e receitas japonesas. De acordo com Caio de Sá, curador da feira gastronômica Panela na Rua, quem se diferenciar e for criativo terá mais chances de se dar bem. “Está tudo muito igual e a concorrência parece cada vez maior entre os trucks”, diz.

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Food truck ou trailer?

Para colocar um food truck na rua, você deve optar por adaptar um veículo, como um furgão ou uma Kombi, ou montar um trailer. De acordo com Paulo Ferreira, da Vettor Trailer, que fez projetos para Los Mendozitos e Falafeando, eles custam a partir de 20 000 reais (com 4,5 metros quadrados). Vale observar que é necessário um veículo com motor 2.0 para poder mover o trailer com um engate aprovado pelo Inmetro e não precisa tirar uma habilitação especial para isso. Depois é necessário equipar o veículo com tudo o necessário (a exemplo de chapas, geladeiras, grelhas...).

Franquia Kombosa Shake Diego Fernando Juliano
O empresário Diego Fernando Juliano, do food truck Kombosa Shake: 120 000 reais para restaurar e equipar o veículo (Foto: Fernando Moraes)

Para quem prefere trabalhar com um veículo adaptado, tem duas opções: restaurar um antigo ou comprar um novo e adaptar. A Kombosa Shake, por exemplo, foi montada com base em um automóvel ano 1988, no qual foram investidos 120 000 reais em adaptação e restauração.

Entenda a legislação

Na cidade de São Paulo, para vender comida na rua é necessário fazer um cadastro municipal da vigilância sanitária, além de um curso de boas práticas com carga horária mínima oito horas, promovido pelos órgãos competentes do Sistema Municipal de Vigilância em Saúde, a Covisa. O curso não é cobrado.

De acordo com Ricardo Dametto, da RM Soluções em Segurança Alimentar, deve-se ainda tirar um Manual de boas práticas e procedimento operacionais, um documento que descreve as práticas e rotinas a serem adotadas no estabelecimento, pelo qual cobram-se de 700 a 1 000 reais, em média. Outros laudos necessários são: PPRA (Programa de Prevenção dos Riscos Ambientais), PCMSO (Programa de Controle Medico de Saúde Ocupacional) e ASO (Atestado de Saúde Ocupacional). Juntos, eles saem em torno de 700 reais.  

Pense em montar uma cozinha de apoio

massa na caveira
A cozinha de apoio do Massa na Caveira (Foto: Divulgação)

Raphael Corrêa, que vende as pizzas de massa fininha do Massa na Caveira, escolheu uma receita de família para criar seu food truck. Como os alimentos devem ser utilizados dentro do furgão já pré-preparados (abobrinhas fatiadas, queijo já ralado e molho de tomate já pronto), ele montou uma cozinha profissional no bairro de Santana, na Zona Norte. Gastou 25 000 reais para equipá-la e emprega três pessoas para ajudar na operação.

Ter uma cozinha de apoio vai depender do tipo de comida que você pretende comercializar. Avalie essa possibilidade para não ter problemas com as fiscalizações da Vigilância Sanitária.

Considere os custos com food parks

 

Butantan Food Park
Butantan Food Park: local recebe uma das feiras gastronômicas mais badaladas da cidade (Foto: Lucas Lima)

A maioria dos vendedores de comida de rua da cidade opta por trabalhar em feiras gastronômicas, caso do Panela na Rua e do Butantan Food Park. Elas cobram de 100 a 500 reais por dia para estacionar o caminhão e a maior vantagem está na infraestrutura oferecida, caso de banheiros e ligação de eletricidade. Fora isso, elas costumam garantir a presença do público. Pode-se ainda fazer parcerias para vender os produtos na frente de lojas, em estacionamentos de supermercado etc. 

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Invista nas redes sociais

É muito comum que o público siga seus food trucks preferidos pelo Facebook e Instagram. As redes sociais se tornaram ainda o lugar no qual você poderá divulgar sua agenda do dia com agilidade e as novidades do cardápio. Pense em fazer boas fotos e preste atenção para usar uma linguagem adequada.

Fonte: VEJA SÃO PAULO