Teatro

Últimos dias para ver peças que não devem voltar ao cartaz

Antes de Mais Nada e Frida y Diego estão entre os espetáculos

Por: VEJA SÃO PAULO - Atualizado em

O Rei Leão - O Musical
Cena de 'O Rei Leão - O Musical' (Foto: João Caldas ©Disney)

Confira as peças que vão sair de cartaz e não devem voltar.

  • O tema da velhice corre o risco de se perder em obviedades. Com dois livros — um romance e um de contos, a ser lançado —, o escritor Flavio Cafiero encontrou na mão segura do diretor Zé Henrique de Paula uma boa parceria para sua estreia teatral. Pela comédia dramática figuram o senhor rabugento, a vizinha fofoqueira, a solteirona e um número sem fim de ressentimentos. Os clichês, no entanto, limitam-se ao perfil dos personagens, e as surpresas gradualmente emocionam a plateia. O setentão Alfredo (interpretado por Fulvio Stefanini) tem o coração endurecido e vive às turras com a filha Mariângela (a atriz Chris Couto). A morte do melhor amigo, um ator (papel de Roney Facchini), o leva a repensar a vida, principalmente depois que o falecido se materializa em sua casa. Encenador de assinatura marcante, Zé Henrique, desta vez, foi sutil a ponto de beirar o convencional. Sua atenção voltou-se para redimensionar os diálogos de Cafiero nas interpretações corretas de Stefanini, Facchini e Karin Rodrigues. Quem brilha, no entanto, é Chris, parceira habitual do diretor e solta para humanizar as frustrações da filha do protagonista. Estreou em 6/9/2014. Até 14/12/2014.
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  • Como atriz do Grupo XIX de Teatro, a paulistana Janaina Leite participou dos espetáculos Hysteria (2002) e Hygiene (2005) em que os limites de ficção e realidade beiravam o subjetivo. Em seguida, dramatizou o fim de sua relação com o filósofo Felipe Teixeira Pinto em Festa de Separação (2010). Na mesma linha do documentário cênico, ela surpreende pelo equilíbrio de razão e emoção ao protagonizar e dirigir Conversas com Meu Pai. A montagem ganhou encorpada dramaturgia de Alexandre Dal Farra, ao mesclar fatos reais e verídicos sem especificar a natureza de cada um, para mostrar o desabafo de uma filha. Em um primeiro momento, o foco recai sobre Janaina e os bilhetes deixados por seu pai, Alair Pereira Leite (1950-2011), que perdeu a capacidade de fala e se expressou por escrito nos seis anos finais de vida. Longe da pieguice, a proposta toma amplitude ao optar pela incomunicabilidade entre as pessoas e, numa fusão de imagens em vídeo e música, Janaina atinge um intenso momento de atriz. O ápice é a cena em que, abafada pela canção Amor Perfeito, na gravação de Roberto Carlos, a protagonista não pode ser ouvida pela plateia. Esse solo dura mais de três minutos. Surda e muda, assim como o público, ela transcende o teatro. Estreou em 25/4/2014. Até 14/12/2014.
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  • A intimidade dos artistas plásticos mexicanos Frida Kahlo (1907-1954) e Diego Rivera (1886-1957) é desvendada em Frida y Diego. Interpretado por Leona Cavalli e José Rubens Chachá, o texto construído por Maria Adelaide Amaral mostra, em meio a uma intensa paixão, brigas, traições, submissões e até uma troca artística. Sob a direção de Eduardo Figueiredo, a montagem oferece bons momentos para os protagonistas, principalmente nas cenas em que sublinha a insegurança e a fragilidade física da mulher diante do marido egocêntrico anos. Estreou em 11/10/2014. Até 31/01/2016.
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  • Lançado na Broadway em 1997, o musical O Rei Leão, de Roger Allers e Irene Mecchi, é a versão do longa da Disney, de 1994. Portanto, ao conferir a superprodução nos palcos, é quase inevitável que a memória afetiva dos fãs da animação fale mais alto. Os elementos para o encanto da plateia estão todos ali. Cenários e figurinos caprichadíssimos, uma iluminação sob medida, capaz de fazer saltar aos olhos os efeitos de manipulação de bonecos, e um elenco afinado de 53 atores para cantar as letras compostas por Gilberto Gil (nem sempre fluentes e complementares à dramaturgia) adaptadas dos originais de Elton John. A trama mostra Simba (interpretado por Tiago Barbosa, quando adulto), o herdeiro do trono de Mufasa (o ator César Mello), o Rei Leão. Ao crescer, Simba envolve-se em uma série de artimanhas do tio Scar (Felipe Carvalhido), que planeja se livrar do sobrinho para ganhar o poder. Com direção de Julie Taymor, a montagem cumpre a promessa de ser um show, um torpedo repleto de efeitos para um público ávido de emoções. Falta, no entanto, espontaneidade às atuações. Um dos poucos a sobressair é Ronaldo Reis, intérprete do suricato Timão, capaz de imprimir bom humor ao personagem. Estreou em 28/3/2013. Até 14/12/2014. Na quinta (11), haverá sessão extra, às 16h. + Veja os bastidores do musical O Rei Leão + Saiba onde jantar depois de assistir ao espetáculo
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  • Os dois filmes protagonizados por Glória Pires e Tony Ramos foram sucesso de bilheteria — somaram mais de 9 milhões de espectadores no cinema. A história, inegavelmente, funciona. Com adaptação de Flávio Marinho e encenação de Alonso Barros, o roteiro levado às telas por Daniel Filho chegou aos palcos. Se Eu Fosse Você, o Musical tem trama similar à do primeiro longa. Em plena crise conjugal, Helena (Claudia Netto) e Claudio (Nelson Freitas) decidem se separar e, de repente, se veem em meio a uma inusitada troca de corpos. Ela virou homem e, agora, Claudio é a mulher da relação. A dupla surpreende ao dar plena conta do recado em atuações divertidas, quase no limite da caricatura, mas dentro do tom cômico. Vinte e dois atores completam o elenco, entre eles Fafy Siqueira, no papel da mãe de Helena. No entanto, a montagem sofre de um problema crucial. A trilha sonora, formada por irresistíveis sucessos de Rita Lee, não foi composta para o espetáculo e raras músicas fazem algum sentido na dramaturgia. Você vai ouvir Miss Brasil 2000, Esse Tal de Rock’n Roll, Doce Vampiro e Amor e Sexo, todas bem interpretadas, principalmente por Claudia Netto, mas sem função alguma na trama. E, em um musical, as canções servem para embasar a história, certo? Estreou em 14/8/2014. Até 14/12/2014.
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  • Celso Frateschi adaptou e protagoniza o monólogo dramático apoiado no conto homônimo de Fiódor Dostoievski (1821-1881). Iluminação, cenário e trilha sonora parecem confluir para a reprodução de uma São Petersburgo sombria, o lar de um infeliz funcionário público. Certa noite, depois de quase se matar, o homem tem um sonho. Nele, viaja para uma espécie de paraíso e lá acaba semeando a discórdia e a corrupção entre imaculadas criaturas. Sob a direção de Roberto Lage, Frateschi atinge um grande momento de ator e passa uma mensagem atual diante dos fatos contemporâneos. Estreou em 4/8/2005. 
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Fonte: VEJA SÃO PAULO