Turismo

Os melhores programas nas favelas do Rio de Janeiro

Subir o morro para cair na balada, fazer trilhas e almoçar já virou programa oficial no Rio de Janeiro

Por: Rachel Verano - Atualizado em

Rio de Janeiro
Mix de albergue e balada de um inglês, The Maze faz sucesso no Rio de Janeiro (Foto: Divulgação)

Em uma típica ponte de feriadão em novembro, as ruas do Rio de Janeiro estavam às moscas e qualquer programa tinha um potencial enorme para virar mico. Foi então que alguém na turma se lembrou de que era a primeira sexta-feira do mês e, portanto, dia de jazz na favela Tavares Bastos. Depois de subir dois quilômetros de ladeira e caminhar mais uns 200 metros por um beco estreito, uma pequena multidão na porta ouvia atentamente os conselhos do porteiro a plenos pulmões: "já está tarde, mas não tem desconto para ninguém. Acabou a água e a cerveja está quente. As filas do banheiro estão grandes e já tem umas mil pessoas do lado de dentro. Têm certeza de que querem mesmo entrar?" Silêncio. Nem o mais desanimador dos discursos demoveu a leva de jovens que àquela altura já se acumulava na porta. Ninguém arredou o pé do The Maze naquela noite antes das 4h da madrugada (quando as portas se fecharam).

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Mix de albergue e balada de um inglês, a programação fez tanto sucesso entre cariocas e gringos que o The Maze criou novos tentáculos recentemente. Agora, além da noite mensal de jazz na primeira sexta do mês, o lugar também abriga uma animada noite de rock na segunda sexta-feira do mês e, última novidade, mais uma noite de jazz na terceira sexta, com uma banda diferente da primeira.

Subir os morros cariocas já virou um clássico na cidade. Desde que as favelas começaram a ser pacificados e ocupados por UPPs, alguns dos melhores programas acontecem nelas. Para começar, estão elas abrigam as melhores vistas do Rio de Janeiro. Caminhar até mirantes e fazer trilhas é hoje uma realidade possível e o melhor: segura. Um dos mirantes mais procurados é o da Paz, onde se chega através de um moderno complexo de elevadores que sai de Ipanema rumo aos morros do Canta Galo e Pavão Pavãozinho. Outro é o que ganhou fama com a visita do cantor Michael Jackson, em 1996, onde ele gravou o clipe da música They don´t care about us, no Morro Santa Marta. Para chegar lá, onde há uma estátua de bronze e um painel em homenagem ao astro assinado por Romero Britto, basta embarcar em um funicular no Flamengo.

Os morros já entraram até mesmo no circuito gastronômico carioca. Nesse quesito, o Bar do Davi, na Ladeira Ari Barroso, no Chapéu Mangueira, reina soberano. Sua especialidade? Feijoada de frutos do mar (alô, França?). Recentemente a cidade organizou um festival de comidinhas nas favelas e os moradores abriram as portas de casa para receber os turistas. E é cada vez mais comum (e descolado) marcar um almoço num restaurante caseiro instalado no quintal de alguma casa nos morros do que reservar casas luxuosas na Zona Sul. Até eventos de design têm subido as ladeiras. A dica para quem visita a cidade é ficar de olho na programação cultural – que, a partir de agora, vai começar a esquentar com os ensaios de carnaval nas favelas.

Fonte: VEJA SÃO PAULO