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Aula de História e Cultura

Pequenas lições sobre o Egito, para aprender antes de embarcar

Por: Livia Deodato - Atualizado em

Egito
“É um país muito seguro, mesmo a partir da Primavera Árabe”, afirma Antonio Brancaglion Junior (Foto: Divulgação)

O Egito tem infraestrutura para receber turistas sempre, independentemente das manifestações de seu povo, que começaram no ano passado, botaram fim a três décadas de ditadura e continuam pela rápida transição para o governo civil. Desde o início dos anos 2000, o professor e egiptólogo Antonio Brancaglion Junior vai pelo menos uma vez por ano para lá e conhece bem a rotina da população local. “É um país muito seguro, mesmo a partir da Primavera Árabe”, afirma. “É muito raro ouvirmos história de violência entre civis. A pobreza não é justificativa para a criminalidade: para um egípcio é vergonhoso ter de praticar algum crime para suprir quaisquer necessidades, pois a punição é muito severa.”

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Excluída a insegurança do caminho, conheça um pouco da História e dos costumes de uma das civilizações mais antigas de todo o mundo.

Vale dos Reis

Por quase 500 anos, entre os séculos XVI e XI a.C., diversas tumbas foram construídas neste vale para os faraós, os reis do Antigo Egito. Atualmente são contabilizadas 63 tumbas e câmaras (uma tumba complexa pode conter mais de 120 câmaras). O Vale dos Reis se localiza na margem oeste do rio Nilo, oposto a Luxor (antiga Tebas). Na parte leste do vale está a tumba de Tutancâmon, um dos faraós mais famosos da História, que ascendeu ao trono aos 9 anos e morreu aos 19. “Além do Vale dos Reis, indico os templos de Karnak, uma das maiores estruturas do mundo antigo, e Luxor”, diz Brancaglion.

As pirâmides de Gizé (ou Guiza)

Cartão-postal do Egito, as pirâmides de Gizé localizam-se no planalto de mesmo nome, nos arredores da capital, Cairo. São formadas pela Grande Pirâmide de Gizé (ou Quéops), a Pirâmide de Quéfren, a Pirâmide de Miquerinos e a Grande Esfinge, situada no lado leste de todo o complexo. A cabeça da esfinge pertence à Quéfren, segundo a maioria dos especialistas. As três pirâmides, construídas mais de 2 550 anos a.C., não ficam abertas ao público ao mesmo tempo. A guarda turística limita o número de pessoas que pode entrar por dia e isso é decidido... no dia.

Se quiser tirar uma foto parecida com a que estamos acostumados a ver em cartões postais, vá até o Pizza Hut. Sério! “É o melhor lugar para isso. Mas atenção: certamente haverá um egípcio cobrando pela ‘vista’, que pode ser obstruída por uma cortina caso não seja pago o valor pedido”, conta Brancaglion. “Negocie, se for o caso.”

Múmia de Cleópatra

Não espere ver a múmia da rainha mais famosa do Egito. A última evidência sobre os restos mortais de Cleópatra é de que ela teria sido sepultada no Templo de Taposiris Magna, no Lago Mariut, hoje chamado de Abusir, junto a Marco Antonio. Há uma múmia de mesmo nome no Museu Britânico, em Londres, mas era da filha de um oficial importante de Tebas, na época do reinado de Trajano (de 98 a 117 d.C.), morta 150 anos depois da rainha.

Dinheiro egípcio

As notas da libra egípcia são muito bonitas. Mas não se deixe iludir: elas não são aceitas e não podem ser trocadas em absolutamente nenhum outro lugar do mundo que não seja o Egito. “Planeje-se para não ficar com muito dinheiro na hora de ir embora. Porque será um dinheiro perdido caso nunca mais visite o país”, afirma Brancaglion. E também fique atento para não ficar sem dinheiro enquanto estiver lá: negociar em dólar é contra a lei. A cotação nas casas de câmbio dentro dos bancos é sempre a melhor. Gorjetas são corriqueiras e o valor delas depende do serviço prestado. Mais uma vez, negocie!

Religião

O Egito foi cristão antes de ser muçulmano. E, até hoje, agrega diferentes culturas: árabe, islâmica, coptas (os primeiros cristãos). É possível encontrar igrejas e templos milenares, de todos os tipos: sinagogas, católicas, bizantinas, gregas, coptas. Atenção aos horários comerciais de funcionamento de estabelecimentos: se a loja é de um cristão, fecha aos domingos; se é de um muçulmano, fecha às sextas e fica aberta aos domingos. “O Cairo fica muito mais agitado às quintas do que às sextas-feiras”, diz Brancaglion.

Vestuário

Por ser um país com de maioria muçulmana, é recomendável esconder mais partes do corpo. Embora o clima seja desértico e muito quente, dependendo da época do ano, não é aconselhável andar de shorts, saia, bermuda ou blusas sem manga. “Para eles é como se nós andássemos de maiô na Avenida Paulista”, diz Brancaglion. E lembre-se: “deserto não é praia. “Nessa região é melhor andar de manga comprida, para se proteger do sol e do vento, que levanta areia”, garante. Pelo fato de o Egito ter sido colonizado por franceses e ingleses, há uma certa formalidade no modo de se vestir. Portanto, evite usar jeans em eventos noturnos, por exemplo.

Modo de vida

“O Egito Antigo foi todo baseado na ordem cósmica, mas eles se esqueceram dela em algum lugar”, diz Brancaglion. “Os egípcios são maravilhosos, mas vivem numa confusão.” Eles falam alto (a ponto de ser difícil a distinção entre uma conversa e uma briga), há muito barulho e trânsito. Nem por isso, perdem o bom humor. “Eu sempre digo que o egípcio é o carioca do mundo árabe. Ele brinca, tira sarro de todo mundo.” Oferecem camelos em troca de um suposto casamento como uma forma de elogio. E se oferecerem carneiros... sinal de que a mulher não é tão bonita assim. E riem. São também bastante supersticiosos. No Cairo, quando se corta o cabelo, os fios são entregues para o dono. “Isso é para que ninguém faça nenhum feitiço contra você”, conta o professor. Em meio a obras é possível observar manchas de sangue nas paredes: sinal de que sacrificaram animais, molharam as mãos no sangue e bateram-nas nas paredes para exorcizar os espíritos ruins, que eventualmente podem estar vagando por ali. O olho grego é lembrança comum para ajudar nessa proteção.

Fonte: VEJA SÃO PAULO