Turismo

Pequeno manual de sobrevivência (e diversão) na China

A jornalista Sônia Bridi se despiu de preconceitos para viver com os chineses. Aqui, ela dá dicas para se dar bem no país mais populoso do mundo

Por: Livia Deodato - Atualizado em

A Volta ao Mundo - China
A jornalista no encontro com Dalai Lama (Foto: Divulgação)

Sônia Bridi teve uma vivência intensa no dragão asiático, onde morou recentemente por quase dois anos com o marido e também cinegrafista Paulo Zero e o filho Pedro. Seu olhar sensível rendeu reportagens íntegras, distante de preconceitos ou discriminação, além de um livro, Laowai – Histórias de uma Repórter Brasileira na China (Ed. Letras Brasileiras, 384 págs., R$ 39,90).

Abaixo, ela faz um relato exclusivo à VEJA SÃO PAULO, relembrando um pouco de sua experiência, de 2005 a 2007, e indicando passeios imperdíveis:

“Uma recomendação que sempre faço às pessoas é que leiam muito sobre o país, seja qual for o destino. Relatos de viagem, romances históricos, tratados de história, guia de viagem, o que dê prazer a quem vai ler. Quanto mais se sabe sobre o país, mais proveitosa é a experiência de conhecê-lo. Com relação à China, acho que é essencial deixar o preconceito em casa. A China está encontrando seu caminho para o primeiro mundo e temos muito mais a aprender com eles do gostamos de admitir. 

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Na Praça da Paz Celestial, em 2004 (Foto: Divulgação)

Na bolsa, leve sempre uma sombrinha para enfrentar o sol, se for no verão. No Brasil pareceria antiquado, mas as chinesas todas usam e o passeio fica mais confortável. Lenços umedecidos são vendidos em qualquer farmácia na China e são muito úteis para manter mãos e rosto limpos da poluição. E, sempre, cartões com o endereço do hotel, do restaurante, etc, aonde se deseje ir, com os caracteres chineses. Para muitos motoristas de táxi não adianta mostrar o nome chinês escrito com o nosso alfabeto, porque eles não vão reconhecer. Finalmente, um bom guia de viagem, para você poder sempre checar fotos e informações sobre monumentos e construções com os quais se depara.

As palavras essenciais que você deve saber em mandarim são aquelas essenciais em qualquer língua para ser gentil com seus anfitriões: por favor (Qǐng), com licença (Duìbùqǐ ), obrigado (xièxiè), de nada (Bù kèqì) , olá (Nǐ hǎo) e até logo (Zàijiàn). Os chineses cada vez mais dominam o inglês, então o vocabulário essencial é apenas o da simpatia.

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Em Lhassa, no Tibete, observando peregrinos em frente ao templo (Foto: Divulgação)

A medicina chinesa diz que precisamos eliminar tudo o que está no nosso corpo e quer sair. Isso significa que soltar arrotos e puns em público é perfeitamente normal para eles. Assim como cuspir, se bem que nos últimos anos as campanhas de redução de risco de contaminação por doenças respiratórias têm diminuído muito esse costume. Diante de uma situação assim, faça de conta que não viu, não ouviu e nem sentiu o cheiro...

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Imperdível, em Pequim, é visitar o mercado de antiguidades. Todo sábado e domingo, o mercado de Pan jia yuan ocupa uma área de milhares de metros quadrados. Tem esculturas de pedras, seguidas por móveis, tapetes, objetos, cerâmicas, pincéis de caligrafia oriental, vidrinhos pintados, esculturas em ossos, lacas, contas de porcelana, gaiolinhas de grilos - o que você imaginar, encontra ali. Lugar para comprar lembranças e pequenas peças de decoração para sua casa, que vão sempre evocar a memória da viagem.

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Pronta para a cobertura das Olimpíadas, em 2008 (Foto: Divulgação)

Outro passeio imperdível é o Templo do Céu, também em Pequim. Fica num parque, numa linha reta ao sul dos portões da Cidade Proibida. De manhã bem cedo, além do tai chi, que é muito praticado, vemos os velhinhos praticando caligrafia com água. Escrevem poemas no chão, com seus imensos pincéis. As palavras vão evaporando, criando uma poesia visual. O Templo é onde os imperadores iam prestar contas aos Deuses. O visitante pode subir no altar aberto e, da mesma pedra usada pelos imperadores, falar direto com o céu. Dali até o templo principal há uma passarela que vai se elevando muito tenuamente. Avança-se pela altura do meio dos pinheiros e redodendros (um tipo de planta) centenários. Dá a sensação de caminhar nas nuvens.

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Com o marido e também cinegrafista, Paulo Zero, na viagem do trem que liga Pequim a Lhassa, no Tibete (Foto: Divulgação)

Fora de Pequim, quem for a Xangai deve dar uma esticadinha a Suzhou, a cidade dos jardins, também chamada de Veneza da China. E, com mais tempo, o passeio do Rio Li, pelas paisagens de aquarela chinesa, é sensacional.”

Fonte: VEJA SÃO PAULO