Turismo

Rota dos melhores bares de tapas em Barcelona

Do tradicional jamón às receitas gourmet, os melhores endereços de comidinhas da capital catalã

Por: Adriana Setti - Atualizado em

A Volta ao Mundo - Especial Boas Compras - Barcelona - Tapas - Espanha
Circuito para provar os melhores tapas em Barcelona (Foto: Divulgação)

O slogan do Tickets, bar de tapas dos irmãos Ferran e Albert Adrià em Barcelona, não poderia ser mais preciso. “Tapa: uma maneira de entender a vida, uma forma divertida de comer”. Eis a essência do petisco a la espanhola: comidinhas feitas com capricho, sempre para compartilhar, em porções sob medida para preencher o espaço entre um gole e outro, uma conversa e outra, não necessariamente no mesmo lugar. A tapas são, à mesa, a tradução do saber viver vigente na Espanha, onde o cotidiano acontece, itinerante, nas mesas dos bares e restaurantes, tendo a gastronomia como um dos bastiões da convivência social (com crise ou sem crise). A seguir, os melhores endereços para o tapeo em Barcelona, para provar as receitas tradicionais de toda la vida e também diminutos exemplos da alta gastronomia Ibérica, divididos por regiões.

 

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  • Eixample, o bairro modernista

Tapaç 24

Carles Abellan, premiado com uma estrela no guia Michelin pelo seu restaurante Comerç 24, foi um dos pioneiros a aderir à tendência gastrobar, que ditou as novidades gastronômicas nos últimos anos, em meio à crise econômica que assola a Espanha desde 2008. A fórmula: tapas tradicionais executadas à perfeição, somadas a outras com um toque criativo, a preços acessíveis. O bar não faz reservas e vive lotado. Menos mal que funciona sem descanso das 8h às 0h. Se a fome bater fora de hora, melhor: no meio da tarde, por exemplo, você escapa da eterna fila na porta e sofre menos para atrair a atração do garçom (o lugar não prima exatamente pelo serviço).

Boa pedida: O Bikini Ç24, sanduichinho de jamón ibérico e foie gras. De sobremesa, chocolate com azeite e sal.

Taverna del Clinic

Você não daria nada por esse botequim se passasse na porta desavisado. Mas certamente repararia que ele vive lotado de gente arrumada, a ponto de ter que improvisar uma tenda na calçada para ampliar seu espaço reduzido (o puxadinho enche até quando chove ou faz frio!). O mérito é do chef Toni Simões, pupilo do falecido superchef Santi Santamaría (que em vida ostentou três estrelas Michelin pelo seu Can Fabes). Reservar é essencial para conseguir uma mesa.

Boa pedida: Aqui as patatas bravas (batatas fritas com molho apimentado) são reinterpretadas e chegam à mesa em forma de crostinha de batata recheada com o molho e salpicada com sementes de papoula.

Alta Taberna Paco Meralgo

Com seus balcões e mesas altas cercadas de banquinhos (dos quais as pessoas mais idosas certamente se queixarão), lota de segunda a segunda e não dá chance a quem não reserva com alguns dias de antecedência. Serve tapas tradicionais e moderninhas, com ênfase nos frutos do mar fresquíssimos (e caros).

Boa pedida: Steak tartar sobre torradinha crocante, flor de abobrinha recheada com mozarela de búfala e polvo regado com o molho especial da casa.

Cervecería Catalana

As tapas clássicas como os pimentos del padrón (um tipo de pimentão pequeno e apimentado), montaditos (quitutes sobre uma fatia de pão), croquetes e porções de frituras sequinhas são servidas com maestria em um ambiente que foi ficando cada vez mais sofisticado, de reforma em reforma. Para uma mesa, a fila costuma ser longa (não aceita reservas). O segredo para os famintos é disputar espaço no balcão na base do cotovelo.

Boa pedida: Pimientos del padrón, pescaditos fritos, croquetes e saladinhas. Calle Mallorca, 236, +34-93/216-0368; 8h/1h30

Bar Velódromo

O salão em estilo art deco, com um pé direito alto e teto em madeira trabalhada, abriu as portas em 1933. Em seus dias de glória, foi ponto de encontro de opositores ao regime de Franco e da nata da boemia da cidade. Decadente, fechou no ano 2000 e assim permaneceu durante nove anos, até ser ressuscitado pela marca de cerveja catalã Moritz. O primeiro chef a assumir a cozinha do novo Velódromo foi Carles Abellan, que recentemente passou o bastão ao garoto prodígio Jordi Vilà (do estrelado Alkimia), sem que nenhuma mudança radical se notasse em sua extensa carta de tapas e pratos. A cozinha funciona ininterruptamente, algo dificílimo em Barcelona.

Boa pedida: Esqueixada de bacalao (bacalhau fresco com tomates e azeitona), bomba (um supercroquete picante) e pa amb tomàquet (pão untado com tomate, um clássico catalão). Calle Muntaner, 213, +34-93/430-6022; 13h/1h

 

  • Paral-lel e arredores, a nova promessa

Fabrica Moritz

A embalagem é de luxo: um edifício do século 19 no centro de Barcelona, onde funcionou a antiga fábrica da cervejaria Moritz (a mesma que ressuscitou o Velódromo), restaurada num projeto ambicioso que leva a assinatura do arquiteto francês Jean Nouvel, prêmio Pritzker de arquitetura em 2008. A cozinha é mais uma empreitada de Jordi Vilà (Alkimia e Velódromo).

Boa pedida: A especialidade são as frituras, executadas de maneira impecável: lula, pescaditos, croquetes, patatas bravas... Ronda Sant Antoni, 39-43, +34-93/426-0050; 6h/3h

Quimet Quimet

Você vai ter que se conformar com a ideia de comer em pé, apertado entre garrafas de vinhos, apoiando o prato sobre velhos barris. Mas vai acabar adorando. As especialidades da casa – que fabrica a sua própria cerveja – são as tapas frias (o bar não tem cozinha) e também o vermute artesanal, uma instituição catalã para a happy-hour.

Boa pedida: Patês, como o de azeitonas pretas, e tábuas de queijos e frios. Carrer Poeta Cabanyes, 25, 93/442-3142; 2ª/6ª 12h/16h e 19h/22h30, sáb 12h/16h

Tickets e 41o

A empreitada dos irmãos Adrià para a era pós El Bulli é uma dupla de bares – sensacionais, como de praxe. O 41o é escuro, moderno e tem uma veia boêmia. Além de drinques clássicos com toques inventivos, serve snacks que integraram a carta do lendário restaurante, além de novas peripécias. A 41o Experience é um banquete em 41 etapas (sim, 41) durante o qual são servidas criações de Albert Adrià (que é quem está à frente do projeto, com o apoio do irmão) com coquetéis e outras bebidas incluídas, a um preço fixo de 200 euros. O Tickets, por sua vez, tem um ambiente bem iluminado, colorido e informal, que lembra uma quermesse. Os clientes se distribuem por vários balcões para provar tapas tradicionais (mais do que perfeitas) e, como não podia deixar de ser, algumas receitas que envolvem esferificações e outras peripécias. Em ambos é preciso reservar com meses de antecedência pela internet. Na porta, não adianta chorar.

Boa pedida: as azeitonas (ou melhor, as azeitonas líquidas esferificadas) são um dos “clássicos” em ambos os bares. No mais, deixe-se levar e aceite as sugestões do jovem e solícito staff. A satisfação está garantida, seja qual for o seu pedido.

 

  • Barceloneta, Barcelona à beira-mar

Vaso de Oro

Ótima oportunidade para testar a potência dos cotovelos e o seu poder de sedução para atrair a atenção dos garçons. Diminuto e barulhento, este bar é uma lenda urbana. Os clientes se debatem no disputadíssimo metro e meio que separa o balcão da rua e devoram suculentas porções na companhia da cerveja artesanal tirada com maestria.

Boa pedida: A torradinha com foie gras reina soberana, seguida pelos taquinhos de filé mignon.

 

  • Ciutat Vella, o centro antigo

Pinotxo

Atrás do balcão de seu bar instalado no mítico Mercat de la Boquería, em plenas Ramblas, Pinotxo (nome de guerra de Juanito Bayen) é uma celebridade na cidade, elogiado publicamente por seu cliente mais ilustre, Ferran Adrià. Sua simpatia contagiante e o eterno sorriso por cima da gravata borboleta já justificariam a espera, os empurrões e a gritaria. Mas os pratos são, de fato, dignos de fama internacional.

Boa pedida: Pratos “levanta defunto” como callos (dobradinha à espanhola) e outros cozidos de carnes (muito) gordas e deliciosas, além de uma excelente tortilla de patatas (típico omelete espanhol) e porções de berberechos (marisco que habita uma pequena concha, de sabor pronunciado).

 

 

 

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO