Litoral

Tromba-d´água promove destruição na Praia de Juqueí

Fenômeno formado no mar chega à costa e causa prejuízos de 1 milhão de reais em São Sebastião

Por: Jéssica Torrezan

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A pousada Chez Louise et Louis depois da tempestade: em segundos, o forte vento destruiu completamente a área externa e deixou danos da ordem de 200.000 reais | Crédito: José Luiz Borges

Conhecida como “a joia do Litoral Norte”, Juqueí, uma das mais belas praias do município de São Sebastião, tem areia branca, água transparente e ótima infraestrutura. Reúne atrações como dois minishoppings, alguns bons restaurantes e um dos melhores hotéis da região, o Beach Hotel Juquehy, que cobra 1.000 reais pela diária no alto verão. Uma casa com 400 metros quadrados de frente para a orla, de 3,7 quilômetros, chega a valer 4 milhões de reais. Com clima pacato, o lugar atrai frequentadores como o ator Paulo Vilhena — para quem o local é o melhor para a prática de surfe — e os músicos Sérgio Britto, dos Titãs, e Luciana Mello, que aproveitam o sossego para compor.

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Esse ambiente de tranquilidade viveu momentos de terror no domingo (6) com a chegada de uma trombad’água. O fenômeno, de ocorrência raríssima naquela área, levou pânico aos moradores fixos, acostumados com fins de semana modorrentos durante a baixa temporada. “Eu me senti no meio daquele filme de Hollywood sobre furacões”, diz o caseiro Lenon Aguiar Souza, referindo-se ao longa “Twister” (1996). Por volta das 18 horas, uma violenta e rápida chuva foi seguida de uma calmaria. Souza ouviu, então, o forte estrondo de um trovão: na sequência, a energia elétrica acabou e ventos acompanhados de relâmpagos destelharam a casa e atiraram objetos nas janelas e paredes. Mais tarde, encontraria pedaços de uma churrasqueira de metal no quintal. “Não sei até hoje de onde veio isso”, afirma. Morador da residência em frente, Anderson dos Santos estava naquele momento na praia com o irmão Claudinei, que gravou o funil de vento com o celular. “Quando vi o redemoinho se aproximando, vindo do mar, corri para casa, peguei minha mulher e meu filho e ficamos rezando para acabar logo”, lembra.

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Antes da destruição: a pousada Chez Louise et Louis, uma das principais da região | Crédito: Divulgação

As árvores derrubadas bloquearam totalmente a Rua Monte Alto, a principal via atingida. Parte da vizinhança ficou sem luz até as 11 horas do dia seguinte. Portões, telhas e vidros podiam ser encontrados a metros de distância de seu endereço original. O curioso é que a destruição se restringiu a poucas ruas. Grande parte dos 7.000 moradores de Juqueí só ouviu a chuva.

Mesmo tendo sua passagem concentrada numa área relativamente pequena (1 quilômetro), o tornado deixou um rastro de prejuízos estimados em 1 milhão de reais pela prefeitura. Quarenta e duas casas sofreram danos (duas delas terão de ser demolidas). Trinta e nove árvores de grande porte foram arrancadas pela raiz. Uma das principais pousadas da região, a Chez Louise et Louis, ficou sem a estrutura de sua parte externa: a reforma deve custar em torno de 200.000 reais. “Em segundos perdi dez anos de trabalho”, lamenta o proprietário, Luiz Guimarães. Apesar da violência da tempestade, não houve vítimas graves: somente duas pessoas tiveram ferimentos leves.

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O caseiro Lenon Souza, que testemunhou o episódio: cenas dignas do filme 'Twister' | Crédito: José Luiz Borges

Tornados são raros e é pouco provável que outro venha a assolar Juqueí. “São fenômenos repentinos e de curta duração. Mesmo equipamentos sofisticados não conseguem prever sua ocorrência com antecedência”, diz Mário Festa, professor de meteorologia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP. Como a rapidez do evento impediu a detecção pelos radares, sua classificação foi feita por fotografias, vídeos e análise dos danos. “Não há dúvida: trata-se de uma tromba-d’água que se transformou em tornado”, afirma Neide Oliveira, do Instituto Nacional de Meteorologia.

A tempestade não foi o único incidente que tirou a tranquilidade do Litoral Norte nos últimos dias. Na madrugada de segunda (7), vinte homens fortemente armados chegaram ao município de Ilhabela em alguns barcos, renderam um policial, explodiram caixas eletrônicos e levaram mais de 200.000 reais em dinheiro. Nesse caso, ao contrário do tornado de Juqueí, o fenômeno é mais recorrente: foi o segundo ataque desse tipo no último ano e o quarto desde 2008.

Confira cenas da tromba-d'água flagradas pelo morador Clenilson Neres de Almeida no último domingo (6):

Tromba-d'água em Juqueí por vejasp

O SUSTO QUE VEIO DO ALTO-MAR Os detalhes do tornado que atingiu São Sebastião

Litoral ilustração 2269
| Crédito: Veja São Paulo

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| Crédito: Veja São Paulo

INTENSIDADE

O tornado que passou por Juqueí foi considerado um F0, o tipo menos agressivo do fenômeno meteorológico

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| Crédito: Veja São Paulo
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| Crédito: Veja São Paulo
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| Crédito: Veja São Paulo

Fonte: VEJA SÃO PAULO