Teatro

'Trilhas Sonoras de Amor Perdidas' traz canções que morreram no ar

Drama do diretor Felipe Hirsch é um inventário sentimental datado, com referências memoráveis apenas para fãs de Kurt Cobain

Por: Dirceu Alves Jr. - Atualizado em

Trilhas Sonoras de Amor Perdidas - 2223
Guilherme Weber e Natália Lage: lembranças de um amor trágico (Foto: Murilo Hauser)

Em 2000, o diretor Felipe Hirsch e sua Sutil Companhia de Teatro ganharam fama e fãs ardorosos com “A Vida É Cheia de Som e Fúria”. Adaptação do romance “Alta Fidelidade”, de Nick Hornby, a peça era embalada por Beatles, Nirvana, U2... Onze anos depois, o encenador lança o segundo título de sua trilogia musical. Não se pode comparar o drama Trilhas Sonoras de Amor Perdidas, em cartaz no Sesc Belenzinho, com aquele primeiro sucesso. Costuradas pela força das canções, são peças independentes, embora estejam apoiadas em conceitos semelhantes e revelem uma crise existencial. É inevitável dizer que, há uma década, a cultura grunge interessava a um universo maior. Hoje, esse nicho soa mais restrito, e a atual montagem torna-se um painel de referências sobre um período memorável apenas para os fãs de Kurt Cobain (1967-1994), líder da banda Nirvana.

Guilherme Weber interpreta um locutor de rádio em busca de músicas marcantes para os ouvintes. A inspiração vem de sua trágica relação com a jovem Soninho (papel de Natália Lage), há vinte anos, reconstituída no decorrer da trama. Faixas de The Cure, Neil Young, Tom Waits, entre outras, enfileiram-se ao longo da narrativa. Como nem todas são emblemáticas, acabam contribuindo para a duração excessiva.

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Criada por Beto Bruel, a iluminação injeta beleza em algumas cenas impactantes, reforçada pela surpreendente química entre Weber e Natália. A emotividade do espetáculo, no entanto, se estabelece muito mais pela abordagem sobre a passagem do tempo e a transição das fitas cassete e dos vinis para os CDs e os aparelhos de MP3 do que pela história de amor. Diretor maduro e sempre em evolução, Hirsch talvez tenha perdido o momento de fazer um espetáculo com tal temática. Para quem também assina “Pterodátilos” (em cartaz no Teatro Faap), “Cinema e Não Sobre o Amor”, a nova produção parece bem menos relevante e guiada, sobretudo, por razões sentimentais.

AVALIAÇÃO ✪✪

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO