Desabamento

Trabalhadores mortos na obra que desabou dividiam alojamento

Funcionários que sobreviveram à tragédia na Zona Leste pretendem retornar às suas cidades

Por: Juliana Deodoro

Grande parte do trabalhadores da obra que desabou em São Mateus, na Zona Leste, moravam em um alojamento, a duas quadras do prédio em reforma. A moradia, bancada pela empresa Salvatta Engenharia, servia como casa e refeitório para aproximadamente trinta pessoas diariamente.

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O pedreiro Edimar Amorim da Silva, 30 anos, trabalhou por vinte dias na construção e há uma semana foi transferido para outra obra, em Santo Amaro. Natural de Joselândia, no Maranhão, ele espera agora por notícias de Wellington, seu amigo de infância e uma das duas vitimas que ainda permanecem debaixo dos escombros. "Ninguém acha bom sair da terra da gente. Nós viemos porque fomos obrigados. Não tem emprego lá", diz. Dois irmãos de Wellington e dois primos, que também trabalhavam na obra, são sobreviventes e pretendem voltar para sua terra natal após a tragédia. 

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O pedreiro Edimar Amorim da Silva era um dos moradores do alojamento (Foto: Juliana Deodoro )

No sobrado moram também Rubens Moreno, que foi resgatado depois de avisar por telefone sua localização, e seu sobrinho Gleison de Souza Feitora, de 24 anos. Na manhã desta quarta (28), Gleison lembrou das mais de duas horas que passou embaixo dos escombros. "Só pensava que não iria sair dali com vida. O colega do lado dizia que ia morrer e nunca mais veria a filha", conta. Seu primo, Felipe, de 20 anos, foi uma das vitimas fatais. Natural de Imperatriz, no Maranhão, o sobrevivente pretende deixar São Paulo. "Não era pra gente estar trabalhando em um prédio sem alvará. Agora, só quero voltar para minha cidade e tentar esquecer".

Em Brasilândia, na Zona Norte, em outro alojamento de funcionários da empresa Salvatta, o clima era de luto. Ninguém foi trabalhar e todos passaram a noite avisando seus familiares de que estavam fora de perigo. "Viemos para São Paulo para tentar uma vida melhor. Não queríamos sair de casa", diz um dos moradores que não quis se identificar.

Fonte: VEJA SÃO PAULO