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Toro Y Moi, precursor do chillwave, faz show com disco mais pop

Depois do Lollapalooza, cantor e produtor lança Anything in Return no Beco 203

Por: Mayra Maldjian - Atualizado em

Toro y Moi
Toro y Moi: o músico Arthur Russell (1951-1992), o rapper Kanye West e a banda britânica de shoegaze (um subgênero do rock alternativo) Ride são referências (Foto: Andrew Paynter)

Os ares libertários da Califórnia deixaram Chaz Bundick, o Toro Y Moi, de 26 anos, mais soltinho. Depois dos nostálgicos Causers of This (2010) e Underneath the Pine (2011), criados dentro de seu quarto na Carolina do Sul, o principal mentor do chillwave (estilo eletrônico de atmosfera nostálgica, com synths ensolarados e cadência levemente grooveada) voltou aos holofotes no início deste ano com Anything in Return, o mais dançante de todos.

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Terceiro de sua recente carreira, o álbum é um registro sentimental de sua migração para a costa oeste dos Estados Unidos. A mudança geográfica foi por amor (a antiga namorada se inscreveu em uma universidade de lá), e a sonora, uma atualização instintiva da sonoridade que vem desenvolvendo desde 2007. “[Anything in Return] significa ser uma pessoa melhor”, justifica o artista, que deu às treze faixas desse trabalho um acabamento mais pop, no sentido literal da palavra: “pop é algo relevante e acessível”, descreve.

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A capa: arte assinada pelo amigo John Stortz (Foto: Divulgação)

O novo disco funciona melhor ao vivo. Prova foi sua apresentação no Lollapalooza, em 30 de março, e agora, ele faz outro show na casa noturna Beco 203, em 3 de abril. A estreia de Bundick em palcos brasileiros ocorreu no festival Planeta Terra, em 2011 –o show, parcialmente prejudicado por problemas de som, só engatou no final.

Bundick já dava sinais de seu romance com os beats mais dançantes em Freaking Out, um EP de cinco faixas lançado também em 2011, alguns meses depois do elogiado Underneath the Pine, do qual saíram os hits New Beat, How I Know e Still Sound. A verdade, porém, é que esse romance sempre existiu: desde 2010 o produtor vem espalhando pela internet algumas faixas sob o codinome Les Sins, criado por ele para dar vazão ao seu lado mais dance. As mais recentes, Grind e Prelim, foram divulgadas em seu blog no dia 8 de março, e mostram muito bem com que tipo de gente ele tem andado na Califórnia.

“Morar aqui me fez ter mais ter mais consciência de gêneros como house, hip-hop e psych rock”, analisa o produtor. Foi inevitável a sua aproximação de artistas daquela região, como o controverso e criativo Tyler, the Creator, 22, líder do coletivo Odd Future. Das tardes que passaram trocando experiências, saiu um remix de French, do primeiro disco do rapper, Bastard (2009). “Ele é um garoto legal, sabe tudo sobre todos os tipos de música”, comenta Bundick.

Toro Y Moi tambem imprimiu seus vocais em Try, música de Home, segundo álbum de Nosaj Thing, relevante produtor da nova cena eletrônica de Los Angeles. Flying Lotus, 29, um dos líderes dessa prolífica cena, também convidou Bundick para cantar em uma das faixas de seu último disco, Until the Quiet Comes (2012). A parceria, no entanto, não foi para frente. “Seria muito difícil levar o trabalho adiante, não foi nada pessoal”, garante. Não é fraco não.

Fonte: VEJA SÃO PAULO