Crime

Chacina revela relação entre torcidas organizadas e facções criminosas

O assassinato de oito corintianos na Pavilhão 9 é a mais nova evidência das conexões perigosas entre os bárbaros das arquibancadas e o crime organizado na cidade

Por: Silas Colombo e João Batista Jr.

Pavilhão 9
A quadra da agremiação no sábado (18): as execuções estariam ligadas ao tráfco de drogas (Foto: Fernando Neves/Folhapress)

Com o símbolo do Corinthians tatuado no lado esquerdo do peito e a disposição de levar a paixão futebolística às últimas consequências, o feirante Fábio Neves Domingos, de 34 anos, ia quase diariamente à quadra da Pavilhão 9, um galpão embaixo da Ponte dos Remédios, ao lado da Marginal Tietê, na Zona Oeste. “Dumemo”, como era chamado pelos colegas (quando alguém lhe perguntava como estava, respondia sempre “do mesmo jeito”), trabalhava como vendedor em uma barraca de legumes de um comerciante na Vila dos Remédios, bairro onde morava. Faltava ao serviço com frequência para acompanhar o Timão em viagens, muitas vezes ao exterior. Complementava a renda mensal com bicos na descarga de caminhões de hortaliças na Ceagesp. A dedicação à torcida organizada cujo nome homenageia uma das alas do extinto Presídio do Carandiru rendeu-lhe duas glórias. Ali, conheceu Vanessa Marques, com quem se casou. Conquistou também o respeito dos companheiros e assumiu a presidência da entidade entre 2012 e 2014.

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Nas arquibancadas, era conhecido por não fugir de brigas. Apareceu entre os protagonistas de duas grandes confusões recentes nos campos. Em 2013, passou 106 dias atrás das grades em Oruro, a 230 quilômetros de La Paz, ao lado de outros onze parceiros de arquibancada, todos suspeitos de atirar o foguete que atingiu e matou Kevin Spada, um boliviano de 14 anos, durante uma partida da Copa Libertadores da América. Dois meses depois de libertado, apareceu trocando socos com vascaínos e policiais durante uma peleja do Campeonato Brasileiro no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. Depois da briga, ficou proibido de pôr os pés em um estádio durante noventa dias, mas não parecia se importar muito com esse tipo de problema. “Sou Corinthians até morrer”, repetia.

Essas palavras soam hoje tragicamente proféticas tendo em conta a chacina que ocorreu no sábado (18) na sede da Pavilhão 9. Fábio e outros sete corintianos morreram executados com tiros de pistola 9 milímetros no fim da noite daquele dia. Os criminosos (ainda há dúvida se três ou mais participaram da ação) obrigaram as vítimas a se ajoelhar e depois deitar no chão, enfileiradas. A maior parte dos disparos ocorreu na cabeça, atrás da nuca. Passava pouco das 23 horas quando os bandidos, fingindo-se de policiais, entraram na quadra onde torcedores estavam fazendo um churrasco e retocando as bandeiras que levariam à Arena Corinthians, em Itaquera, no domingo, dia da semifinal do Campeonato Paulista, contra o Palmeiras. “Junta todo mundo aqui”, ordenou um dos invasores.

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Enquanto descarregavam as armas no grupo, deixaram em uma sala dos fundos o faxineiro do local, que acabou sendo poupado. “Fiquei amarrado em uma faixa da torcida”, contou a testemunha para os investigadores do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Antes de desmaiar durante o tiroteio, ele conseguiu gravar bem o rosto e o perfil de dois dos assassinos. “Eram ‘alemães’”, afirmou aos policiais, referindo-se aos homens com cerca de 1,60 metro de altura e cabelos lisos bem claros. 

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Mesmo atingida, uma das vítimas ainda conseguiu caminhar até a loja de conveniência do posto de gasolina do outro lado da rua para pedir socorro. “Não me deixe morrer, tenho filhos para criar, chame um médico”, repetiu várias vezes o compositor de sambas Mydras Schmidt Rizzo, de 38 anos, para um dos frentistas. Sangrando bastante devido a quatro perfurações de bala (no ombro direito, nas costas, no maxilar esquerdo e na coxa direita), ele esperou o resgate por vinte minutos. Deu entrada no Hospital das Clínicas, mas resistiu pouco tempo. Os outros morreram na Pavilhão 9.

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Carlos André Amorosino Jr. (foto), da Torcida Independente, e Rodrigo de Azevedo Lopes Fonseca, presidente da Gaviões da Fiel: processos na Justiça por homicídio e formação de quadrilha (Foto: Reprodução Facebook)

Ao analisar o caso, a polícia rapidamente descartou uma rixa de arquibancada como a motivação da chacina. “A possibilidade mais forte é o envolvimento de uma das vítimas com o tráfico de drogas”, afirma o delegado Luiz Fernando Lopes Teixeira, do DHPP. Segundo a suspeita, os criminosos teriam ido à quadra acertar contas com Fábio “Dumemo” e acabaram matando os outros sete que estavam por perto. De acordo com os depoimentos colhidos durante o início da investigação, há cerca de um mês o feirante contou a conhecidos que fora preso na cidade com uma carga de cocaína em uma blitz. Para que fosse liberado, teria deixado o produto e algum dinheiro nas mãos de policiais. Sem a mercadoria, dizia ter ficado com uma dívida de 10 000 reais com traficantes.

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Carlos André Amorosino Jr., da Torcida Independente, e Rodrigo de Azevedo Lopes Fonseca (foto), presidente da Gaviões da Fiel: processos na Justiça por homicídio e formação de quadrilha (Foto: Reprodução Facebook)

Pessoas próximas ao torcedor afirmaram no DHPP que ele atuava, por conta própria, revendendo drogas nos quarteirões das redondezas da Ceagesp. A ação teria provocado um conflito com os fornecedores de crack da área, que seriam membros do Primeiro Comando da Capital (PCC). A hipótese de vingança pela disputa de ponto foi reforçada por profissionais do Departamento de Narcóticos (Denarc) que vêm monitorando as conversas telefônicas de membros da facção criminosa baseados na região da Ceagesp. Em um desses “grampos”, realizado dois dias após os assassinatos, dois bandidos do PCC comentam o episódio e citam o nome de dois executores. Até a tarde da última quinta (23), os homens do DHPP estavam atrás da dupla de suspeitos.

Surgidas na cidade no fim dos anos 60, as torcidas organizadas foram se multiplicando nas décadas seguintes. À medida que ganhavam mais membros e influência dentro dos clubes, também se tornaram mais ferozes em campo, protagonizando inúmeras cenas de selvageria dentro e fora dos estádios. Além de afastarem das arquibancadas muitos fãs de futebol, viraram um problema de segurança pública da capital. Assustam agora as evidências de que esses bandidos tenham criado conexões com os bandidos profissionais do PCC para efetuar atividades ilícitas como a venda de drogas, possível estopim da tragédia da Pavilhão 9.

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Ponte Preta
Audney Pereira Simeoni, o Tatu, da Torcida Jovem, da Ponte Preta: envolvido com drogas (Foto: Divulgação)

A chacina na quadra não foi o único episódio recente no qual os torcedores e a facção criminosa apareceram juntos no noticiário policial. Em dezembro de 2014, o presidente da Torcida Jovem, da Ponte Preta de Campinas, Audney Pereira Simeoni, o Tatu, foi preso por associação ao tráfico. Seu antecessor, Romildo dos Santos, também acabou condenado pelo mesmo motivo. Ambos cumprem pena no momento e teriam agido em parceria com o PCC. A influência da facção criminosa no ambiente das organizadas iria além da lucrativa parceria comercial na venda de drogas. Chegaria a ponto de determinar às agremiações novas normas de comportamento, como evitar brigas e o uso de armas de fogo nos conflitos entre torcidas rivais.

Segundo o promotor Paulo Castilho, do Juizado Especial Criminal, que cuida de assuntos ligados ao esporte, isso ficou claro em uma reunião ocorrida em março de 2012, quando dois integrantes da Mancha Alviverde, do Palmeiras, morreram em confronto com a Gaviões da Fiel, do Corinthians, na Zona Norte. O encontro teria sido promovido por membros do PCC e contado com a presença de vários diretores de organizadas. “O objetivo da facção é evitar a todo custo chamar a atenção da polícia para as atividades ilícitas que ocorrem nas quadras das torcidas”, explica Castilho. No caso de 2012, Rodrigo de Azevedo Lopes Fonseca, presidente da Gaviões, acabou enquadrado nos crimes de homicídio e formação de quadrilha. Pode pegar mais de dez anos de cadeia.

Marcha Verde
Marcha Verde: a extinção, em 1995, não foi para valer (Foto: Antonio Milena)

Foram inúmeras as tentativas de extinguir e sufocar o poder das torcidas. Todas fracassaram. Em 1995, o Ministério Público conseguiu a extinção da Mancha Verde e da Independente, depois que Márcio Gasparin da Silva, de 16 anos, foi morto a pauladas em um confronto entre as torcidas do Palmeiras e do São Paulo. Na prática, nada mudou. Em 1997, os palmeirenses criaram a Mancha Alviverde, a mesma facção com nome e razão social diferentes. No ano seguinte, os sãopaulinos recorreram à mesma artimanha e fundaram a Torcida Tricolor Independente. Em 2003, uma nova esperança frustrada, com a entrada em vigor do Estatuto do Torcedor. Ele prevê que, nos casos mais leves, os brigões fiquem sujeitos a pagar multa e sejam obrigados a se afastar dos estádios por um tempo determinado (de três meses a até três anos). Segundo a Federação Paulista de Futebol, 24 pessoas no estado cumprem essa pena no momento, um número ínfimo diante do nível de violência existente. Nos casos extremos, os processos podem resultar em penas de um a dois anos de prisão.

O órgão encarregado desses julgamentos é o Juizado Especial de Defesa do Torcedor. Atualmente, tramitam por lá 39 processos. Desse total, quase metade envolve membros de torcidas organizadas. É consenso entre os especialistas que o Estatuto do Torcedor não avançou o suficiente no objetivo de conter a violência. Um dos poucos dirigentes dessas entidades que acabaram na cadeia é Carlos André Amorosino Júnior. Em 2007, o integrante da Torcida Independente foi condenado a catorze anos de prisão pela morte do palmeirense Mauro Roberto Costa, ocorrida em 2003.

Uma nova tentativa de ação quer conseguir resultados melhores nessa área. Um anexo da Vara Criminal a ser criado nas próximas semanas terá como única atribuição investigar e julgar os bárbaros do futebol. Hoje, os crimes que acontecem em estádios — de briga a destruição de bens públicos — não são concentrados em um único juiz e as investigações ocorrem de forma muito morosa, devido a questões burocráticas. O departamento especializado ficará sob o comando do juiz Ulisses Pascolati Jr. e do promotor Paulo Castilho.

juiz Ulisses Pascolati Jr. e o promotor Paulo Castilho
O juiz Ulisses Pascolati Jr. e o promotor Paulo Castilho: novo departamento especializado na Vara Criminal (Foto: Fernando Moraes)

“Podemos dizer que 80% dos delitos que envolvem torcidas organizadas são promovidos por réus primários, ou seja, gente sem passagem pela polícia que se exalta no estádio e acaba extrapolando no papel de ‘valentão’”, diz Pascolati Jr. “No entanto, os outros 20% podem ter ligações bem mais sérias com outras facções de bandidos. Agora, teremos autonomia para quebrar o sigilo bancário e telefônico de torcidas e de seus membros para saber a origem do dinheiro que circula nas quadras, por exemplo.”

A expectativa é que o anexo especial passe a funcionar em duas semanas. Segundo Castilho, há torcidas que faturam enormes somas de dinheiro por ano — daí o interesse do PCC em fazer uma associação, uma vez que poderia usar suas contas para lavar dinheiro. “Em 2015, a Gaviões da Fiel, por exemplo, deve obter uma receita de cerca de 10 milhões de reais com a venda de roupas e ingressos e a organização de caravanas e festas. É muita movimentação financeira e pouca fiscalização.” 

Colaborou Jussara Soares

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  • Chope e cerveja

    Aconchego Carioca

    Alameda Jaú, 1372, Cerqueira César

    Tel: (11) 3062 8262

    VejaSP
    21 avaliações

    A casa de Kátia Barbosa, fundada no Rio, fez tanto sucesso que ganhou esta sucursal paulistana. Boa de bolinho, a cozinheira sugere ótimas pedidas como o de cassoulet (massa de feijão-branco e recheio de carne de porco defumada; R$ 26,00 a porção). Fora da aladas frituras, porém, algumas pedidas decepcionam. É o caso do caldo de camarão (R$18,00), espesso e, em geral, insosso. Sócio da filial, o especialista em cerveja Edu Passarelli compôs a carta de rótulos. Dos 200 de antes, agora a lista contempla cerca de oitenta — a maioria dos títulos internacionais foi extirpadapor conta do aumento do dólar. Ele treinou bem a equipe, que sabe explicar as características da Amazon Taperebá, de Belém (PA), uma witbier de perfume frutado (R$ 18,00,355 mililitros).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Chocolates

    Cacao Sampaka - Rua Aspicuelta

    Rua Aspicuelta, 207, Pinheiros

    Tel: (11) 3032 0264 ou (11) 3032 0286

    VejaSP
    Sem avaliação

    A marca tem origem na Espanha e chegou por aqui em 2014 na forma de um quiosque de shopping. Não tardou para abrir uma loja mais estruturada, na Vila Madalena. São sugestões o bombom de tangerina com canela (R$ 6,00) e a pimenta-rosa coberta com chocolate (R$ 39,00; 100 gramas). Se a ideia for presentear, as barras de 100 gramas são uma boa opção. Há desde uma versão pura com 100% de cacau até uma outra feita de chocolate branco, rosa e morango (R$ 32,00 cada uma).

    Preços checados em 17 de novembro de 2015.

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  • Formada em 2001, a Cia. Vagalum Tum Tum dedica-se a adaptar os dramáticos textos do escritor William Shakespeare (1564-1616) ao universo infantil. Sem fazer grandes alterações nas histórias, a trupe consegue deixar tudo mais leve e bastante divertido. No Teatro Viradalata, o grupo apresenta quatro montagens que integram seu repertório, todas dirigidas e escritas pelo talentoso Ângelo Brandini. A sequência começa no sábado (2) e domingo (3) com a exibição de ✪✪✪✪ Bruxas da Escócia. O espetáculo conta a saga de Macbeth, um valente general do exército escocês que vira o melhor amigo do rei. Chama atenção a maneira criativa com a qual o autor aliviou as cenas trágicas do texto original. A ótima atuação do elenco é marcada pela linguagem do palhaço — as brigas, por exemplo, têm bofetadas, escorregões... As sessões do espetáculo acontecem em todos os fins de semana até 31 de maio. A partir de 6 de junho volta ao cartaz ✪✪✪✪ O Príncipe da Dinamarca. Essa versão para o clássico Hamlet traz uma engraçada banda de caveirinhas. As próximas a ser exibidas são ✪✪✪ O Bobo do Rei, baseada em Rei Lear, a partir de 4 de julho, e ✪✪✪ Othelito, inspirada em Otelo, que fecha o festival de 18 a 26 de julho.
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  • Ao fim da sessão para a imprensa de Vingadores — Era de Ultron, boa parte da plateia bateu palmas, algo raro em exibições aos críticos. Isso significa que o segundo longa-metragem com seis heróis da Marvel agradou. Com um universo todo voltado para quem curte as HQs, a fita traz citações e até mesmo piadinhas endereçadas apenas aos milhões de fãs. Quem não faz parte dessa turma vai encontrar uma história de ação costurada por grandiosos efeitos visuais e dramas íntimos, que acabam por fazer a diferença. Nos primeiros minutos, uma longa sequência apresenta os protagonistas numa missão na Europa. Capitão América (Chris Evans), Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Thor (Chris Hemsworth), Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), Hulk (Mark Ruffalo) e Viúva Negra (Scarlett Johansson) mostram seus poderes para invadir uma unidade da H.I.D.R.A. e recuperar o cetro de Loki. Na sequência, durante uma descontraída festa, eles encaram o desafio de levantar o martelo de Thor — e eis aí um dos raros momentos divertidos do filme. O vilão da vez, Ultron, é resultado de um projeto de inteligência artificial de Tony Stark, que tomou a forma de um robô. Quando ele entra em cena, o restante da trama fica dividido em lutas, batalhas e destruições intercaladas com os problemas pessoais dos personagens. Entre eles, Gavião Arqueiro vive um dilema em família, enquanto a atração de Natasha Romanoff/Viúva Negra pelo Dr. Banner/Hulk fica mais evidente. São mais de duas horas para entreter o espectador e um desfecho sem clímax que não mantém o pique de antes. Estreou em 23/4/2015.
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  • Animação

    Enrolados
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    Ao seguir a linha de seu bem-sucedido desenho animado anterior, a Disney marca mais um gol. Assim como A Princesa e o Sapo, esse novo longa-metragem traz agradáveis cantorias à moda antiga e uma história ágil, enxuta e romântica para cair no agrado de crianças e adultos. O resultado, se não surpreende pela técnica, ao menos cativa e diverte. Extraída dos contos de fada, a personagem Rapunzel nasceu princesa, mas foi raptada do palácio de seus pais ainda bebê. Aos 18 anos, essa dona de madeixas louras com mais de 20 metros vive no alto de uma torre, de onde nunca saiu. Mas eis que surge em seu diminuto espaço o ladrão conquistador Flynn Ryder (com a voz do apresentador Luciano Huck). Enquanto Flynn esconde da estranha sua origem marginal, Rapunzel guarda segredo sobre o poder mágico de seus cabelos. A trilha sonora é assinada pelo craque Alan Menken, premiado com o Oscar por trabalhos em A Bela e a Fera e Aladdin. Estreou em 7/1/2011.
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  • O americano Gregg Araki tem uma filmografia escorada em trabalhos ousados como Geração Maldita (1995) e Mistérios da Carne (2004). Em seu novo longa-metragem, o diretor abandona (em parte) a transgressão para investir num drama pontilhado de mistérios. A talentosa Shailene Woodley, protagonista de A Culpa É das Estrelas e da cinessérie Divergente, interpreta Kat Connors. Em meados da década de 80, essa adolescente é pega de surpresa quando sua mãe (Eva Green, em atuação acima do tom) desaparece do dia para a noite. O pai dela (Christopher Meloni) também não consegue entender os motivos do sumiço. Aos poucos, o roteiro volta ao passado para mostrar como a relação do casal estava desgastada. Levada em clima de suspense em banho-maria, a trama ganha um anticlímax para, na cena derradeira, revelar algo tão imprevisível quanto improvável. Estreou em 23/4/2015.
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    Yoani Sánchez criou um blog mesmo sem poder ter acesso à internet em Cuba. Crítica do regime comunista de seu país, ela acabou virando celebridade internacional e, em 2013, conseguiu permissão para sair da ilha de Fidel e vir ao Brasil. O documentário A Viagem de Yoani começou a ser rodado em 2009, mas seu foco está na passagem da cubana por Feira de Santana, na Bahia, Brasília e São Paulo. Hostilizada por militantes, a blogueira, de cabeça erguida, encarou violentas agressões verbais, que demonstraram a falta de bom-senso e de educação de alguns brasileiros. Em um dos melhores momentos do filme, o então senador Eduardo Suplicy se infama ao clamar por democracia diante de ativistas coléricos. O outro lado da moeda também é abordado. Segundo os detratores, Yoani seria uma “agente da CIA” e bancada pelo governo americano — há até uma plausível teoria a respeito disso. Enquanto registro de um fato, a fita se sustenta. Sua importância, contudo, se dissipa quando termina. Estreou em 23/4/2015.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO