Música

Em show com levada punk, Titãs comemora 30 anos de carreira

Grupo começou ontem (8) a turnê do álbum “Cabeça Dinossauro”, no Sesc Belenzinho

Por: Catarina Cicarelli - Atualizado em

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Sérgio Britto, Tony Bellotto, Paulo Miklos e Branco Mello: remanescentes (Foto: Marcelo Tinoco)

Ontem (8), poucos minutos antes das 21h30, nem parecia que a Comedoria do Sesc Belenzinho receberia, em instantes, o primeiro show da turnê “Cabeça Dinossauro”, que inicia as comemorações dos 30 anos de carreira do Titãs. O público estava em grande parte sentado nas mesas ou no bar. À beira do palco, apenas um acumulado de pessoas esperavam ansiosas a entrada da banda.

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Mas bastou que Sérgio Britto, Tony Bellotto, Paulo Miklos e Branco Mello entrassem no palco para o frenesi começar. Com o acompanhamento do baterista Mário Fabre, o CD “Cabeça Dinossauro” foi tocado na íntegra. Um dos grandes marcos da trajetória do grupo, ele possui um tom extremamente crítico quanto à sociedade brasileira — o álbum foi lançado em 1986, um ano depois de Bellotto e o ex-integrante Arnaldo Antunes serem presos por porte de heroína.

As músicas foram todas tocadas de acordo com os arranjos originais do disco, começando pela faixa título, que de cara já empolgou a plateia. Mas o álbum foi lançado há 26 anos e desde então muita coisa mudou, incluindo o público. Composta em grande parte por um pessoal que já passou dos 40 anos — embora impressionasse ver garotos que sequer haviam nascido quando o CD foi lançado — a plateia cantou empolgada faixas como “AAUU” e “Polícia”. O “bate-cabeça” nas canções mais pesadas, no entanto, ficou no passado.

A música que mais empolgou o público foi “Bichos Escrotos”. Algumas canções, como Branco Mello assumiu, a banda não tocava há anos, caso de “Dívidas”, que segundo eles só entrou nos shows de 86. Ao final da décima-terceira faixa, “O Que”, os músicos desceram do palco e o público ficou à espera de um improviso, já que o repertório de “Cabeça Dinossauro” tinha acabado.

Como havia prometido, o Titãs tocou então algumas canções de outros álbuns que se encaixavam na proposta do show: sons mais pesados e letras agressivas. A leva começou com “A Verdadeira Mary Poppins” e não faltaram “Televisão” e até “A Melhor Banda dos Últimos Tempos da Última Semana”. A inédita “Fala Aí, Renata” também foi tocada.

O show não teve grandes pretensões. O cenário era simples, apenas com uma projeção da capa do disco tema. A banda parecia se divertir como se estivesse apenas ensaiando em uma garagem. Para cada um dos sete dias de apresentações foram vendidas 500 entradas, lotação suficiente para não encher o espaço e permitir que o público assista confortavelmente ao show, que ganha um tom mais intimista. Do outro lado dos vidros que separam a Comedoria do pátio, pessoas que não conseguiram tentavam acompanhar a apresentação de fora. Gratos ao público, os músicos demonstraram orgulho por os 3.500 ingressos da turnê terem esgotado em apenas duas horas e meia.

O grupo ainda fará mais seis apresentações no Sesc Belenzinho, até o dia 17. Para quem não conseguiu adquirir a entrada para os shows, também é possível vê-los no domingo (11), no Sesc Itaquera, onde tocam com o projeto "Futuras Instalações", focado nos novos trabalhos da banda.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO