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Tiago Leifert vira sensação na cobertura da Copa do Mundo

Apresentador do 'Central da Copa', da Globo, driblou preconceitos de colegas de trabalho que o consideravam filhinho de papai

Por: João Batista Jr. [colaborou Fábio Altman, de Johannesburgo] - Atualizado em

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O craque da Copa: salário de 35 000 reais por mês e projeção nacional com seu estilo despojado (Foto: Selmy Yassuda)

Assim como o mau humor de Dunga, as provocações de Maradona aos adversários e a eliminação precoce das potências França e Itália, o apresentador Tiago Leifert (pronuncia-se “láifer”) virou assunto de mesa de bar. Escalado para comandar o ‘Central da Copa’, da Rede Globo, programa com até onze inserções diárias durante o Mundial, o jornalista paulistano de 30 anos deu graça à cobertura esportiva. Com estilo despojado e tiradas inteligentes, ele fala tudo de supetão e sem ensaio. Faz mandinga para a Argentina, pede no ar camisa autografada aos jogadores — tem uma coleção com mais de 100 — e não poupa de suas tiradas nem figurões da emissora como Galvão Bueno. Já exibiu, por exemplo, imagens de bastidores do narrador dançando ao som do grupo Black Eyed Peas. Também aderiu à campanha “Cala Boca Galvão”. “Afinal, quem nunca disse isso?”, pergunta ele, com cara de moleque travesso. “Tiago é um novo talento da televisão, uma belíssima aposta da Globo”, afirmou o narrador a VEJA SÃO PAULO em Johannesburgo, na África do Sul. “Seu trabalho é diferenciado e, além disso, é bastante natural.” 

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Aos 16 anos: estreia como repórter no extinto programa da TV Gazeta 'Desafio ao Galo' (Foto: Arquivo pessoal)

Tiago faz questão de não usar o teleprompter, equipamento que exibe o texto a ser lido na câmera. O programa tem duas boas sacadas: a presença de plateia, formada por anônimos e celebridades, e o uso de computador modernoso. A máquina funciona com comandos touch screen e proporciona acesso à internet, agenda dos jogos, vídeos... “Isso dá agilidade.” Desde o início dos jogos, no dia 11 de junho, ele se tornou o jornalista que mais recebe cartas e e-mails na Central de Atendimento ao Telespectador. Foi escolhido para comandar o ‘Central da Copa’, gravado no Rio e transmitido para todo o país, devido ao sucesso à frente do ‘Globo Esporte’ de São Paulo, do qual é editor-chefe e apresentador desde 2009. Estima-se que ganhe 35 000 reais por mês. O ‘Globo Esporte’ dá audiência média de 12 pontos e o ‘Central da Copa’, picos de 46 pontos (durante as partidas do Brasil). 

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Formatura em Miami: ao lado da mãe, Maria Helena, da irmã, Marcela, e do pai, Gilberto (Foto: Arquivo pessoal)

Tiago teve de encarar várias bolas divididas dentro da emissora até conquistar o público. Isso porque, quando foi contratado como repórter do canal por assinatura SporTV, também da família Marinho, em 2006, era visto como filhinho de papai. “Fiquei mais de um ano sem amigos”, recorda ele, primogênito de Gilberto Leifert, diretor de relações com o mercado da Globo. “O pessoal ‘esquecia’ de me convidar para o almoço.” Esse período de escanteio acabou. Hoje, conquistou o respeito dos colegas. “Ele chega para trabalhar às 7 horas da manhã, quando o programa entra no ar à 1 da tarde”, afirma o repórter Abel Neto, da África do Sul, de onde faz sua segunda cobertura de Copa do Mundo. “Some-se essa dedicação a um talento extraordinário, e temos um grande profissional.” 

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Casamento à vista: troca de alianças com a jornalista Amanda Foschini em 2011 (Foto: Arquivo pessoal)

A vida nos campos começou cedo. “Quando ele tinha apenas 16 anos, foi convidado para ser repórter do programa ‘Desafio ao Galo’, então exibido pela TV Gazeta, que cobria partidas de futebol de várzea”, conta a mãe, Maria Helena. Desde então, ela coleciona fitas com os programas em que o filho aparece — grava tudo em um aparelho VHS, quase uma heresia considerando que Tiago respira tecnologia. Quatro anos mais tarde, estudou jornalismo e psicologia em Miami, onde seus pais têm um apartamento, e descolou um estágio na rede de televisão NBC. Voltou para o Brasil em 2004. “Foi uma sorte tê-lo contratado como apresentador”, recorda José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, dono da TV Vanguarda, filiada à Rede Globo, referindo-se ao ‘Vanguarda Mix’, programa que mistura entretenimento com noticiário.

O sucesso atual aumentou o assédio das fãs. Algumas meninas mandam cartas, outras pedem para tirar fotos. As mais saidinhas batem no portão da casa onde mora com os pais e com a irmã, Marcela, no Morumbi. Nada disso parece tirar o sono de sua bela namorada, a também jornalista Amanda Foschini. “Fico feliz em ver o reconhecimento dele”, jura. Juntos há seis anos, devem se casar no segundo semestre de 2011. Avesso aos holofotes, Tiago evita amizades com jogadores de futebol — ainda que, fique claro, troque mensagens pela internet com figuras como Ronaldo e Val Baiano. Ele leva suas boas tiradas da TV para o Twitter, em que tem mais de 200 000 seguidores. E como ele se autodefine em apenas 140 caracteres? “Sou o mesmo cara simples de sempre.”

 

DEZ TUITADAS

O que ele postaria no Twitter sobre algumas personalidades do futebol

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO