Arte

Tesouro redescoberto no Campos Elíseos

Exposição Palácio dos Bandeirantes mostra imagens barrocas achadas em antiga sede do governo

Por: Sandra Soares - Atualizado em

Nos últimos dois meses, o governador Cláudio Lembo reservou parte das manhãs para uma espécie de terapia. Por volta de 7 horas – antes, portanto, de iniciar seu expediente –, ele supervisionava pessoalmente a montagem de uma exposição no mezanino do Palácio dos Bandeirantes. Colecionador de imagens sacras, Lembo ajudou a ambientar uma mostra de obras de arte do período barroco. Deu palpites tanto na localização das peças quanto na iluminação do espaço. O belo conjunto artístico, que pode ser visitado pelo público (veja dias e horários no final), reúne 26 imagens encontradas no sótão do antigo Palácio Campos Elíseos. Em reforma desde março, o prédio construído em 1890 foi sede do governo do estado e residência dos governadores até 1965. Ali foram achadas ainda outras 77 peças, datadas de diferentes épocas, também já incorporadas ao acervo do Bandeirantes.

Ao todo, mais de 1 600 obras de arte estão espalhadas pelos 25 000 metros quadrados do atual palácio, no Morumbi. Os cerca de 100 objetos da coleção barroca viraram o xodó de Lembo. Ao receber o lote de Campos Elíseos, o governador escolheu um crucifixo de madeira e metal, de data indefinida, para substituir o que estava na ala residencial. "O anterior era uma peça ruim, de cemitério", afirma. Entre os destaques trazidos de Campos Elíseos encontram-se um São Francisco de 1,4 metro de altura, um par de anjos barrocos e três imagens sem rosto, provavelmente retalhadas por ladrões atrás de pedras preciosas (era comum artistas esconderem diamantes sob os olhos). Segundo o diretor do acervo do Palácio dos Bandeirantes, Angelo Ponzoni Neto, as obras recém-chegadas são, em sua maioria, do século XVII. Antes de serem catalogadas e expostas, elas passaram por uma higienização. "Foi uma agradável surpresa encontrar, trancadas num sótão, obras de valor", diz. Por causa disso, o governador criou uma comissão para inventariar e registrar todas as obras de arte expostas nas sedes das 21 secretarias do estado. O grupo trabalha desde abril para dimensionar e avaliar o patrimônio distribuído nas várias repartições. "Como o Palácio Campos Elíseos, outros órgãos estaduais podem esconder peças relevantes", acredita Ponzoni Neto.

• Palácio dos Bandeirantes. Avenida Morumbi, 4500, Morumbi, Tel. 2193-8282. De segunda a sexta, 10h e 15h (é necessário agendar); sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h.

Fonte: VEJA SÃO PAULO