Comportamento

Temporada de chuvas muda rotina dos paulistanos

Happy hour até as 22 horas e movimento maior em cinemas na parte da tarde mostram que público mudou horários, mas continua consumindo

Por: Sara Duarte - Atualizado em

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As irmãs Gabriela e Camila Majolo: compras mais cedo para driblar o mau tempo (Foto: Fernando Moraes)

Após quase cinquenta dias de aguaceiro, os paulistanos, a duras penas, aprenderam a se adaptar às tempestades mais fortes do últimos 63 anos. “Antes ou depois da chuva?” tornou-se um bordão comum na hora de marcar compromissos. No Twitter, há até quem faça apostas sobre em qual horário deve cair o temporal (#bolaodachuvasp).

Para fugir do trânsito e dos alagamentos, muita gente vem antecipando suas atividades. “Como a chuva começa sempre no fim do dia, o fluxo de clientes no período da manhã e no início da tarde aumentou bastante”, afirma Rosangela Lyra, presidente da Associação dos Lojistas da Rua Oscar Freire. Moradoras da Vila Madalena, as irmãs Camila e Gabriela Majolo foram fazer compras nos Jardins às 11h30 da segunda (8). “Viemos cedo para voltar para casa antes do temporal”, diz Gabriela. Camila, que é fisioterapeuta, espera que a temporada de chuvas termine logo. E não só para poder voltar a visitar vitrines nos horários habituais. Segundo ela, o mau tempo tem prejudicado o movimento em seu consultório. “Assim que o céu começa a ficar escuro, mais da metade dos pacientes liga cancelando”, conta.

Segundo o economista Fábio Pina, da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), apesar dos imensos transtornos provocados pelas chuvas deste verão, o nível de consumo na cidade permanece estável. “Aparentemente, os paulistanos não deixaram de sair de casa, simplesmente adaptaram seus horários”, diz. No Bar Brahma, por exemplo, a happy hour tem se estendido. “Agora, os clientes ficam até depois das 22 horas”, afirma Alvaro Aoas, sócio-proprietário do tradicional endereço do centro.

Nas férias de janeiro, cinemas e museus despontaram como opção de entretenimento em lugar seco e seguro. As sessões vespertinas de salas como as do Espaço Unibanco e dos shoppings Frei Caneca e Bourbon tiveram movimento 15% acima do registrado no mesmo período do ano passado. No Museu do Futebol, que funciona das 10 às 17 horas, a visitação também subiu. Passou de 37 000 pessoas em janeiro de 2009 para 39 500 neste ano. “A maior parte dos visitantes vem de manhã ou logo após o almoço”, diz a diretora Clara Azevedo.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO