Memória

Confira a temporada 2015 do Theatro São Pedro

Cinco óperas estão previstas na programação do histórico teatro, inaugurado em 1917

Por: Meriane Morselli - Atualizado em

Fundado em 1917, o Teatro São Pedro tem o paulistano Luiz Fernando Malheiro, de 56 anos, como diretor artístico e regente titular. O maestro conhecido internacionalmente por seu trabalho com a Filarmônica Amazonas anunciou a programação para 2015, que contará com cinco óperas. Todas serão acompanhadas pela Orquestra do Teatro São Pedro e o Coral Lírico Paulista.

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A temporada foi aberta com O Amor dos Três Reis, de Ítalo Montemezzi, exibida de 18 a 29 de março. Na sequência foi encenada Poranduba, de Edmundo Villani-Côrtes, de 22 abril a 3 de maio, e Falstaff, de Verdi, de 10 a 21 de junho.

Em agosto, é a vez de Bodas no Monastério, de Prokofiev, de 26 de agosto a 6 de setembro. Para encerrar, de 18 a 29 de novembro, o programa será duplo, com uma peça de Arrigo Barnabé, O Homem dos Crocodilos, e Édipo Rei, de Stravinsky.  

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Além as óperas, haverá entre as atrações récitas de câmara e até espetáculos de dança estrelados São Paulo Companhia de Dança. Essas exibições estão agendadas para 4 a 6 de dezembro. De acordo com Malheiro, a ideia é que o São Pedro assuma cada vez mais sua vocação para óperas. “A nossa orquestra não fará concertos sinfônicos, sempre haverá canto envolvido”, diz. Só em programação serão investidos neste ano 3,5 milhões de reais e está previsto que o teatro fique ocupado durante 100 dias durante todo o ano de 2015.

ASSINATURAS

Os preços vão de 80 reais a 280 reais. O desconto é de 20% em relação aos preços dos ingressos vendidos na bilheteria. Para adquirir, acesse: ingressorapido.com.br/assinatura/saopedro.  

HISTÓRIA

Em funcionamento desde 16 de janeiro de 1917, o Teatro São Pedro foi construído com projeto dos engenheiros Augusto Marchesine e Antonio Alves Villares da Silva. Anunciava em sua programação de abertura os filmes A Moreninha e O Escravo de Lucifer e no palco exibições do menino Cecilio Leal do Canto, conhecido como Pequeno Caruso, e os artistas João Rodrigues e Aurelia Mendes, cujo repertório trazia fados portugueses e monólogos. Na época da inauguração, anunciavam-se mais de 1 000 lugares em instalações “cheias de conforto e luxo.”

Durante os anos 20 e 40, a programação se mesclava entre projeções de filmes, espetáculos musicais e operetas. A partir de 1941, assumiu definitivamente a vocação de cinema, fase que durou até 1967, ano em que Maurício Segall e Fernando Torres retomaram as atividades do casarão como teatro. Passou a ser dirigido por Maurício e Beatriz Segall e funcionava como sede do grupo Papyrus. Chama a atenção por ter sido criado em um período em que os grupos de teatro estavam desaparecendo devido aos problemas com o regime militar

Em 1969, foram apresentados naquele palco montagens como Marta Saré, de Gianfrancesco Guarnieri e Edu Lobo, Os Gigantes da Montanha, de Pirandello, e Morte e Vida Severina, de João Cabral de Mello Neto.  Passaram por lá ainda A Margem da Vida (1976), com Beatriz Segall, e Macunaíma (1978). Em 1981, Maurício Segall deixa a direção do teatro.

Em 1984, um decreto declarou oficialmente a preservação do histórico prédio. Em 87, a Secretaria de Estado da Cultura assumiu a responsabilidade pelo edifício, então degradado. As obras de restauro começaram em 1997 e foram entregues um ano depois, com capacidade para 693 espectadores (e está como é conhecido hoje). Todos os elementos decorativos e esculturas foram refeitos ou recuperados a partir de documentos históricos*.   

*Fonte e fotos: Theatro São Pedro Resistência e Preservação, coordenação editorial: José Roberto Walker

Fonte: VEJA SÃO PAULO