Crianças

'A Revolução dos Bichos': épico animal

Espetáculo enfatiza preceitos de Bertolt Brecht

Por: Luiz Fukushiro - Atualizado em

A Revolução dos Bichos 2182
'A Revolução dos Bichos': atores tiram as máscaras para fazer intervenções (Foto: Renata Bertelli)

Vira e mexe, o pensamento do dramaturgo e teórico alemão Bertolt Brecht (1898-1956) ganha reverência nos espetáculos infantis. Mas foram poucas as vezes que ele esteve tão presente numa peça quanto em A Revolução dos Bichos, cartaz do Zanoni Ferrite, novo e bonito teatro da prefeitura inaugurado em junho na Vila Formosa. Adaptação do inglês Peter Hall para o clássico livro homônimo do escritor George Orwell, a montagem da Cia. Fractal é mais enxuta que a proposta original (um musical de grande porte). Os seis atores se revezam para interpretar os animais que se rebelam contra o dono explorador e passam a comandar a fazenda.

Sempre fica clara a linha de encenação: o elenco interrompe a peça no meio e retira as máscaras que caracterizam seus personagens para demonstrar indignação ou explicar fatos. A trama alterna momentos engraçados com outros mais tensos, sobretudo quando trata do sofrimento dos bichos. No cenário minimalista, banquinhos de madeira espalhados pelo palco se transformam em ferramentas agrícolas e escadas viram um moinho de vento. Boa solução também foi a representação das galinhas, feitas de bexigas. Compostas e executadas por Bruno Monteiro, canções permeiam a história e realçam as passagens mais importantes.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO