Cultura

Teatro Porto Seguro quer levar um novo público à região da Cracolândia

Orçado em 34 milhões de reais, a sala de espetáculo pretende quebrar a resistência das pessoas em circular por aquela área

Por: Dirceu Alves Jr.

teatro porto seguro
Fabio Luchetti: o presidente da seguradora (Foto: Mario Rodrigues)

Um prédio envidraçado, com um estilo arquitetônico comum às construções da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, chama a atenção de quem circula pela região dos Campos Elíseos. Vizinho ao Sesc Bom Retiro e próximo de instituições como a Pinacoteca, o Museu da Língua Portuguesa e a Sala São Paulo, o endereço em questão (Alameda Barão de Piracicaba, 740, bem na esquina com a Ribeiro da Silva) abriga o Complexo Cultural Porto Seguro, que está sendo inaugurado por etapas. No próximo dia 5, o público conhecerá a parte mais importante do projeto. Trata-se de um teatro com 508 poltronas, distribuídas em plateia, balcão e frisas, além de um fosso para orquestra. Ele abrirá suas cortinas de veludo com show do cantor Ney Matogrosso. O projeto exigiu um investimento de 34 milhões de reais e três anos e meio de obras. A ideia da seguradora que patrocina a empreitada é quebrar a resistência das pessoas em circular pelas redondezas da região conhecida como Cracolândia, ainda marcada pelo tráfico de drogas.

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A fachada do prédio, nos Campos Elíseos: inauguração prevista para 5 de maio (Foto: Mario Rodrigues)

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De acordo com o presidente da Porto Seguro, Fabio Luchetti, já são visíveis os sinais de revitalização da área de um ano para cá. “O que transforma a cidade é sua utilização pela população e percebemos que vários cortiços das redondezas viraram lojas ou pequenos restaurantes”, afirma o executivo. “O nosso segurado pagará metade do preço do ingresso nos espetáculos. Então, queremos trazê-lo para acompanhar a programação, e, assim, ele perceberá que é possível acessar o teatro sem passar pela Cracolândia, que fica a dois quarteirões. ”Além de haver um estacionamento nopróprio prédio, um serviço de vans fará o traslado contínuo de ida e volta do público entre a sala e a Estação da Luz.

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Os ingressos para as apresentações dos cantores Ney Matogrosso, Tiago Abravanel e Maria Rita, agendadas respectivamente para 6, 7 e 9 de maio, estão esgotados. O curador artístico, Marco Griesi, montou uma grade para que o espectador saiba o que pode ver na casa a cada dia. “As terças serão dos shows, nas quartas e quintas teremos peças mais intimistas e, de sexta a domingo, as grandes produções”, descreve. Dirigido por Charles Möeller e Claudio Botelho, o espetáculo Nine, um Musical Felliniano estreia em 23 de maio e vai ocupar o espaço até agosto, com a atriz Beatriz Segall no elenco. Outra estrela da cidade, a atriz Marisa Orth exercita a faceta de cantora no show Romance Volume III — Agora Vai, que permanecerá em cartaz todas as terças, de 2 de junho a 4 de agosto. “É o tamanho ideal para um teatro, ainda mais para uma artista como eu que interage com a plateia o tempo todo e precisa tê-la em seu campo de visão”, afirma Marisa.

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O projeto completo do Complexo Cultural ficará pronto até dezembro. Em agosto, o espaço entra na rota das exposições com a mostra Os Grandes Mestres. Obras de Rafael, Michelangelo e Leonardo da Vinci estão prometidas. A arte da gastronomia fincou ponto no local desde dezembro. Um dos sócios da rede Santinho, Nelson Soto Calatayud inaugurou o restaurante Gemma, que tem consultoria da chef Ana Soares no cardápio e funciona de segunda a sexta no almoço. Com o agito do teatro, o espaço deve fortalecer a happy hour, de quarta a sexta, e estuda a abertura aos sábados e domingos. “Quando decidi investir por aqui, disseram que eu estavalouco, mas todo mundo que hoje vem conhecer nossa casa fica surpreso, inclusive com a segurança”, diz Calatayud. 

Fonte: VEJA SÃO PAULO